MatrizNet

 
Logo MatrizNet Contactos  separador  Ajuda  separador  Links  separador  Mapa do Site
 
domingo, 20 de janeiro de 2019    APRESENTAÇÃO    PESQUISA ORIENTADA    PESQUISA AVANÇADA    EXPOSIÇÕES ONLINE    NORMAS DE INVENTÁRIO 

Animação Imagens

Get Adobe Flash player

 


 
     
     
 
FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Almeida e Silva, José de
Tipo:
Autor
Nascimento:
1864
Actividade(s):
Pintor
Óbito:
1945
Biografia:
Nascido no seio de uma família da pequena burguesia, José de Almeida e Silva foi enviado para o Porto a estudar na Real Academia de Belas-Artes, onde cursou entre 1882 e 1890. Nessa Academia do Porto, Almeida e Silva foi discípulo de Tadeu de Almeida Furtado (filho do célebre visiense José de Almeida Furtado), João Correia, António José da Costa e Soares dos Reis, que muito influenciaram a sua obra futura. Pintor virtuoso, desenhador, ilustrador, esporadicamente escultor, caricaturista, humorista, publicista e escritor, Almeida e Silva revela, na sua obra, um realismo e naturalismo tardio, onde se decalcam ambientes de aprendizagem académica ligados a uma estética romântica. De entre as várias expressões artísticas que ensaiou, a caricatura foi, ainda como estudante no Porto, a que mais lhe permitiu expressar a sua liberdade crítica. Trabalhou ativamente em vários jornais e em especial no Charivari… situação que o poderá ter prejudicado no acesso a uma bolsa no estrangeiro, à qual recorreram outros artistas da sua geração, tais como Teixeira Lopes, Henrique Pousão, António Ramalho, Silva Porto, Marques Oliveira, entre outros. A Ilustração foi, durante os primeiros anos da sua vida artística, um meio de afirmação e de suporte financeiro. Colaborou, como ilustrador, com diversos periódicos e, ainda antes de terminar o curso, assumiu a direção artística do Álbum Viziense, sendo autor do respetivo frontispício (numa estética infundida na arte francesa de fin-de-siécle). O apreço pelo Património fez com que se tornasse vogal correspondente do Conselho Superior dos Monumentos Nacionais (1902) e sócio correspondente da Real Associação de Arqueólogos e Arquitetos de Lisboa. Mais tarde funda, em conjunto com outros, o Instituto Etnológico da Beira. Esta vocação torna decisiva a sua ação nos domínios das letras, desenvolvendo intensa produção para jornais locais e nacionais, abordando temas diversos que giram em torno do Património artístico, Etnografia e História. São também dele as obras Pergaminhos (contos e fantasias Históricas), editada em 1931, na qual exalta os símbolos identitários de Viseu (Viriato, São Teotónio, Grão Vasco, etc.), e Quinze dias de estudo na Exposição dos Primitivos Portuguêses : A Escola de Pintura de Viseu, seu início e ramificações, publicada em 1941. No domínio das artes decorativas executou, em duas fases, o teto do átrio dos Paços do Concelho de Viseu, para aí pintando uma evocação alegórica panegírica à cidade de Viseu, e 24 medalhões com os retratos dos Notáveis de Viseu. Ainda para a escadaria desse átrio, é autor dos desenhos dos lambris de azulejos representando o Comércio e a Indústria. Como elementos de arte urbana deixou um busto de Camões, em bronze, datado de 1913; e um friso que pintou na casa onde viveu, na Praça de D. Duarte, no qual representa uma alegoria às artes pictóricas e às letras; e ainda seis efígies de pintores célebres: Frans Halls, Velásquez, Rembrandt, Rafael, Rubens e Grão Vasco. Com uma sensibilidade romântica já talhada pelo Naturalismo, Almeida e Silva transmuta para a suas telas o interesse pela História e Património que compõem a identidade de Viseu, mas também pela paisagem e ruralidade, criando aquilo a que Rui Afonso Santos chamou de “verdadeiro inventário sentimental das paisagens, dos costumes, dos tipos e figuras da Beira Alta”. Esta transmutação, contudo, não está isenta de uma visão crítica do próprio autor, que busca esses “costumes” ou “tipos”, caracterizadores de um todo, e os passa no seu crivo sentimental. Na obra de Almeida e Silva cristaliza-se uma linguagem sentimentalista, por vezes até moralista, sobretudo na pintura de género. Dentro desta classificação destacamos as Hortaliceiras, de 1938 (MGV. Inv.2388), verdadeira obra-mestra que sintetiza o génio artístico de Almeida e Silva, ou o Regresso da Horta, de 1941 (MGV Inv.2391), que vagamente recorda os trabalhos do pintor Sousa Pinto. Trata-se de representações que imolam as personagens não apenas como meros retratados, mas que ressaltam nelas dimensões psicológicas, caracterizadoras das “classes” de onde provêm. Quanto à paisagem, salienta-se a obra Azenha do Pavia, de 1914 (MGV Inv.2276), a única em exposição permanente no Museu Grão Vasco, uma pintura equilibrada e com uma vivacidade lumínica tão expressiva dos dias soalheiros na região de Viseu. No domínio do retrato surgem-nos diversas obras essenciais para a caracterização da qualidade e domínio artístico de Almeida e Silva, em especial a Menina das Camélias, pintada em 1912 (MGV Inv.2386), num estilo delicado, em que a retratada “compete” com um bouquet de camélias que fazem recordar o trabalho de António José da Costa, também ele especialista na pintura daquela espécie floral; o seu Autorretrato, de 1932 (MGV Inv.2465) e o póstumo Retrato de Almeida Moreira, de 1941 (MGV Inv.2467). São também notáveis os pastéis representando uma Menina e uma Velha, de 1919 (MGV Inv.1637 e Dep/MGV/cat.52), evidenciando as suas qualidades como desenhador e ilustrador; ou ainda os óleos do Saloio, de 1932 (MGV Inv.2468) e da Menina – Efeitos de Luz, de 1924 (MGV Inv.2387). Com esta carga saudosista e sentimentalista, Almeida e Silva adequou-se espantosamente ao gosto dos seus “clientes”, quer em Viseu, quer mesmo no Brasil, onde a comunidade portuguesa, acolheu sempre com grande entusiasmo a sua produção. A obra de Almeida e Silva, vasta, dispersa, desconhecida, constitui um extraordinário referencial para o estudo da pintura na cidade de Viseu, permitindo cruzamentos interessantes com a obra de outros artistas e com as correntes estéticas preconizadas na época em Portugal. Em 1996, a propósito do cinquentenário da sua morte, realizou-se no Museu Grão Vasco, sob direção de Alberto Correia, uma exposição evocativa que reuniu mais de 100 obras e da qual foi publicado um catálogo.
 
     
     
   
     
     
     
 
Secretário Geral da Cultura Direção-Geral do Património Cultural Termos e Condições  separador  Ficha Técnica