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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AD.582
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Adorno de cabeça
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Arquipélago de Bijagós, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Datação:
XX d.C.
Matéria:
Madeira, tecido, algodão, policromia.
Dimensões (cm):
altura: 28;
Descrição:
Adorno de cabeça constituído por um aro que liga dois arcos de madeira em cruz. Esta estrutura é encimada por uma pequena tábua de recortes irregulares que suporta a representação de uma pequena cabeça de vaca em madeira, com pontas de chifre naturais. Esta está pintada de preto com uma larga faixa branca a meio da cabeça, descendo até ao focinho. Da base da cabeça de vaca projecta-se uma varinha de madeira curva da qual pendem fitas de tecido.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Angumba, Ilha de Canhabaque (ilha Roxa), Arquipélago de Bijagós, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Adorno de cabeça utilizado pelas jovens raparigas ("defunto") nos rituais da puberdade ("fanado"). A autora Danielle Duquette refere-se a este adorno em concreto como sendo utilizado pelos jovens rapazes da classe de idade pré-iniciática "cadene" (DUQUETTE, 1983: 100). A ficha de inventário atribui o seu uso às raparigas "defunto", tal como Christine Henry, em relação a outro adorno do museu em tudo semelhante a este (HENRY, 2011: 102). Ainda que os Bijagós considerem que as mulheres não sejam iniciadas, para que estas atinjam o estatuto de mulheres adultas plenas (mulheres "grandes") devem passar por momentos performativos públicos na aldeia. Estes consistem em momentos de possessão dos espíritos dos rapazes que morreram antes de serem iniciados. Aqui elas chamam-se "defuntos" e incarnam uma identidade masculina patente em alguns adornos, nomeadamente, através do uso de sabres, espadas, bastões, escudos e machados. Esta prática decorre da crença que o espírito de um homem que morre antes de ser considerado adulto, permanecerá errante junto do mundo dos vivos, tornando-se uma energia perigosa na aldeia, causadora de doenças e mortes. São as mulheres que têm a capacidade de mediarem os dois mundos e de restabelecerem o equilíbrio. Através de rituais de possessão elas concluem o ciclo iniciático daqueles que morreram. «Logo que as raparigas terminam o seu período de reclusão, dançam uma coreografia marcial e guerreira em público, vestidas de longas saias feitas de material vegetal e ornamentadas de fitas vermelhas, elas empunham um modelo reduzido de armas tradicionalmente masculinas como escudos, machados, sabres e lanças. Os seus amigos masculinos, ou os irmãos, que arranjaram e esculpiram, de forma inovadora, o seus ornamentos de cabeça utilizando peixes-escorpião com picos eriçados ou chifres pintados de branco, tal cmo a pele das raparigas que, entretanto, foi tinjida com a cor de areia para se conformaremaos requisitos do Fanado masculino. As raparigas podem também usar chapéus feitos de pedaços de metal, espelhos com espalhafatosos lenços ocidentais pendurados, canoas com bandeiras e tripulação, barcos, queixadas de crocodilo com dentes numa faixa à volta da testa ou a graciosa cabeça de um pelicano por cima de um capacete de madeira pintada» (Duquette, 2000: 168)
 
     
     
   
     
     
     
 
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