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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Vespeira, Marcelino
Tipo:
Autor
Nascimento:
Alcochete, 09/09/1925
Óbito:
Lisboa, 21/02/2002
Biografia:
Natural de Samouco, nasce em 1937. Instala-se em Lisboa para estudar na Escola de Artes Decorativas António Arroio, até 1942, ano em que se matricula no Curso de Arquitectura da Escola de Belas-Artes, que abandonará no primeiro ano. Dedica-se às artes gráficas e à decoração, trabalhando para o ETP (Estúdio Técnico de Publicidade). Nestes anos participa nas reuniões do Café Herminius, e frequenta as tertúlias da cidade, organizando com outros colegas da António Arroio uma exposição, em 1943, num quarto alugado. As inquietações políticas e as esperanças suscitadas pelo resultado da II Guerra Mundial conduzem-no, como a tantos outros jovens, a intervir politicamente através da produção plástica, com trabalhos enquadrados no Neo-realismo, recebendo as influências de Portinari e dos muralistas mexicanos. Em 1945 colaborou na página “Arte” do jornal portuense A Tarde, dirigida por Júlio Pomar, e, nos dois anos seguintes nas Exposições Gerais de Artes Plásticas. Já em 1947, afasta-se do Neo-realismo, apesar do seu protagonismo neste movimento, em conjunto com Júlio Pomar, e, aproxima-se do Surrealismo, tenho sido um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, com o qual colaborou em todas as acções por este promovidas. O trabalho surrealista de Vespeira, iniciado em 1947, apresenta desde o início uma expressão muito pessoal que nos primeiros anos se enquadra numa figuração académica que procura o estranho, enquanto que em meados de 1949, em especial a partir de um verão nas ilhas Berlengas, abandona o desejo do figurativo para criar um imaginário próprio, de signos eróticos, onde o mundo marinho e vegetal se transformam pelo olhar do desejo, assumindo um valor abstractizante, num espaço indefinido, em que o automatismo e a experimentação matérica serão os principais responsáveis pelo resultado final do quadro. O biomorfismo e alguns elementos orgânicos recorrentes, como os chifres, aproximam os seus trabalhos da obra de Jorge Vieira, com quem partilha o mesmo entusiasmo erótico e alegre, entanto que as experiências com a matéria e o uso de alguns elementos como redes ou reservas remetem para o conhecimento de artistas internacionais do Surrealismo do pós-guerra, como Matta e Esteban Francés. Estes trabalhos, executados entre 1949 e 1952, são mostrados publicamente nas três exposições individuais, em simultâneo na Casa Jalco, em Janeiro de 1952 (Azevedo, Lemos, Vespeira). Esta exposição, que causou grande escândalo no meio artístico lisboeta, marca o final da sua produção surrealista, abandonada em favor da abstracção, que irá dominar o panorama artístico. Começa pela abstracção geométrica, e logo a seguir, envolve-se numa interpretação abstracta de ritmos musicais de danças negras e do jazz, chega, em finais de 50, ao que José-Augusto França denominou como “espaço elástico”, em pesquisas que se estendem ao longo dos anos 60. No fim desta década volta a um universo onírico, progressivamente mais influenciado na década de 70 e 80 pelo erotismo que marcara os trabalhos surrealistas que agora se organizam em composições esquemáticas, de domínio curvo e cores planas, não alheias ao seu trabalho como designer gráfico. Nesta área, e continuando o desenho de cartazes, logotipos e montras iniciado no ETP, destaca-se o trabalho como decorador no III Ciclo da Feira das Indústrias Portuguesas (1951) e na Feira das Indústrias de Moçambique (1956), as capas de livros para a editora Ulisseia (1957-1960), o seu papel como director gráfico da revista Colóquio (1962-1966), o logotipo da Galeria 111 (1965) e os cartazes que a partir desta data executou (FCG, MFA). Bolseiro da FCG (1958-1959), membro do Conselho Técnico da SNBA (1964-1965), distinguiu-se nas acções que se seguiram ao 25 de Abril, integrando a Comissão Central de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA. Pintor de grande mestria, Vespeira representa o melhor momento e mais pessoal da pintura surrealista portuguesa, movimento dentro do qual nos deixou também desenhos, uma participação no grande cadavre-exquis e em outros dois realizados com Fernando Azevedo, objectos, dos quais só se conserva O menino imperativo, e poemas, alguns deles (Unhas e Manequim visado) publicados na revista Tricórnio, sendo de lamentar a perda dos seus collages e ocultações.
 
     
     
   
     
     
     
 
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