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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Palácio Nacional de Queluz
N.º de Inventário:
PNQ 725
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Gravura
Título:
Milagrosa Imagem do Senhor Bom Jesus do Monte
Autores:
Sequeira, Domingos António de (1768, Belém-1837, Roma)
Queiroz, Gregório Francisco de (1768, Lisboa-1845, Lisboa)
Local de Execução:
Portugal.
Datação:
1818 d.C.
Suporte:
Papel
Técnica:
Gravura
Dimensões (cm):
altura: 29; largura: 17;
Descrição:
Gravura aberta a talho-doce, representando Jesus Cristo cruxificado na Cruz, olhando o alto, coroado de espinhos, com a cabeça cercada de resplendor. No alto está a tabuleta com as letras I. N. R. I. Junto à base da Cruz, encontram-se algumas pedras que a sustentam e ossos. A Cruz abrange toda a altura da estampa, vendo-se ao fundo, uma paisagem na qual se levanta em primeiro plano, à esquerda, um castelo com árvores ao pé. Inferiormente está a legenda: "MILAGROSA IMAGEM DO SENHOR BOM JESUS DO MONTE, / Que se venera no Sanctuario de Braga / Os Summos Pontifices Clemente XIII, e Pio VI tem concedido innumeraveis / Graças Indulgencias, e Remissões a todos os que Venerarem esta Imagem, co / mo consta das Authenticas existentes no Cartorio do dito Sanctuario." Moldura em talha dourada estilo Luís XVI.
Incorporação:
Outro - Desconhecido. Nº de ordem 561/1941. Valor da avaliação: 100$00.
Origem / Historial:
Gregório Francisco de Queiroz-«Um dos abridores de chapas e metal, que maior nome deram à arte da gravura no nosso País e em quem se patenteou mais evidente o sentimento e concepção artísticas doi, sem dúvida, Gregório Francisco de Queiroz. (...) Queiroz é, segundo o nosso modo de ver, o maior artista português na arte de abridor e se não fôra a constante irritabilidade que ressalta de tôda a documentação consultada, certamente teria ocupado um lagar primacial, que à sua comprovada competência pertencia, na Academia das Belas Artes, como mestre. O exame das suas estampas apresenta-nos produções duma beleza tal que por vezes as confundimos com as do mestre Bartolozzi. Queiroz possuía o sentimento da delicadeza aliado ao vigor do tracejado quando pretendia tirar efeito de claro-escuro.», in Ernesto Soares, «História da Gravura Artística em Portugal, Os Artistas e as suas Obras», vol. II, 1971, pp. 439 e 454. Domingos António de Sequeira foi um grande pintor dos séculos XIX e XIX, «de seu nome verdadeiro Domingos António do Espírito Santo, como consta do registo baptismal, havendo depois trocado o seu apelido pelo do padrinho e protector, um rico tendeiro de Belém, chamado Sequeira. Também nascido em Belém, então arrabal de Lisboa, foi discípulo de Joaquim Manuel da Rocha na Aula Régia de Desenho e Figura da Casa Pia de Lisboa, e, após a morte deste, ajudante de Francisco de Setúbal; finalmente em Roma para onde foi pensionado por D. Maria I, seguiu o mestrado de Della Picola em composição e de António Cavalucci em pintura. Influenciado primeiro beneficamente pelo Vieira Lusitano através de Joaquim Manuel da Rocha, deixou-se deslumbrar em Roma pela arte pomposa de Dominiquino e pelas harmonias musicais de Corrégio. Em Roma conheceu os seus primeiros êxitos, arrancando o segundo lugar, entre dezenas de poderosos rivais, em provas de aptidão para a Academia do Nu do Capitólio. Em 1793, por encomenda do Intendente Pina Manique, grande protector da artes, executou a vasta composição «Alegoria à fundação da Real Casa Pia de Lisboa» (Museu Nacional de Arte Antiga), em que surge o seu auto-retrato - obra feita nos frios moldes da escola davidiana, mas já plena de firmeza e rasgo, onde se adivinha o alvorecer dum grande artista. No ano seguinte, pintava para a Família Real «Aparição de Cristo a D. Afonso Henriques», tela que, exposta em Roma, obtinha largoa aplausos. Nos meios artísticos romanos, tão difíceis e exigentes, o seu triunfo tomava corpo e em breve era eleito por unanimidade académico de mérito e ofertava o seu quadro «Degolação de Baptista» à Academia de S. Lucas, em Roma. De regresso a Lisboa, pintou, em 1796, para o inglês Guilherme Beckford, a bela composição «Baco e Ariana» e, logo a seguir, esboçava os frescos em grisalha sobre as batalhas da Restauração, que depois se haviam de executar com tanto brilho no palácio conventual de Mafra, como diz o seu biógrafo Xavier da Costa. Mas, embora pensionado pelo Príncipe-Regente, o futuro D. João VI, Sequeira sentia o vácuo à sua volta: hostilidade surda dos colegas despeitados, incompreensão de muitos, frieza de quase todos. Desiludido, desesperado, entrou como noviço para a Cartuxa de Laveiras, onde, entre 1798 e 1802, pintou belos quadros religiosos, de impressionante e dramático claro-escuro, em que se nota a influência de Dominiquino na composição e dos Venezianos no colorido: «A conversão de S. Bruno» (Museu Nacional Soares dos Reis), «São Bruno em oração» e «Comunhão de Santo Onofre» (ambos do Museu Nacional de Arte Antiga), e ainda «S. Paulo com Santo Antão no deserto». Mas trocou a paz do claustro pelas glórias do mundo logo que estas lhe sorriram: de facto, em 1802, era nomeado pelo Regente primeiro pintor de Câmara e Corte, de parceria com o seu ilustre rival Vieira Portuense, ambos encarregados de fazer pinturas decorativas para o Real Palácio da Ajuda. Em 1803, fez uma série notável de composições históricas: «Egas Moniz apresentando-se com a família ao Rei de Leão», «D. Afonso V armando cavaleiro seu filho D. João, em presença do cadáver do Marquês de Marialva, na Mesquita de Arzila» e «Os Almeidas derrotam o Cutiale em Panane», o último deles levado pelo Regente, em 1807, para o Brasil. Nestas obras, aflora a influência do seu insigne contemporâneo, o veneziano Domenico Pellegrini, que dele fez um saboroso e impressivo retrato, hoje no Museu das Janelas Verdes. Da mesma época são o excelente «Retrato equestre do Príncipe-Regente passando revista às tropas» (Palácio da Ajuda) e o admirável retrato colectivo colectivo «O 1º Visconde de Santarém com sua família» (Museu Nacional de Arte Antiga). Em 1807, Sequeira era nomeado director da aula de desenho da Academia de Comércio e Marinha do Porto. Com a primeira invasão francesa, Sequeira deixou-se fascinar pelo esplendor napoleónico e fez a composição «Junot protegendo Lisboa», esplêndida de colorido (Museu Nacional Soares dos Reis), que lhe valeu o forrete de traidor e alguns meses de cadeia, após a expulsão dos Franceses. Perdeu os seus lugares públicos. Mas não se deu por vencido. Continuou a trabalhar, sobretudo no Porto. Data de 1809 o seu belo guacho «Um desembarque de Afonso de Albuquerque na Índia» (primeiro Col. Barão de Forrester, hoje Col. Famíia Ferreirinha) e de 1812 o guacho a cores «Wellington coroado por Marte» (Museu Nac. de Arte Antiga), de jeito alegórico e de sentido épico, tardia reparação da sua deplorável homenagem a Junot. Pouco depois, foi encarregado de fazer os debuxos e de dirigir a execução da monumental baixela a ofertar ao grande cabo-de-guerra pelos governadores do reino, obra portentosa de que se exibiram alguns belos espécimes na Exposição de Ourivesaria Portuguesa e Francesa efectuada na Fundação Ricardo do Espírito Santos Silva em 1955. Neta fase, toma vulto na pintura de Sequeira a influência de Goya, sobretudo em «O regresso do Príncipe-Regente através dos mares» (Col. Duque de Palmela), de 1810 ou 1811, obra de larga imaginação, que traduzia o anelo de todos os Portugueses do tempo, e no «Retrato do Conde de Farrobo», de 1813 (este no Museu Nacional de Arte Antiga), de brancos fulgurantes e de observação aguda, inexorável e veladamente satírica, como, aliás, sucede também com o soberbo esboceto de «Retrato de D. João VI» (Museu Nacional de Arte Antiga), em que, na rara opulência da púrpura e do oiro, esse soberano, tão sábio mas tão caluniado, nos surge enfatuado e ventrudo como um fantoche real (1825). Em 1820, Sequeira aderiu com entusiasmo ao liberalismo alvorecente, adesão selada com o seu notável «Esboceto alegórico à promulgação da Constituição de 1822», poderoso conjunto estuante de energia e cor. Planeou ainda uma vasta composição que fosse o retrato épico da Assembleia Constituinte e chegou a esboçar para o efeito os retratos de alguns deputados, hoje no Museu das Janelas Verdes, mas não conseguiu levar avante tão ambicioso projecto, além de que começou a ser abocanhado e vilipendiado pelos liberais, seus amigos da véspera. Em 1823, a Vilafrancada, golpe vibrado pelo infante D. Miguel contra o liberalismo, levou o artista a tomar prudantemente o caminho do exílio, na companhia de sua filha Maria Benedita, de quem fizera dois lindos e enternecidos retratos, um de 1813, quando ainda menina na companhia do irmão Domingos António, outro pouco anterior à expatriação, com ela ao piano, já mulherzinha (ambos no Museu das Janelas Verdes). Após curta passagem por Inglaterra, instalou-se em Paris, onde encontrou o melhor acolimento da parte dum velho conhecido, o Conde de Forbin, antigo oficial de Junot, agora director-geral dos Museus, ao serviço dos Bourbons. Ali pintou os quadros famosos «Repouso da Sacra Família na fuga para o Egipto» e «A morte de Camões», depois desaparecidos, tão festejados no «Salon», no Louvre, em 1824, gabados por Gérard, Vernet e Ingres e premiados com a medalha de oiro, recebida das próprias mãos de Carlos X. Stendhal, com a sua autoridade de escritor e esteta, comparou a primeira destas obras a uma pintura do Corrégio, «tant les couleurs faisaient plaisir à l'oeil», e incluiu o nome de Sequeira no rol dos pintores célebres. Ali conheceu o artista a brilhante pintura inglesa dum Lawrence ou dum Constable, que bastante o havia de sugestionar. Ali fez excelentes retratos do infante D. Miguel, então a caminho de Viena, após o fracasso da Abrilada (dois carvões no Museu Nacional Soares dos Reis), e bem assim o notável «Retrato do Dr. Ribeiro Neves» (Col. Moore Turner, Londres) e outro retrato colectivo, «O Dr. Domingos Borges de Barros com a família». Em 1826, seguiu Sequeira para Roma, onde leou a cabo a pintura de obras magníficas. Entre esta data e 1832, dedicou-se à execução dum conjunto admirável de obras sacras: «Descimento da Cruz» em 1827, «Adoração dos Magos» em 1828, «Ascenção do Senhor» e «Juízo Final» em 1832 (todos na Col. Duque de Palmela). São composições poderosas na larguesa da concepção, na sábia ordenação das figuras incontáveis, no cromatismo opulento, nos efeitos surpreendentes de claridade e sombra, em que se vislumbra a lição de Rembrandt. Em todas elas perpassa uma emoção nobre e contida, um suave lirismo de raiz bem portuguesa. Xavier da Costa proclama que «contam entre as produções mais elevadas da arte universal». São, no entanto, ultrupassadas pelos respectivos cartões preparatórios (Museu Nacional de Arte Antiga), superiores em vibração dramática, em espontaniedade e brilho às telas definitivas que deles haviam de florescer. Em 1833, uma série de ataques apopléticos veio cortar-lhe a carreira e marcar o ocaso da sua vinda tão fecunda. Ainda sobreviveria a si mesmo durante quatro anos este grande pintor que tantas e tão variadas influências sofreu, desde as dos Venezianos e dos Ingleses até às de Goya e de Rembrandt, e que, todavia, tão profundamente original se mostrou sempre, porque soube assimilar essas influências, amalgamá-las e fundi-las no cadinho da sua forte personalidade. Marca ele a transição do classicismo para o romantismo e, talvez por isso, Aarão de Lacerda lhe chamou «o nosso primeiro romântico»., in Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores, Livraria Civilização Editora, 2.ª ed., Lisboa, 1954. «Sequeira conheceu e preferiu a litografia para interpretação dos seus quadros ou dos seus retratos como método mais condizente com os efeitos de côr e tonalidades das suas pruduções artísticas. Se o seu valor é diminuto ao tratar a chapa de cobre, como delineador sobressae em tôdas as gravuras abertas pelos grandes artistas da época. Queiroz, o maoir gravador do século XIX e porventura o de tôda a gravura portuguesa, foi o preferido por Sequeira para a interpretação das suas alegorias, dos seus desenhos e dos seus retratos. São em número superior a vinte as estampas de Queiroz com delineamento de Sequeira; algumas delas tornaram-se notáveis entre os apreciadores dêste género de arte, bastava-nos citar os retratos do Conde de Peniche, da Marquesa de Borba, do de Marialva, a alegoria ás virtudes de D. João VI e quiçá o retrato dos irmãos Figueiredos. As estampas gravadas por Sequeira, tornaram-se extremamente raras, tanto no mercado, como nas nas colecções particulares; a mais vulgar é a do Conde Ugolino que teve uma tiragem bastante elevada.», in Ernesto Soares, História da Gravura Artística em Portugal, Os Artistas e Suas Obras, vol. I, Livraria SamCarlos, Lisboa, 1971, p.563

Bibliografia

SOARES, Ernesto - História da Gravura Artística em Portugal-Os Artistas e suas Obras, 2.ª edição. Lisboa: Livraria Samcarlos, 2 Vols., 1971, pág. Vol I: 111 e 196; Vol II: 485

 
     
     
   
     
     
     
 
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