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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AD.621
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Máscara
Local de Execução:
Arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Matéria:
Madeira, couro, vidro, fibras vegetais
Dimensões (cm):
altura: 45,5; largura: 52,5;
Descrição:
Máscara tipo elmo, de madeira, que representa realisticamente uma cabeça de vaca. Possui focinho curto e testa larga e plana. Apresenta dois pequenos chifres e orelhas projectadas para os lados, que se opõem simetricamente. A orelha esquerda tem uma extremidade pontiaguda e a da direita é quase recta. Os olhos são de vidro, um branco e o outro escuro e menos convexo. São circundados por uma rodela de couro. O focinho é entalhado, apresentando uma boca semi-aberta. Apresenta um orifício de cada lado junto à abertura inferior da máscara e dois orifícios na superfície posterior. De cor escurecida, com excepção de um sector central na cor natural da madeira que compreende todo o focinho, estreita em direcção à testa, alargando novamente junto aos cornos. Presa a uma das orelhas está uma estreita tira de fibra vegetal.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Catem, ilha Formosa, arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Complemento da máscara usada pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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