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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arte Antiga
N.º de Inventário:
9 Pint
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Retábulo do Convento do Paraíso
Título:
Anunciação
Autor:
Gregório Lopes
Datação:
1527 d.C.
Matéria:
Óleo
Suporte:
Madeira de carvalho
Técnica:
Pintura a óleo
Dimensões (cm):
altura: 129; largura: 88;
Descrição:
A cena tem lugar no interior de um quarto (a câmara) que é antecedido por um pequeno compartimento (a antacâmara), a que se tem acesso através de uma abertura composta por dois arcos em ferradura e dividida a meio por uma coluna de mármore vermelho. Ao fundo, encostado a uma parede branca, um armário com loiça e utensílios domésticos (um aparador) e um lavabo, são elementos que, para além da sua qualidade decorativa, obedecem a um simbolismo preciso, na medida em que remetem para a água purificadora, o que está directamente relacionado com a virgindade de Maria. Na divisão principal, onde se destacam a cama de dossel e o chão de ladrilho vermelho parcialmente coberto por um tapete oriental decorado com motivos geométricos, representa-se a Virgem, do lado esquerdo da composição, e o anjo Gabriel, do lado direito. O anjo, com vestes de um branco rosado e dalmática bordada de fio de ouro e aplicações de pedraria, segura com a mão direita um bastão de ouro e com a esquerda aponta para o Espírito Santo cujos raios - uma emanação directa de Deus Pai - simbolizam a descida de Deus filho. A Virgem, ajoelhada e em posição de submissão, tem no regaço um livro de horas aberto e a seus pés, em primeiro plano, uma jarra de faiança portuguesa com açucenas e a inscrição «Abram Prim» ("Abrãao Primeiro"). Este pormenor alude à figura de Abrãao e ao episódio bíblico em que o Patriarca e Sara, sua mulher, sendo já idosos, são visitados por três anjos enviados por Deus que lhes anunciam o nascimento de um filho. Uma vez que o nascimento e a circuncisão de Isaac anunciam e prefiguram o nascimento e circuncisão de Cristo (assim como o sacrifício do primeiro é associado ao Calvário), o paralelismo entre ambos foi sempre posto em evidência, nomeadamente no tema da Anunciação. De um ponto de vista estrutural, a composição é bipartida, reflexo da própria dualidade dos intervenientes, cada um deles pertencente a esferas diferentes - ao mundo celeste Gabriel, e ao mundo terreno a Virgem -, o que é ainda sublinhado pelos efeitos de claro-escuro e pela direcção da luz. Acompanhando a diagonal descendente em direcção à Virgem que parte, quer da pomba, quer do dedo indicativo do anjo, a luz emana da direita, acentuando desta forma o lugar da manifestação do sagrado.
Incorporação:
Outro - Transferência: Convento do Paraíso (Lisboa)
Origem / Historial:
O retábulo "do Paraíso", assim designado uma vez que provém do altar-mor do extinto Convento do Paraíso em Lisboa, foi já objecto de alguns estudos que resultaram em opiniões diversas e divergentes no que toca à sua autoria. Num primeiro momento, o conjunto foi atribuído a Grão Vasco (Vasco Fernandes) por Taborda e Cirilo, opinião refutada por Raczynski, que propôs o nome de Abram Prim (Primus). Carl Justi apontou como autor o pintor Velascus e Émile Bertaux dividiu a série em dois conjuntos, atribuindo a "Anunciação", a "Visitação" e a "Natividade" a Cristóvão de Figueiredo, e os restantes painéis ao "Mestre do Retábulo de Santiago". Foi, porém, José de Figueiredo quem reagropou novamente as oito pinturas e as enquadrou na obra do "Mestre do Paraíso", no que foi secundado por Reinaldo dos Santos. A Myron Malkiel-Jirmounsky coube alertar para o facto de estarmos na presença de uma obra colectiva e não de um só pintor. Actualmente, e na esteira deste último historiador, ainda que se destaque o nome de Gregório Lopes na atribuição deste conjunto retabular, não há dúvida em se afirmar que se trata de uma obra de parceria, o que é desde logo visível na heterogeneidade pictórica e técnica das várias tábuas que o compõem.
 
     
     
   
     
     
     
 
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