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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional Soares dos Reis
N.º de Inventário:
100/ 60 Pin MNSR
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Rua de Capri
Datação:
1882 d.C.
Suporte:
Madeira
Técnica:
Óleo
Dimensões (cm):
altura: 36,5; largura: 16;
Descrição:
Representação de um trecho de rua estreita com uma figura. A composição é dominada pelos panos de muro, como densos volumes brancos, sem aberturas, que se elevam para lá do limite superior. Ao fundo um pequeno arco enquadra uma articulação mais intrincada de muros, janelas e portas e, junto ao topo, um trecho de ramada e um vaso, notação de cor que dimensiona os últimos planos. Ao centro uma figura de menina, vestida de azul e com lenço amarelo na cabeça, caminha na direcção do observador segurando uma bilha. Os muros brancos reflectem uma luz intensa que nalguns pontos quase dilui o contorno e a forma dos volumes. A luz é reforçada pelo azul vibrante de um pequeno trecho de céu deixado visível acima dos muros. Nesta obra é sobretudo a alternância das zonas de sombra e de luz que constrói o espaço e diferencia os vários planos da composição. A pincelada solta vai diferenciando tons e texturas pela diferente orientação e pelo recurso pontual a empastamentos ligeiros. Na zona superior, sobretudo no céu, a tinta, mais fluida, é texturada pela pressão dos dedos. Esta obra faz parte de uma série de oito representações de aspectos de Capri, produzidas durante o ano de 1882, que têm em comum não só o formato, mas também genéricamente um mesmo tema e, sobretudo, uma mesma abordagem à luz e à geometria das arquitecturas e ruelas do local, (Inv. 100/61 Pin MNSR; 100/76 Pin MNSR; 100/81 Pin MNSR; 104/21 Pin MNSR; 104/79 Pin MNSR; 104/80 Pin MNSR; 104/82 Pin MNSR).
Incorporação:
Outro - Fundo Antigo do Museu. Proveniente da Escola de Belas Artes do Porto (antiga Academia de Belas Artes do Porto)
Origem / Historial:
Após a morte de Henrique Pousão, em 25 Março de 1884, o seu pai, o juiz Francisco Augusto Nunes Pousão, a exercer funções em Odemira, reuniu toda a obra do artista que se encontrava dispersa entre familiares e amigos, mandou emoldurar todos os quadros que pode reunir, mais tarde foi transferido para Faro e levou consigo toda a obra que reunira. F. Fernandes Lopes escreve a esse propósito que Nunes Pousão “tinha tudo no seu escritório, cujas paredes estavam assim forradas com quadros do filho. Encontrava-se ali tudo o que fora a sua produção artística em Pintura, excepto naturalmente o que anteriormente enviara para a Academia do Porto ou teria sido vendido a raros particulares, que lhe haveriam feito encomendas, ou ainda de amigos ou pessoas de família a quem fizera ofertas…” V. em Bib. LOPES, Francisco Fernandes [1959], p. 98, 99. Após a morte do Juiz Nunes Pousão, em 2 de Agosto de 1888, em cumprimento da sua vontade, as obras foram entregues, pela viúva, à Academia Portuense de Belas Artes em cujo arquivo se guarda a relação sucinta de obras e objectos então entregues “Relação dos quadros, desenhos e mais objectos que faziam parte do espólio de Henrique Pousão.” AFBAUP. Uma lista mais detalhada seria posteriormente redigida na própria Academia AFBAUP Documento avulso, sem cota, e Correspondência para o Governo, 1837-1911 [130, 21 Set. 1889, fla. 50 v]. Pertence ao Fundo Antigo do Museu: o antigo Museu Portuense, criado em 1833, passa a ser tutelado por uma Comissão de professores da Academia de Belas Artes do Porto, a partir de 1839, e as duas instituições passaram a partilhar o mesmo espaço e tutela. Em 1932 é feita a partilha do acervo existente pelas duas instituições, o Museu Soares dos Reis (antigo Museu Portuense) e Escola de Belas Artes (antiga Academia): dessa divisão foi registada uma “Relação dos objectos existentes no Museu Soares dos Reis pertencentes ao Estado”, datada de 1 de Novembro de 1932 e firmada por João Marques da Silva e por Vasco Valente, respectivamente, director da Escola de Belas Artes e do Museu Soares dos Reis.
 
     
     
   
     
     
     
 
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