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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arte Antiga
N.º de Inventário:
8 Pint
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Retábulo do Convento do Paraíso
Título:
Casamento da Virgem
Autor:
Gregório Lopes
Datação:
1527 d.C.
Matéria:
Óleo
Suporte:
Madeira
Técnica:
Pintura a óleo
Dimensões (cm):
altura: 127,5; largura: 86,5;
Descrição:
O casamento da Virgem, tema que tem como principais fontes escritas os Evangelhos Apócrifos e a Lenda Dourada de Giacomo de Varazze, apresenta neste caso específico algumas alterações interessantes em relação à sua fonte de inspiração. A cena decorre numa igreja cujo interior se prolonga num espaço de cobertura abobadada e de paredes rasgadas por aberturas, espaço este ao qual se tem acesso através de um arco ladeado por pilastras com nichos decorados por pequenas estátuas encimadas por baldaquinos. Em primeiro plano encontram-se os principais intervenientes da cerimónia: o Profeta Zacarias (ao centro), a Virgem (à esquerda) e São José (à direita). Zacarias, coroado e ricamente paramentado, segura uma aliança com a mão direita e benze os noivos num gesto de união conjugal. A Virgem, nimbada e com a face coberta por um véu, veste um manto azul debroado a dourado com motivos geométricos. Contrastando com a sua juventude, São José é representado calvo e de barbas brancas, envergando panejamentos de cor vermelha. Ladeando este grupo trenário, encontram-se algumas personagens que assistem à cerimónia, as mulheres do lado esquerdo e os homens do lado direito, por trás de São José, sendo de destacar a paleta variada e luminosa dos trajes e o dinamismo da composição.
Incorporação:
Outro - Transferência: Igreja do Paraíso (Lisboa)
Origem / Historial:
O retábulo "do Paraíso", assim designado uma vez que provém do altar-mor do extinto Convento do Paraíso em Lisboa, foi já objecto de alguns estudos que resultaram em opiniões diversas e divergentes no que toca à sua autoria. Num primeiro momento, o conjunto foi atribuído a Grão Vasco (Vasco Fernandes), por Taborda e Cirilo, opinião refutada por Raczynski, que propôs o nome de Abram Prim (Primus). Carl Justi apontou como autor o pintor Velascus e Émile Bertaux dividiu a série em dois conjuntos, atribuindo a "Anunciação", a "Visitação" e a "Natividade" a Cristóvão de Figueiredo, e os restantes painéis ao "Mestre do Retábulo de Santiago". Foi, porém, José de Figueiredo quem reagrupou novamente as oito pinturas e as enquadrou na obra do "Mestre do Paraíso", no que foi secundado por Reinaldo dos Santos. A Myron Malkiel-Jirmounsky coube alertar para o facto de estarmos na presença de uma obra colectiva e não de um só pintor. Actualmente, e na esteira deste último historiador, ainda que se destaque o nome de Gregório Lopes na atribuição deste conjunto retabular, não há dúvida em se afirmar que se trata de uma obra de parceria, o que é desde logo visível na heterogeneidade pictórica e técnica das várias tábuas que o compõem.
 
     
     
   
     
     
     
 
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