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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Palácio Nacional da Pena
N.º de Inventário:
PNP271/1
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Vidros
Denominação:
Copo
Autor:
Autor não identificado
Local de Execução:
Inglaterra ou Silésia (?)
Centro de Fabrico:
Inglaterra ou Silésia (?)
Datação:
XIX d.C. - Século XIX (?)
Matéria:
Vidro
Técnica:
Vidro soprado e gravado, decoração de filigrana
Dimensões (cm):
altura: 21,5; largura: 8,7; profundidade: 8,8;
Descrição:
DESCRIÇÃO FÍSICA: Copo de vidro com pé alto assente sobre base circular. Apresenta decoração filigranada a retorti ou retortoli no pé e gravação no bojo. A gravação descreve motivos auriculares e florais muito estilizados com pequenas representações de edifícios e paisagens. O vidro é incolor nas secções não decoradas e branco e azul nos elementos filigranados. * * * ENQUADRAMENTO HISTÓRICO-CULTURAL: Produzido, provavelmente, na Silésia (embora Inglaterra também seja uma possibilidade) durante o século XVIII, o copo PNP271/1 apresenta algumas características formais e técnicas que são resultado de mais de dois séculos de desenvolvimentos da produção vidreira europeia. Se, por um lado, a decoração filigranada do fuste denuncia uma solução inglesa para uma técnica que conheceu em Veneza o seu expoente, os motivos gravados na copa são, por outro lado, uma estilização geometrizada de modelos rococós (motivos auriculares e enrolamentos em “C”) que obtiveram grande expressão na produção vidreira da Silésia nos finais do século XVIII [vide DRAHOTOVÁ 1983, pp.112-113]. * * * Produto dessa divulgação dos modelos decorativos venezianos são os copos de pé alto produzidos em Inglaterra na segunda metade do século XVIII. O desenvolvimento económico que se fez sentir em Inglaterra após a restauração da monarquia em 1660 a par da descoberta do vidro de chumbo por George Ravenscroft (1632-1683), em 1671, levaram a um rápido crescimento da produção vidreira na ilha britânica. Consequentemente, surgiram novas tipologias de peças, sendo os copos de pé alto com decoração filigranada no fuste uma das mais populares. À utilização inicial de canas de vidro branco para se obterem os enrolamentos da filigrana, juntaram-se, a partir de 1780, canas de outras cores (KLEIN e LLOYD, 1984, p.1105, 126-135). No século XIX, assistiu-se à banalização da decoração filigranada e o copo PNP271/1 pode ter já sido produzido neste contexto. A reforçar este facto existe a decoração gravada da copa, cujos motivos revelam já um enorme afastamento dos modelos de maior qualidade do século XVIII. * * * A decoração gravada, por seu lado, revela ser fruto dos desenvolvimentos na Boémia no século XVII e XVIII (a Silésia era então parte deste reino). A tipologia de vidro que vinha sendo produzida nos territórios germânicos desde os finais do século XVI permitia receber gravação profunda e lapidação, técnicas que tinham uma aplicação muito limitada no delicado vidro do Adriático (TAIT, 1995, p.179). Nos finais do século XVII, a gravação tornou-se na principal técnica decorativa do vidro produzido nestes territórios. Na transição para o século XVIII, a Boémia, a Silésia e o Brandeburgo desenvolveram novas técnicas de gravação profunda, Hochschnitt e Tiefschnitt, produzindo peças verdadeiramente escultóricas (KLEIN e LLOYD, 1984, p.123). Muitas são as peças deste período que apresentam uma profusão de elementos decorativos, revelando um claro gosto barroco pelo horror vacui (“horror ao vazio”). * * * A decoração do copo PNP271/1 revela esse gosto pelo horror ao vazio. Os elementos figurativos, como edifícios e animais, são totalmente abafados pela profusão de elementos auriculares, enrolamentos em “C” e outros motivos vegetalistas de clara raiz rococó. No entanto, a qualidade da gravação (pouco detalhada, sem preocupação volumétrica e assaz repetitiva) está longe dos grandes efeitos escultóricos obtidos nas peças produzidas na primeira metade do século XVIII. O facto da Boémia se ter tornado numa importante região exportadora de vidro permite levantar a hipótese deste copo, juntamente com o seu par PNP271/2, serem dois casos de peças de exportação. No entanto, é também possível que a gravação da peça seja apenas um reflexo da influência que a Silésia exerceu sobre a produção britânica dos meados do século XVIII (KLEIN e LLOYD, 1984, p. 130), e que tenha sido produzida em Inglaterra, como sugerido anteriormente. Porém, independentemente do contexto de produção, o copo PNP271/1 é exemplar de como numa única peça podem coexistir inúmeras referências a técnicas e modelos decorativos que foram desenvolvidas ao longo de mais de dois séculos em regiões da Europa tão distintas.
Incorporação:
Transferência - Coleções Reais, Palácio da Pena, 1910
 
     
     
   
     
     
     
 
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