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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Bordalo Pinheiro, Columbano
Tipo:
Autor
Nascimento:
Cacilhas, 21/11/1857
Óbito:
Lisboa, 06/11/1929
Biografia:
Filho do pintor e gravador Manuel Maria Bordalo Pinheiro, irmão do caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro, Columbano – o mais independente dos pintores portugueses do século XIX - nasceu ocasionalmente em Cacilhas a 21 de Novembro de 1857. Educado num ambiente de preocupações artísticas, no exercício do desenho e da pintura, a sua primeira e mais marcante escola foi a oficina do pai – pintor de cenas de género que viajara para copiar obras de Velasquez e dos mestres holandeses e flamengos do século XVII. É esta a fonte que alimenta o poder de análise, a observação espirituosa, a técnica do claro-escuro, o requinte da cor e a sobriedade da pintura de Columbano. É a inspiração no antigo a que o pintor aliará a modernidade da mancha solta e da pincelada expressiva, numa interpretação inesperada – a margem do tempo – verdadeiramente original. Entre 1872 e 1876 cursou a Academia de Belas Artes de Lisboa. Pouco assíduo às aulas, produzia independentemente da escola, estreando-se aos 17 anos, numa exposição da Promotora, com composições de género, na sequência dos ensinamentos paternos. Na Academia foi aluno de Simões de Almeida, Victor Bastos, Anunciação. No entanto, foi nos retratos de Lupi, seu mestre de pintu¬ra, que colheu as referências realistas e certas particularidades, como o valor expressivo dado as mãos, nota viva e luminosa sobre o fundo escuro de alguns dos seus retratos. Preterido em dois concursos para bolseiro do Estado em Paris, notado pela crítica que se divide em opiniões contrárias, havendo quem acuse a sua paleta de tons sujos e esverdeados e a falta de acabamento dos seus quadros, organiza em 1880 uma exposição de parceria com António Ramalho. Expondo obras duma subtil e graciosa observação social, como Convite à Valsa e O Sarau, o pintor revela já simplicidade na composição, mancha larga e uma paleta sóbria que se aquece para dar vida a textura mais preciosa de um jarrão ou de um veludo. Nesse ano, motivado pelos retratos que Carolus Durand expôs na Promotora, decide-se pela carreira de retratista. A par dela, a sensibilidade revelada na interpretação dos objectos e seres inanimados – campo de experiências e de gozo – fará dele igualmente brilhante pintor de naturezas mortas. Em Janeiro de 1881, obtendo uma bolsa da Condessa de Edla, parte para Paris na companhia do seu anjo da guarda – a irmã Maria Augusta. A adaptação ao agitado meio parisiense foi-lhe difícil, valendo lhe o companheiro Artur Loureiro. Frequentando a Academia de Paris com a mesma independência que usara em Portugal, é no silêncio da sua intimidade que pinta, sempre saudoso de Lisboa, cerca de dez quadros. Destacam-se entre eles A luva cinzenta (Museu do Chiado), sua obra-prima e “filha mais querida”, e Concerto de Amadores (Museu do Chiado), tela bem recebida no Salon de 1882, controversa e mal-amada na Promotora de 1884. O pintor afirmava-se com original desassombro numa pincelada feroz que extravasa o desenho, envolvendo as formas numa indefinição misteriosa. Prefere ainda e sempre os interiores, e dentro deles as harmonias monocromas de tons pardos, num claro-escuro onde uma escrupulosa selecção de posturas e adereços vibra a iluminação duma vela, nunca do sol. Regressando a Lisboa em 1883, inalterável na sua descrença pela pintura de ar-livre praticada pelos seus amigos naturalistas, é na qualidade de independente que integra o Grupo do Leão, imortalizando-o numa enorme tela de 1885 (Museu do Chiado). Ocupa-se de trabalhos de ilustração, inicia-se na litografia e ainda na década de oitenta estreia-se como decorador. Nessa actividade executará pinturas murais para a Câmara Municipal de Lisboa, Palácio do Conde de Valenças, Teatro de D. Maria, Palácio Marquez da Foz, Museu de Artilharia, Escola Médica de Lisboa, Assembleia Nacional, e outros palácios. Como retratista cria uma galeria interminável de retratos para os quais posam membros da família, amigos, poetas, escritores, artistas. Procurando com o seu trabalho dignificar Portugal retrata a intelectualidade portuguesa por oposição aos modelos populares e burgueses do seu contemporâneo Malhoa. “Gente afeita a pensar e a sofrer Portugal” no dizer de José-Augusto França, é disso paradigma o seu célebre retrato de Antero de Quental (Museu do Chiado). Nos últimos anos da década de noventa a pintura de naturezas mortas adquire grande importância no seu trabalho. Ela vai alterar e por vezes integrar a pin¬tura de retrato. São disso exemplo A Chávena de Chá (Museu do Chiado), conhecida e cobiçada tábua que o artista nunca quis vender, bem como Vinho e Frutos (colecção particular), uma composição explicitamente influenciada pela pintura flamenga do século XVII, onde por detrás de uma mesa com bandeja e frutos surgem duas figuras trajando à época. Desta obra nasceram outras duas pequenas tábuas – O Fruteiro (colecção particular) e Guerreiro do séc. XVII (Museu Nacional de Soares dos Reis) – um retrato que alia à técnica do claro-escuro a mestria da pincelada rápida e vigorosa. Em 1900 visitou e concorreu à Exposição Universal de Paris, sendo premiado com a medalha de ouro e o grau de Cavaleiro da Legião de Honra. No ano seguinte foi eleito Académico de Mérito, recebeu o grau de Oficial da Ordem de Santiago e foi nomeado professor da Academia de Belas Artes de Lisboa para uma cadeira de Pintura, especialmente criada para ele. Em 1903 ocupou o cargo de Presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes. Deslocou-se a Paris em 1910 com a missão de escolher quadros franceses para o Museu Nacional de Belas Artes. Tendo casado em 1911 com uma senhora cuja imagem surge repetidamente nos seus quadros, com ela visita Paris em 1912, e de seguida a Bélgica percorrendo as galerias de Malines, Antuérpia, Gand e Bruges. Director do Museu Nacional de Arte Contemporânea a partir de 1914, reparte o seu tempo entre o ensino, o museu e o atelier. Em 1915, visitando Madrid para adquirir quadros para o museu, admirou a pintura de Velasquez e de Goya. Doravante a sua paleta adquirirá maior claridade. Aposentando-se do ensino em 1924 e do museu em 1927, pintou nesse ano um auto-retrato para a Galeria Pitti, em Florença. Expondo incessantemente durante quase meio século, participou nas Exposições da Promotora de 1874, 76, 80 e 84; nas exposições do Grupo do Leão, de 1882 a 1887; no Grémio Artístico de 1896 a 1898; na Sociedade Nacional de Belas Artes de 1901 a 1904, de 1913 a 1915, 1918, de 1920 a 1922 e em 1928; na Exposição Industrial de Lisboa em 1888; na Sociedade de Belas Artes do Porto em 1908, e no Ateneu Comercial do Porto em 1927. Realizou 8 exposições individuais: na Sociedade de Jornalistas e Escritores (1880), no seu atelier no Pátio do Martel (1891), na Livraria Gomes (1894), no Palácio de Cristal no Porto (1895), na Fotografia Guedes no Porto (1897), no Diário de Notícias (1904), no Atelier da Academia de Belas Artes (1911) e na Galeria Georges Petit em Paris (1913). Expôs 8 vezes no Salon de Paris – 1882, 83, 90, 91, em 1900, 1910, 1912, 1913, 1920, participou nas exposições internacionais de Berlim e Dresden em 1896, de novo em Dresden em 1901 e também em S. Petersburgo, em Londres, em 1902 em Glasgow e em 1904 na Exposição Internacional de S. Luis na América do Norte, em 1908 na Exposição Internacional do Rio de Janeiro, em 1914 em S. Francisco na Califórnia, em 1923 em Madrid, e em 1929 na Exposição Internacional de Barcelona. Faleceu a 6 de Novembro de 1929, tendo legado o acervo das suas obras ao Museu Nacional de Arte Contemporânea.
 
     
     
   
     
     
     
 
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