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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Almeida e Silva, José de
Tipo:
Autor
Nascimento:
1864
Actividade(s):
Pintor
Óbito:
1945
Biografia:
Nascido no seio de uma família da pequena burguesia, José de Almeida e Silva foi enviado para o Porto a estudar na Real Academia de Belas-Artes, onde cursou entre 1882 e 1890. Nessa Academia do Porto, Almeida e Silva foi discípulo de Tadeu de Almeida Furtado (filho do célebre visiense José de Almeida Furtado), João Correia, António José da Costa e Soares dos Reis, que muito influenciaram a sua obra futura. Pintor virtuoso, desenhador, ilustrador, esporadicamente escultor, caricaturista, humorista, publicista e escritor, Almeida e Silva revela, na sua obra, um realismo e naturalismo tardio, onde se decalcam ambientes de aprendizagem académica ligados a uma estética romântica. De entre as várias expressões artísticas que ensaiou, a caricatura foi, ainda como estudante no Porto, a que mais lhe permitiu expressar a sua liberdade crítica. Trabalhou ativamente em vários jornais e em especial no Charivari… situação que o poderá ter prejudicado no acesso a uma bolsa no estrangeiro, à qual recorreram outros artistas da sua geração, tais como Teixeira Lopes, Henrique Pousão, António Ramalho, Silva Porto, Marques Oliveira, entre outros. A Ilustração foi, durante os primeiros anos da sua vida artística, um meio de afirmação e de suporte financeiro. Colaborou, como ilustrador, com diversos periódicos e, ainda antes de terminar o curso, assumiu a direção artística do Álbum Viziense, sendo autor do respetivo frontispício (numa estética infundida na arte francesa de fin-de-siécle). O apreço pelo Património fez com que se tornasse vogal correspondente do Conselho Superior dos Monumentos Nacionais (1902) e sócio correspondente da Real Associação de Arqueólogos e Arquitetos de Lisboa. Mais tarde funda, em conjunto com outros, o Instituto Etnológico da Beira. Esta vocação torna decisiva a sua ação nos domínios das letras, desenvolvendo intensa produção para jornais locais e nacionais, abordando temas diversos que giram em torno do Património artístico, Etnografia e História. São também dele as obras Pergaminhos (contos e fantasias Históricas), editada em 1931, na qual exalta os símbolos identitários de Viseu (Viriato, São Teotónio, Grão Vasco, etc.), e Quinze dias de estudo na Exposição dos Primitivos Portuguêses : A Escola de Pintura de Viseu, seu início e ramificações, publicada em 1941. No domínio das artes decorativas executou, em duas fases, o teto do átrio dos Paços do Concelho de Viseu, para aí pintando uma evocação alegórica panegírica à cidade de Viseu, e 24 medalhões com os retratos dos Notáveis de Viseu. Ainda para a escadaria desse átrio, é autor dos desenhos dos lambris de azulejos representando o Comércio e a Indústria. Como elementos de arte urbana deixou um busto de Camões, em bronze, datado de 1913; e um friso que pintou na casa onde viveu, na Praça de D. Duarte, no qual representa uma alegoria às artes pictóricas e às letras; e ainda seis efígies de pintores célebres: Frans Halls, Velásquez, Rembrandt, Rafael, Rubens e Grão Vasco. Com uma sensibilidade romântica já talhada pelo Naturalismo, Almeida e Silva transmuta para a suas telas o interesse pela História e Património que compõem a identidade de Viseu, mas também pela paisagem e ruralidade, criando aquilo a que Rui Afonso Santos chamou de “verdadeiro inventário sentimental das paisagens, dos costumes, dos tipos e figuras da Beira Alta”. Esta transmutação, contudo, não está isenta de uma visão crítica do próprio autor, que busca esses “costumes” ou “tipos”, caracterizadores de um todo, e os passa no seu crivo sentimental. Na obra de Almeida e Silva cristaliza-se uma linguagem sentimentalista, por vezes até moralista, sobretudo na pintura de género. Dentro desta classificação destacamos as Hortaliceiras, de 1938 (MGV. Inv.2388), verdadeira obra-mestra que sintetiza o génio artístico de Almeida e Silva, ou o Regresso da Horta, de 1941 (MGV Inv.2391), que vagamente recorda os trabalhos do pintor Sousa Pinto. Trata-se de representações que imolam as personagens não apenas como meros retratados, mas que ressaltam nelas dimensões psicológicas, caracterizadoras das “classes” de onde provêm. Quanto à paisagem, salienta-se a obra Azenha do Pavia, de 1914 (MGV Inv.2276), a única em exposição permanente no Museu Grão Vasco, uma pintura equilibrada e com uma vivacidade lumínica tão expressiva dos dias soalheiros na região de Viseu. No domínio do retrato surgem-nos diversas obras essenciais para a caracterização da qualidade e domínio artístico de Almeida e Silva, em especial a Menina das Camélias, pintada em 1912 (MGV Inv.2386), num estilo delicado, em que a retratada “compete” com um bouquet de camélias que fazem recordar o trabalho de António José da Costa, também ele especialista na pintura daquela espécie floral; o seu Autorretrato, de 1932 (MGV Inv.2465) e o póstumo Retrato de Almeida Moreira, de 1941 (MGV Inv.2467). São também notáveis os pastéis representando uma Menina e uma Velha, de 1919 (MGV Inv.1637 e Dep/MGV/cat.52), evidenciando as suas qualidades como desenhador e ilustrador; ou ainda os óleos do Saloio, de 1932 (MGV Inv.2468) e da Menina – Efeitos de Luz, de 1924 (MGV Inv.2387). Com esta carga saudosista e sentimentalista, Almeida e Silva adequou-se espantosamente ao gosto dos seus “clientes”, quer em Viseu, quer mesmo no Brasil, onde a comunidade portuguesa, acolheu sempre com grande entusiasmo a sua produção. A obra de Almeida e Silva, vasta, dispersa, desconhecida, constitui um extraordinário referencial para o estudo da pintura na cidade de Viseu, permitindo cruzamentos interessantes com a obra de outros artistas e com as correntes estéticas preconizadas na época em Portugal. Em 1996, a propósito do cinquentenário da sua morte, realizou-se no Museu Grão Vasco, sob direção de Alberto Correia, uma exposição evocativa que reuniu mais de 100 obras e da qual foi publicado um catálogo.
 
     
     
   
     
     
     
 
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