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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AD.574
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Adorno de costas
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Ilha Formosa, arquipélago dos Bijagós, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Matéria:
Madeira, metal, algodão, fibras vegetais, lâmpadas, policromia.
Dimensões (cm):
largura: 42; comprimento: 49;
Descrição:
Adorno de costas em madeira, formado por dois grupos de dois discos ligados por uma régua, semelhante à forma de um halter planificado, dispostos paralelamente, com intervalos de cerca de 0,100 entre cada disco. Estes dois grupos estão ligados por uma tira de couro, pregada a meio daquelas réguas. Sobre esta está assente e preso um pássaro, de bico comprido e rabo levantado em leque, com um tufo de ráfia tingida de preto na cabeça, pintado de branco, preto e vermelho. Os discos medem, dois, 0,160 de diâmetro, e os outros dois 0,120. Aos maiores estão aplicadas duas lâmpadas eléctricas (uma está partida) e dois tufos de ráfia e algodão em cores vermelho e preto. A face superior é pintada de cor verde-escuro, com desenhos triangulares, linhas paralelas, cruz e rectângulo, entalhadas, avivados por cores branco e vermelho."
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Cunhanqué, ilha Formosa, Arquipélago dos Bijagós, Guiné-Bissau.
Origem / Historial:
Adorno de costas masculino, utilizado como complemento do traje utilizado pelos rapazes da classe de idades pré-iniciática "karo" (cabaro ou kalo), em exibições públicas de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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