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O Retábulo Flamengo de Évora
Museu de Évora



Apresentação

 

O Retábulo da Catedral de Évora foi encomendado pouco depois de 1495 pelo bispo D. Afonso de Portugal a uma desconhecida oficina flamenga, provavelmente de Bruges, para o altar-mor da Sé de Évora, onde terá permanecido até 1718, data em que se deu início à demolição da capela- mor medieval. Compõe-se de 19 pinturas, 13 representando a Vida da Virgem, 7 representando o ciclo da Paixão de Cristo, incorporadas no património do Estado em 1911 e hoje pertence ás colecções do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo. É o maior e um dos mais importantes conjuntos de pintura flamenga existentes em Portugal.

Actualmente encontra-se em exposição permanente no primeiro piso do Museu.

Segundo o historiador de arte Joaquim Oliveira Caetano, antigo director do Museu e actual director do Museu Nacional de Arte Antiga "é hoje sabido que o retábulo se integrou num vasto e profundo plano de melhoramentos do monumental edifício, que em algumas das partes se deteriorara e ameaçava ruir. A autorização para essa intervenção, que obrigava à remoção temporária de vários altares e a mexidas nas estruturas de outras salas, foi concedida por uma bula do Papa Alexandre VI em 1495."

O bispo que governou a diocese entre 1485 e 1522 decidiu- se então pela construção de um altar-mor que seria preenchido com um conjunto retabular de cuja execução incumbiu uma oficina de Bruges, próxima do estilo do apreciado pintor flamengo Gerard David. Uma escolha tida como óbvia, dado que a pintura flamenga era muito apreciada pelos portugueses, que a conheciam através das relações comerciais com as principais cidades da Flandres, zona onde Portugal havia criado, quase um século antes, uma feitoria de muita fama e proveito.

A obra produzida tem uma qualidade excepcional e impressiona pela dimensão invulgar das suas pinturas, em óleo sobre madeira de carvalho, atribuindo-lhe ainda os especialistas grande importância histórica por ter, ao que se julga, desbravado o caminho para a emergência de grandes retábulos pintados que viriam a instalar-se numa caterva de catedrais e conventos do período manuelino.

O retábulo do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo é composto por 19 pinturas, divididas em duas séries: a primeira compreende a Vida da Virgem e é constituída por 13 painéis, o maior dos quais com 269,5 cm por 157 cm; a segunda é composta pelos restantes 6, todos eles alusivos à Vida de Cristo. Ao centro da primeira série está o maior, que representa a Virgem da Glória e é, curiosamente, o último da sequência. É antecedido, por ordem, pelo Encontro na Porta Dourada, Nascimento da Virgem, Apresentação da Virgem no Templo, Casamento da Virgem, Anunciação, Presépio, Adoração dos Reis Magos, Circuncisão, Apresentação do Menino no Templo, Fuga para o Egipto, Menino entre os Doutores e Morte da Virgem.

Os da segunda série são mais pequenos e menos vistosos e referem-se, de modo indiferenciado, a cenas da Paixão de Cristo, e servem de predela, isto é, formam a parte inferior do retábulo. Entre 2003 e meados de 2009, período em que o Museu esteve encerrado para obras de ampliação e requalificação, o retábulo foi submetido a um profundo trabalho de conservação e restauro, a cargo do ICM (Instituto de Museus e Conservação). Simultaneamente realizou-se um projecto de estudo e investigação, coordenado pelo Museu de Évora e participado pelo Metropolitan Museum of Art (New York), New Gallery of Art (Washington, D.C.) e pelo Museu Nacional de Arte Antiga, em que as pinturas foram restauradas, fotografadas e estudadas laboratorialmente.

O Museu Nacional de Arte Antiga organizou, entre Fevereiro e Abril de 2008, a Exposição “Olhar de Perto: Os Primitivos Flamengos do Museu de Évora”, que resultou num grande sucesso e foi considerada uma das mais importantes mostras artísticas do ano. Quando regressou ao então, Museu de Évora foi reconstituído na sua primitiva disposição e colocado na mesma orientação, na parede do fundo a nordeste. Por outro lado, o pavimento foi rebaixado para favorecer a visualização de diversos ângulos e níveis de altura.

Realizou-se, no dia 18 de Fevereiro, em Lisboa, e nos dois dias seguintes, em Évora, um Congresso Internacional subordinado ao tema “O Retábulo de Évora e a Pintura Flamenga do Sul”, com o qual se pretendeu, segundo a organização, «juntar ao conhecimento adquirido um novo enfoque, baseado no confronto de pinturas de Évora com a produção da Escola de Flandres e com o gosto dos países da Europa do Sul pela pintura da época».

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