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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arqueologia
N.º de Inventário:
994.51.1
Supercategoria:
Arqueologia
Categoria:
Escultura
Denominação:
Pia de purificação
Datação:
V d.C. - VI d.C. - Antiguidade Tardia
Matéria:
Mármore
Dimensões (cm):
altura: 21,2; largura: 24,7; espessura: 4,5; comprimento: 63;
Descrição:
Fragmento pia de mármore com decoração esculturada, em baixo-relevo de motivos vegetalistas constituídos por folhas de videira e cachos de uva. Investigação recente classifica esta pia, como pia de purificação, de função laica ou religiosa, evitando denominá-la como pia de ablução ou baptismal, ainda que a sua proveniência da "basílica" ou capela" de Torre de Palma o pudesse sugerir. (Segundo Manuel Real)
Incorporação:
Achado - Escavações arqueológicas dirigidas pelo MNA.
Proveniência:
Torre de Palma.
Origem / Historial:
Torre de Palma localiza-se a cerca de 5 Km da freguesia de Vaiamonte, concelho de Monforte, distrito de Portalegre, na herdade com o mesmo nome. Caracterizando-se por ser uma villa rústica e propriedade de uma família romana abastada, os "BASÍLII". Esta familia, cujo nome surge num carimbo encontrado nas ruínas em que se lê: "ME BASILI VIVAS IN CONTVBERNIVM", permaneceu ali longo período. A norte da propriedade avista-se Ammaia e as serras que as enquadram, a noroeste as ruínas do antigo castro, agora denominado "Cabeço de Vaimonte", a sul e sudeste ao longe, avistam-se as serras onde se localizam as actuais Santa Vitória do Ameixial e Vila Viçosa. Os vestígios chegados até nós são inúmeros, e apontam para uma ocupação que vai dos sécs. II ao IV d.C. Na verdade. Estamos perante um vasto latifúndio que incluía lagares, celeiros e outras dependências agrícolas. Havia tudo o que uma abastada villa romana poderia ter: uma luxuosa residência para o proprietário, termas, aposentos para servos e escravos, celeiros, lagares, entre outros, uma vez que grandes villas romanas como Torre de Palma, constituíam realidades socieconómicas autosuficientes. A villa possuía amplas instalações, dispostas em torno de um pátio interior, pavimentado com mosaicos diversos. Encontramos um alpendre assente em colunas e, ao centro, um tanque . A entrada principal fazia-se através de uma sala de recepção, onde se encontrava o célebre mosaico das Musas. Daí, passava-se ao pátio. A sala destinada à prática musical e ao convívio abria-se também para este pátio, cujo pavimento era constituído pelo célebre mosaico dos cavalos. A sala dos banquetes, por seu turno, encontravava-se decorada por temas ligados à natureza, nomeadamente flores e frutos, visíveis no dourado dos frescos que revestiam as suas paredes, e no próprio pavimento, constituído pelo pelo mosaico das flores o "triclinium". As termas situadas um pouco a este da villa, formavam um edifício independente e a noroeste da villa localizavam-se as necrópoles romana e visigótica, implantadas sobre uma anterior ocupação calcolítica. Foi ainda localizado um templo dedicado a Marte (cristianizado posteriormente) e a norte uma basílica paleocristã, provavelmente datada do séc. IV, com três naves de sete tramas, e ábsides contrapostas. Destacamos, ainda, a existencia de batisfério em forma de cruz, de Lorena, com dois lanços opostos de quatro degraus, considerado um dos mais complexos da Península Ibérica. Esta importante estação arqueológica está classificada como Monumento Nacional e foi estudada, e em grande parte escavada, pelo Professor Dr. Manuel Heleno de 1947 a 1962 e pelo Professor Dr. Fernando de Almeida após essas datas. Ambos publicaram resultados das suas escavações em O Arqueólogo Português e outras publicações especializadas. Os materiais recolhidos encontram-se no Museu Nacional de Arqueologia e Etnografia e Etnologia, em Lisboa. A investigação do sítio teve continuidade a partir de 1983 sob a direcção da Drª: Stephanie Maloney, Estados Unidos da América e Maria da Luz Gouveia Veloso da Costa Huffstot de Lisboa. Fontes: HELENO, Manuel - "A " villa " lusitano - romano de Torre de Palma ( Monforte )", in O Arqueólogo Português, nova série, vol. IV. pp. 313 – 338, Lisboa: Imprensa Nacional, 1962; Adília Alarcão, in "Portugal das Origens à Época Romana, MNA, 1989. Portal Arqueólogo (http://arqueologia.igespar.pt/index.phpsid=sitios.resultados&subsid=48169)

Bibliografia

INVENTÁRIO do Museu Nacional de Arqueologia, Colecção de Escultura Romana. Lisboa: I.P.M., 1995, pág. 186-187, nº117

WRENCH, Licínia Nunes Correia - Decoração arquitectónica na Antiguidade Tardia. Lisboa: Universidade Nova, 2008, pág. 562-563

WOLFRAM, Melanie - Uma síntese sobre a cristiamização do mundo rural no Sul da Lusitânia: Synthèse au sujet de la christianisation du monde rural dans le Sud de la Lusitanie. Lisboa: Faculdade de Letras / Paris: Université Paris IV-Sorbonne, 2011, pág. 222 e 310, fig 14

ÁLVAREZ MARTÍNEZ, J.M.; CARVALHO, A.; FABIÃO, C. "Lusitania Romana. Origen de dos pueblos. Lusitânia Romana. Origem de dois povos". STVDIA LUSITANA, 9. Mérida, 2015, pág. 314

CARVALHO, A.; ALVAREZ-MARTINEZ, J.M.; CARVALHO, A. e FABIÃO, C. (2015) - Catálogo da exposição Lusitânia Romana - Origem de dois Povos. Lisboa. INCM - MNA, pág. 295

 
     
     
   
     
     
     
 
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