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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu da Música
N.º de Inventário:
MNM 0031
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Instrumentos musicais
Denominação:
Violeta
Autor:
Galrão, Joaquim José ( fl. 1760-1794 )
Local de Execução:
Portugal
Centro de Fabrico:
Portugal - Lisboa
Datação:
1780 d.C.
Matéria:
Pinho de Flandres
Dimensões (cm):
altura: a1=47;a2=41; largura: l1=180;l2=115;l3=227; comprimento: C=662;c=397;
Descrição:
Cordofone, com cavalete, com braço, friccionado com arco: Tampo inteiro em pinho de Flandres de veio muito estreito. Costas lisas de duas metades, trabalhadas a buril com desenhos em filete duplo nas partes superior e inferior. Aba dobrada na parte inferior das costas. Cantos cortados e sem rebordo. Cabeça em voluta. Aberturas acústicas em f.
Incorporação:
Legado - Proveniente da Colecção de D. Luis, Palácio Nacional da Ajuda; cedido ao Conservatório Nacional por Decreto de 5 de Agosto de 1937
Origem / Historial:
Considerando a disposição dos filetes duplos nas costas, formando o característico monograma BN, as dimensões relativas dos elementos decorativos e a invulgar dobra da aba, pode supôr-se que Joaquim José Galrão utilizou para o fabrico desta Violeta, madeira de uma Viola de Gamba Baixo do construtor inglês Barak Norman ( c. 1670 - c. 1740 ), ainda hoje considerado da categoria de um Stradivarius. Montagem actualizada. Este instrumento foi reparado pelo Sr Kim Grácio, em Maio de 1981, pelo preço de Esc. 7.640$00, tendo tal reparação constado do seguinte: Abrir, rectificar espessuras e voltar a colar Cavalete e alma novos Encordoar com Dominant Cedido ao Conservatório Nacional por Decreto de 5 de Agosto de 1937, fazia parte da Colecção D. Luis _____________________________ JOAQUIM JOSÉ GALRÃO: o luthier obscuro Joaquim José Galrão foi um fabricante muito hábil de instrumentos de cordas que teve a sua oficina em Lisboa durante o séc. XVIII. Destaca-se de todos os outros construtores pelo requinte dos instrumentos que produziu, mas sobre a sua vida não sabemos praticamente nada. Segundo Christian Bayon, construtor de violoncelos e violinos estabelecido em Lisboa e conhecedor profundo da colecção do Museu da Música, Galrão foi, sem sombra de dúvidas, o melhor construtor português de violinos e violoncelos do séc. XVIII. A sua arte revela que não era autodidacta, mas não existe nenhuma pista sobre o país onde terá aprendido. No entanto, tanto o estilo de construção como a presença, à altura, de músicos italianos na Capela Real, sugerem Itália como uma boa hipótese. Christian Bayon procurou, ao longo dos anos, localizar outros instrumentos do mesmo construtor e examinou ao todo dez exemplares: os cinco da colecção do Museu da Música (dois violinos, dois violoncelos e uma viola), um violoncelo que se encontra no Conservatório de Lisboa, um violino do Conservatório do Porto e mais três exemplares de particulares, um deles localizado em Espanha. O violino MM 74 da colecção do Museu da Música é o instrumento mais recente que se conhece deste construtor (data de 1794) . Num outro violoncelo da colecção do Museu Nacional da Música, datado de 1797, do construtor Felix António Dinis, pode ler-se Felis Antonio Dinis o fes em Caza da Viuva de Galram Anno 1797 É de deduzir que Dinis tenha sido aluno de Galrão e se tenha estabelecido em casa da viúva, após a morte do mestre, até porque o violoncelo do Conservatório de Lisboa é em tudo semelhante ao violoncelo Dinis da colecção do Museu da Música. Galrão terá então falecido entre 1794 e 1797. No Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes de Ernesto Vieira (edição de 1900), podemos ler: "Apezar de serem estimadíssimos e cotados por elevado preço os raros instrumentos de Galrão que teem apparecido, viveu elle bem obscuramente, pois que ainda não pude obter a seu respeito a mais insignificante noticia biographica. Apenas poderei, por agora, reproduzir o que se sabe pelos disticos dos instrumentos, nos quaes se lê a data em que os construiu (...) No museu de el-rei o senhor D. Carlos, creado por seu fallecido pae, guardam-se com grande estimação dois violinos, uma viola e um violoncello d'este fabricante, que tem a seguinte etiqueta: Joachim Joseph Galram, fecit Olesiponae 1769". ______________________ D. LUÍS D. Luís, (1838-1889) rei de Portugal, filho de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha e da rainha D. Maria II, subiu ao trono após a morte de seu irmão D. Pedro V. Casou-se com a princesa Maria Pia de Sabóia. Dotado de sensibilidade artística, pintava, tocava piano e violoncelo e compunha. Iniciou os seus estudos musicais com o Mestre Capela, Manuel Inocêncio Liberato dos Santos, incumbido do ensino da música dos infantes. Com o seu perceptor, o violoncelista Visconde da Carreira, aprendeu violoncelo. Nos serões musicais familiares, tão ao gosto do séc. XIX, tocava piano ou violoncelo, enquanto seu pai, D. Fernando, cantava. Deslocava-se muitas vezes ao Teatro São Carlos para assistir a espectáculos de ópera e, organizava com regularidade, concertos no Palácio da Ajuda, em que também se assumia como executante. Como compositor, D. Luís deixou-nos algumas obras musicais: uma Avé Maria, uma Barcarola, uma Missa (parte do violoncelo) e cinco valsas. Parte do seu acervo instrumental encontra-se hoje no Museu da Música. São de realçar o violoncelo Stradivarius, um harmónio e o piano de Liszt (vendido a D. Maria II e por ela doado a Manuel Inocêncio dos Santos).
 
     
     
   
     
     
     
 
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