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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Basto, Armando Pereira de
Tipo:
Autor
Nascimento:
Porto, 26/05/1889
Óbito:
Braga, 00/00/1923
Biografia:
Armando Pereira de Basto nasceu no Porto em 26 de Maio de 1889 e morreu em Braga em 1923. Entre 1903 e 1910 frequentou, com alguma irregularidade, as aulas de Desenho, Escultura e Arquitectura na Academia Portuense de Belas Artes. Do seu temperamento rebelde e inconformista e da voluntária cabulice resultara um fraco aproveitamento escolar, não tendo concluído o curso da Academia. Entre as aulas e o convívio boémio com os amigos, Armando de Basto desen¬volvia uma actividade intensa no campo da caricatura e do desenho humorísti¬co, manifestando grande originalidade e talento. Naqueles anos que antecederam e prepararam a República, convivia com jovens artistas, escritores e jornalistas, grupo de sonhadores boémios que se reuniam no café Chaves, lugar preferencial de encontro. No seio desta tertúlia foi crescendo o seu talento de “cronista do lápis” como lhe chamava Cristiano de Carvalho. Publicou várias “folhas” e jornais humorísticos: o Lúcifer, o Monóculo, o Careca, a Corja. Colaborou ainda em diversas revistas e periódicos e em todos eles deixou registados inúmeros desenhos. É na sequência desta actividade que o vemos organizar, em 1910, a sua primei¬ra exposição individual, no Porto, inteiramente dedicada ao desenho humorís¬tico, caricaturas e composições: interessavam-lhe os factos políticos, os acon¬tecimentos locais, as gentes da rua e os gracejos amigos. Animado pelo êxito da exposição resolve partir para Paris, uma das suas maio¬res ambições, com o objectivo de fazer um curso de arquitectura, como com¬plemento dos estudos feitos no Porto. Em Paris a partir de 1910, conviveu de perto com muitos dos estudantes portu¬gueses. Companheiro inseparável de Diogo de Macedo, contactou também com Aquilino Ribeiro, Mário Sá-Carneiro, com o pintor Ferreira da Costa que o retratara, Santa Rita, Manuel Jardim, José Pacheco, entre muitos outros. O seu temperamento sociável levou a que privasse também com estrangeiros, nomea¬damente Modigliani, que ele muito admirava e que fizera um retrato seu. Em Paris iria dar continuidade à sua actividade de caricaturista tendo mesmo exposto no Salon des Humouristes e colaborado em jornais da especialidade. Numa deslocação de férias, em 1912, expôs individualmente no Porto, no Salão da Fotografia Luso-Brasileira, ainda no âmbito da caricatura e do dese¬nho humorístico. Mas, inadaptável à disciplina e constância de projectos, foi gastando o tempo na boémia de Montparnasse. Começou a pintar por volta de 1913, animado pelos amigos que lhe oferece¬ram telas, tintas e pincéis. O seu primeiro modelo foi Diogo de Macedo e o retrato foi um dos géneros que mais praticou. Revelava-se então em plena liberdade já que ninguém interferia no seu trabalho nem estava condicionado por imposições de qualquer ordem. O retrato, as composições de interior e as paisagens urbanas resumem as temáticas mais abordadas pelo pintor. À margem de “escolas” de pintura e não sujeito à orientação de mestres, como ele próprio afirmava: “Não tenho tido Mestres, a minha arte é legitimamente minha. Daí a sua originalidade”. Armando de Basto pintava o que sentia: o homem profundamente urbano e mundano, apaixonado pela cidade, só esporadicamente pintou paisagens que não fossem os recantos da cidade, as suas praças, o aglomerado das casas. Os retratos dos amigos são a outra parte significativa da obra deste homem, sociá¬vel e admirado por muitos, que tinha enorme facilidade em se relacionar com as pessoas. Embora a pintura passasse a ter grande importância na sua vida, não abando¬nou o desenho humorístico e a caricatura com o que o veremos ainda partici¬par em diversas exposições colectivas: em 1913, na 10ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes, secção de caricatura, onde ganhou uma 3ª medalha; em 1914, na 11ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1915 participa no Salão dos Humoristas realizado no Porto, no Jardim Passos Manuel; em 1916 participa na exposição d’Os Fantasistas, no Porto, e ainda no II Salão de Humoristas e Modernistas. Como pintor participou em várias exposições colectivas: em 1917, no Porto, participa na exposição intitulada Arte e Guerra e no Grande Certamen d’Arte, no Palácio de Cristal; em Lisboa, ainda em 1917, participa numa exposição reali¬zada no Salão Bobone; em 1919, na 16ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes onde é contempla¬do com uma 3ª medalha; ainda em 19, participa no 3º Salão dos Modernistas, no Porto; em 1920, na Exposição de Pintura Moderna, no Salão Bobone; finalmente, em 1923, participa na XII Exposição Anual da Sociedade de Belas Artes do Porto. Mas a sua primeira exposi¬ção individual de pintura realizou-se em 1918, na Galeria da Misericórdia do Porto. Esta viria a repetir-se em Lisboa, no ano seguinte, no Salão da Ilustração Portuguesa. Uma terceira e última exposição individual, teve lugar em 1920, em Lisboa, no Salão Bobone. Armando de Basto não realizou um número muito elevado de trabalhos tendo, nestas exposições no Porto e em Lisboa, mostrado uma parte significativa da sua obra, desde as pinturas realizadas ainda em Paris, entre 1913 e 1915, e as realizadas no Porto, nos anos de 1916 a 1918, sendo desta fase parte das paisa¬gens urbanas da colecção do Museu Nacional de Soares dos Reis e Câmara Municipal do Porto. Entre 1919 e 1920 instala-se em Lisboa. Casa-se em meados de 20 e regressa ao Porto onde ainda vive algum tempo, mudando-se para Braga onde passou a trabalhar em arquitectura com o arquitecto Moura Coutinho. Quando Armando de Basto morreu, em Braga, em 1923, grande parte das suas obras ficaram na posse da família do referido arquitecto. Por iniciativa do Secretariado Nacional de Informação, realizou-se em 1958 uma exposição retrospectiva da obra do pintor onde foram catalogadas setenta pinturas, aguarelas e desenhos. Com a excepção das colecções do Museu Nacional de Soares dos Reis e Câmara Municipal do Porto, de uma única pintura exis¬tente no Museu do Chiado e de uma outra na Casa Museu Teixeira Lopes, toda a obra que se conservou do pin¬tor está hoje dispersa por coleccionadores particulares.
 
     
     
   
     
     
     
 
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