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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AX.983
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Adorno de cabeça
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Ilha Formosa, Arquipélago de Bijagós, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Matéria:
Madeira, fibras vegetais, policromia.
Dimensões (cm):
largura: 84;
Descrição:
Adorno de madeira constituído por arco de madeira encimado por uma pequena escultura de cabeça de vaca. Numa face do arco apresenta motivos em dente de serra esculpidos. Este encontra-se contornado por um friso tufado de ráfia. De cada extremo do arco estão projectadas duas hastes curvas de madeira, uma longa, de secção quadrada, outra de secção circular, numa posição quase vertical. De ambas pendem fitas de tecido e de material plástico, em vermelho e azul, respectivamente. As faces frontal e posterior do arco são pintadas de preto e branco. De uma das bases do arco pende uma franja de ráfia.
Incorporação:
Doação
Proveniência:
Ilha Formosa, Arquipélago de Bijagós, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Utilizado em momentos rituais de dança, pelos rapazes da classe pré-iniciática "kadene". As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência ("kadene"). O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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