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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AD.643
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Colher
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Guiné-Bissau, Arquipélago dos Bijagós, Orango Grande, Eticoga
Grupo Cultural:
Bijagós
Datação:
XX d.C.
Matéria:
Madeira.
Dimensões (cm):
largura: 4,2; comprimento: 49,5;
Descrição:
Colher em madeira, enegrecida de fuligem, com um lado espatulado e outro estilizando um concha (desprovidas das partes laterais). Entre a concha e a espátula, vê-se uma faixa entalhada (parcialmente obra de torno). No ponto, onde começa a parte espatulada vê-se a figuração de um par de seios.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Guiné-Bissau, Arquipélago dos Bijagós, Orango Grande, Eticoga
Origem / Historial:
«Estes implementos são mais espátulas do que colheres porque nunca são levadas à boca (os Bijagós ainda comem com a mão direita). As espátulas são usadas para remexer a comida preparada pelas mulheres - sobretudo arroz com óleo de palma vermelho e marisco cozido semelhante a oveiros que é apanhado na praia. Qualquer rapazinho, com uma enxó, uma pequena faca e uma folha abrasiva, pode esculpir uma espátula de um pedaço de madeira dura; o cabo é decorado com guilhochés e triângulos ou encabeçado por um hipopótamo. As colheres mais requintadas, contudo, foram provavelmente feitas por um rapaz mais velho durante o seu período de iniciação ou por um escultor experiente a quem a aldeia encomendou estes utensílios. As espátulas mais antigas, como as do Museu Nacional de Etnologia (cats. 138, 139, página 178) são complexas: a espátula é achatada numa das extremidades para remexer a comida durante a sua confeção, enquanto a outra ponta termina numa superfície côncava que serve para servir o cozinhado quando ele está pronto. O cabo é esculpido com motivos decorativos ou animais, mas, normalmente, faz alusão à mulher, a qual gere o fornecimento de alimentos à aldeia, plantando sementes (arroz "molhado" que cresce na época das chuvas) e, juntamente com os filhos, afugenta predadores, colhe e peneira o arroz, armazena-o e, finalmente, prepara-o.» Esta colher «apresenta uma abastração da mesma ideia pois a concha é encabeçada por um cabo arqueado que evoca a curvatura do pescoço, enquanto dois pequenos cones na parte da frente da espátula sugerem os seios. Feitos de madeira dura que raramente é atacada por insectos, estes exemplares antigos deveriam ter sido usados exclusivamente em cerimónias, pois os habitantes ainda os possuíam na altura da sua recolha.» (Duquette, 2000: 175)
 
     
     
   
     
     
     
 
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