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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional Soares dos Reis
N.º de Inventário:
100/ 61 Pin MNSR
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Título:
Rua de Capri
Datação:
1882 d.C.
Suporte:
Madeira
Técnica:
Óleo
Dimensões (cm):
altura: 36,5; largura: 16;
Descrição:
Rua estreita de Capri com representação das paredes caiadas do casario sob a luz intensa mediterrânica. Composição estruturada nos planos ortogonais dos alçados, sobre uma linha longitudinal de rua que sobe, em patamares e escadaria, curvando para a direita. Numa paleta de cores reduzida onde predominam os brancos, ocres e azuis, o pintor procura os efeitos da luz sobre as superfícies planas, interrompidas pelas aberturas de portas e janelas marcadas pela projecção das sombras. A perspectiva é aqui muito vincada nas linhas de fuga e os arcos de ligação entre as duas faces do casario, além de a acentuarem, marcam a profundidade e a sucessão dos planos. Em contraste com todo o resto estão as duas aberturas do último plano, a porta e a janela sobrepostas, a negro, significando o vazio da sombra ou da ausência de luz. Um outro aspecto, que é frequente neste tipo de composições urbanas de Pousão, é a presença de breves apontamentos de vegetação, normalmente em vasos nas sacadas das janelas, aqui muito sumariamente sugeridas em breves pinceladas de verde. Resta ainda um aspecto particular que referencia esta composição a um lugar específico, a entrada do albergue onde Pousão se hospedava, propriedade de Nicola Ferace, cujo nome se inscreve na parede do fundo, só parcialmente visível.
Incorporação:
Outro - Fundo Antigo do Museu proveniente da Escola de Belas Artes do Porto (antiga Academia Portuense de Belas Artes).
Origem / Historial:
Pertence ao Fundo Antigo do Museu: o antigo Museu Portuense, criado em 1833, passa a ser tutelado por uma Comissão de professores da Academia de Belas Artes do Porto, a partir de 1839, e as duas instituições passaram a partilhar o mesmo espaço e tutela. Em 1932 é feita a partilha do acervo existente pelas duas instituições, o Museu Soares dos Reis (antigo Museu Portuense) e Escola de Belas Artes (antiga Academia): dessa divisão foi registada uma “Relação dos objectos existentes no Museu Soares dos Reis pertencentes ao Estado”, datada de 1 de Novembro de 1932 e firmada por João Marques da Silva e por Vasco Valente, respectivamente, director da Escola de Belas Artes e do Museu Soares dos Reis. Após a morte de Henrique Pousão, em 25 Março de 1884, o seu pai, o juiz Francisco Augusto Nunes Pousão, a exercer funções em Odemira, reuniu toda a obra do artista que se encontrava dispersa entre familiares e amigos, mandou emoldurar todos os quadros que pode reunir, mais tarde foi transferido para Faro e levou consigo toda a obra que reunira. F. Fernandes Lopes escreve a esse propósito que Nunes Pousão “tinha tudo no seu escritório, cujas paredes estavam assim forradas com quadros do filho. Encontrava-se ali tudo o que fora a sua produção artística em Pintura, excepto naturalmente o que anteriormente enviara para a Academia do Porto ou teria sido vendido a raros particulares, que lhe haveriam feito encomendas, ou ainda de amigos ou pessoas de família a quem fizera ofertas…” V. em Bib. LOPES, Francisco Fernandes [1959], p. 98, 99. Após a morte do Juiz Nunes Pousão, em 2 de Agosto de 1888, em cumprimento da sua vontade, as obras foram entregues, pela viúva, à Academia Portuense de Belas Artes em cujo arquivo se guarda a relação sucinta de obras e objectos então entregues “Relação dos quadros, desenhos e mais objectos que faziam parte do espólio de Henrique Pousão.” AFBAUP. Uma lista mais detalhada seria posteriormente redigida na própria Academia AFBAUP Documento avulso, sem cota, e Correspondência para o Governo, 1837-1911 [130, 21 Set. 1889, fla. 50 v].
 
     
     
   
     
     
     
 
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