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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arqueologia
N.º de Inventário:
E 6562
Supercategoria:
Arqueologia
Categoria:
Epigrafia
Denominação:
Lápide funerária
Datação:
1202 d.C. - Idade Média - Contexto Islâmico
Matéria:
Mármore granolamelar cinzento
Dimensões (cm):
altura: 43,7; largura: 20,5 - 25; espessura: 6,5 - 7,5;
Descrição:
Lápide funerária de mármore granolamelar cinzento. Apresenta uma forma rectangular irregular, alargando e arredondando para o topo sendo mais estreita na base. Ostenta uma inscrição insculpida em árabe, executada em caracteres nashhi em relevo, de forma pouco cuidada e sem pontos diacríticos. A inscrição contém treze linhas. O campo epigráfico tem as dimensões seguintes: A: 31,7 cm; L: 18,8 - 23,7 cm, com um intervalo entre as linhas do texto. Consta de um epitáfio do Xeque Abu Bakr Yahya ben ´Abd Allah Ibn al-Djawari (al-Hawari ?), datado de 28 de Agosto de 1202 da era cristã.
Incorporação:
Outro - Provém do acervo do extinto Museu Archeologico do Algarve.
Proveniência:
Castelo de Mértola
Origem / Historial:
Esta lápide funerária provém de Mértola. Pertenceu à antiga colecção de S. Ph. M. Estácio da Veiga tendo sido por ele depositada na Colecção dos Monumentos de Mértola nº 83 / Museu Archeologico do Algarve. Posteriormente, conjuntamente com o restante espólio do extinto Museu Archeologico do Algarve, foi incorporada no acervo do então criado Museu Ethnographico Portuguez (1893), predecessor do actual MNA. De entre sete monumentos epigráficos proveneientes de Mértola islâmica, conhecidos actualmente em Portugal, cinco encontram-se no acervo do MNA, um em Mértola e um outro em Évora. Este é o testemunho melhor conservado e apresenta um texto completo. Trata-se de uma lápide funerária executada em mármore granolamelar cinzento da região e cuja inscrição constitui um epitáfio do Xeque Abu Bakr Yahya Ibn ´Abd Allah Ibn al-Djawari (al-Hawari ? ), falecido no ano 598 de Hégira concretamente em 28 de Agosto de 1202 da era cristã. O texto é repartido por treze linhas de escrita, em caracteres nashhi, em utilização generalizada a partir dos finais do século XII. A escrita apresenta-se pouco cuidada e sem pontos diacríticos o que dificulta a leitura. Daí resulta a dúvida quanto à forma correcta de uma das partes de filiação. Este epitáfio é organizado consoante o esquema mais simples, habitualmente praticado no al-Andalus, constando dele os seguintes elementos: basmallah (em nome de Deus...); tasliyah (a benção de Allah que seja sobre Muhammad e os seus); seguindo-se outra expressão típica "esta é a sepultura" que precede o nome do defunto, a sua filiação, seguida de outra expressão "falecido, tenha Deus piedade dele" e a data do falecimento. Todavia este epitáfio não contém nenhuma citação alcorânica o que constituiu uma outra característica corrente da estructura de epitáfios. Não sendo conhecidos outros elementos de identidade do defunto, sabe-se contudo pela titulatura empregue (xeque) que a personagem ocupava um lugar importante na hierarquia social corroborada ainda pela nisba al-Djawari (al-Hawari ?), um indício que denota origem nobre. Mértola foi conquistada pelos Portugueses em 1238, tendo sido a vila doada posteriormente à Ordem de Santiago. O património islâmico, sobretudo o de carácter religioso ou ligado à identidade cultural foi sujeito à destruição premeditada. Esta lápide, retirada do cemitério entretanto devastado, serviu como material de construção, tendo sido reutilizada na edificação da torre do castelo em 1292. Daí foi extraída em 1877 por ordem de Estácio da Veiga aquando da exploração arqueológica de Mértola por ele efectuada. A pedido de Estácio da Veiga, que reconheceu a importância deste monumento, a lápide foi examinada por Rodrigo Amador de los Rios, arabista espanhol e especialista em epigrafia árabe, na Academia Real de Bellas Artes em Lisboa, sendo da autoria dele a primeira publicação acerca da lápide (1878). Mais tarde, já nos anos quarenta, aquando da primeira tentativa do levantamento de epigrafia árabe em Portugal, empreendida pelo estudioso americano A. R. Nykl, esta lápide foi novamente estudada e publicada (1942, 1946). Nessa altura, A.R. Nykl verificou a existência no MNA de uma lápide incompleta, nomeadamente E 7417, que serviu como pedra de ensaio ao mesmo artífice que realizou a inscrição da lápide E 6562, reconhecendo nela o mesmo tipo de letra, correspondendo a nona linha do texto original à segunda linha do da pedra de ensaio, executada no mesmo mármore granolamelar cinzento da região. (Ver a ficha da lápide E 7417). A lápide E 6562 esteve exposta na exposição "Nos Confins da idade Média" patente em Gand no âmbito da Europália em 1991 e, ainda na sua reposição no Museu Soares dos Reis no Porto em 1992. Estudo da peça: Eva - Maria von Kemnitz
 
     
     
   
     
     
     
 
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