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A cultura Bijagó (Guiné-Bissau)
Museu Nacional de Etnologia



Apresentação

 


De entre as diversas culturas da República da Guiné-Bissau, a cultura Bijagó consiste numa das que maior visibilidade assume para o exterior, em particular pela importância que a região que habita assume como destino turístico desde as últimas décadas, mas também pelos diferentes estudos que a disciplina antropológica sobre ela tem desenvolvido.

O arquipélago Bijagó insere-se na região administrativa de Bolama-Bijagós, que se divide em 4 sectores: Bolama, Bubaque, Caravela, Uno. Foi classificado em 1995 pela UNESCO como Reserva da Biosfera. A ilha de Bolama é a mais povoada, reunindo mais de um quarto da população da região, seguida de Bubaque, o segundo centro urbano mais importante do arquipélago que foi durante o regime colonial o seu centro administrativo. As duas ilhas têm uma população muito diversa, predominando nas restantes o grupo cultural Bijagó, a par de uma minoria migrante Papel, Manjaca e Balanta, proveniente do continente, e do grupo Nhominca, pescadores oriundos do Senegal. Estes grupos migrantes estabeleceram-se nas ilhas em aldeamentos independentes dos Bijagós, raramente coabitando com estes. Segundo dados apresentados pelo Ministério do Turismo da Guiné-Bissau, o grupo Bijagó corresponde a 90% da população do arquipélago.

Diversos autores assinalam uma marcada heterogeneidade linguística, social e cultural entre as ilhas do arquipélago, devido ao isolamento de algumas aldeias (tabancas) e ao relacionamento preferencial que outras estabeleceram entre si ao longo dos anos. A sua organização política e social assenta num sistema de classes de idade que define hierarquias e o estatuto dos indivíduos, tendo o conselho de anciãos, da aldeia ou de um conjunto de aldeias, como instância de decisão máxima para as questões da vida de todos, e as terras como propriedade comum.

Os rituais com máscaras são uma das expressões culturais de maior visibilidade do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários até ao estatuto de homem adulto, é fortemente marcada, até certa idade, por períodos de reclusão, mais ou menos longos, no exterior das aldeias, para receberem conhecimentos dos mais velhos; e pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances, através das quais os protagonistas exprimem os valores e a conduta moral que a comunidade exige de si. As máscaras que usam evidenciam por si só a fase de maturidade em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos, como o peixe-serra e o tubarão, ou animais terrestres, como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, simbolizando a sua fragilidade e inexperiência. As máscaras maiores, mais pesadas e de aparência mais feroz são atribuídas aos rapazes mais velhos, e representam a pujança física, arrojo e exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase imediatamente anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.

Ainda que os Bijagós considerem que as mulheres não sejam iniciadas, para que estas atinjam o estatuto de mulheres adultas plenas (mulheres "grandes") devem passar por momentos performativos públicos ritualizados na aldeia. Estes consistem em momentos de possessão dos espíritos dos rapazes que morreram antes de serem iniciados. Aqui elas chamam-se "defuntos" e incarnam uma identidade masculina patente em alguns adornos semelhantes aos dos rapazes, nomeadamente, através do uso de sabres, espadas, bastões, escudos e machados. Esta prática decorre da crença que o espírito de um homem que morre antes de ser considerado adulto, permanecerá errante junto do mundo dos vivos, tornando-se uma energia perigosa na aldeia, causadora de doenças e mortes. São as mulheres que têm a capacidade de mediarem os dois mundos e de restabelecerem o equilíbrio. Através de rituais de possessão elas concluem o ciclo iniciático daqueles que morreram.

Em décadas recentes têm vindo a esbater-se alguns dos seus mecanismos sociais e culturais sob a ação de diferentes fatores, como a ação da colonização portuguesa, alterações na sua economia e política nacional, e a crescente resistência das gerações mais novas à imposição do pesado conjunto de obrigações e interdições ditado pelo sistema tradicional, levando muitos a migrarem em direção a Bubaque, Bissau ou Lisboa, entre outros destinos.

Destacamos aqui uma pequena selecção de peças de um total de cerca de 900 objetos de proveniência Bijagó que compõem a coleção do Museu Nacional de Etnologia. Esta escolha partiu da selecção já apresentada anteriormente na exposição “Na Presença dos Espíritos: arte africana do Museu Nacional de Etnologia”, organizada pelo Museum for African Art de Nova Iorque em 2000, com o título “In the Presence of the Spirits: african art from the National Museum of Ethnology e apresentada em Lisboa em 2002, com o respectivo catálogo. Publicam-se agora algumas imagens de terreno captadas pelo coletor da maior parte da coleção, Victor Bandeira, no final da década de 1960, durante as suas deslocações à Guiné-Bissau.

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