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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Palácio Nacional de Queluz
N.º de Inventário:
PNQ 962
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Retrato da Infanta D. Maria Francisca Isabel Josefa
Autor:
Vieira de Matos, Francisco (1699, Lisboa-1783, Lisboa)
Local de Execução:
Portugal.
Datação:
1753 d.C.
Matéria:
Óleo
Suporte:
Tela
Técnica:
Óleo sobre tela
Dimensões (cm):
altura: 152; largura: 107;
Descrição:
Retrato da Infanta D. Maria Francisca Isabel Josefa, futura D. Maria I (1734-1816), a meio corpo, de pé, de frente. Apresenta um vestido de seda azul clara bordado a fio de ouro nas mangas e decorado com pedras preciosas (pérolas, rubis e esmeraldas), e castanho na zona do peito, onde é profusamente decorado com linhas de pérolas que se cruzam. Decote acentuado, debruado com folho de renda e cintura vincada. Mangas a três quartos com folhos de renda azul clara. O braço direito é marcado por liga metálica decorada com esmeraldas e rubis. Leque decorado com as mesmas pedras preciosas. A mão esquerda apanha a extremidade do manto azul bordado a fio de ouro. Os cabelos longos são decorados na parte superior por pequenas flores brancas e pérolas e entrelaçado por estas últimas. A mão direita segura um leque fechado e a mão direita segura a orla do manto. Sobre uma mesa de cobertura verde, livro com capa cor-de-laranja. Por trás da infanta, coluna e cortina de veludo vermelha debruada a dourado. Moldura dourada lisa.
Incorporação:
Compra - Adquirido pelo Estado, por proposta da Superintendência Artística dos Palácios Nacionais, no leilão de 1940 do Palácio do 1º Marquês de Pombal, em Oeiras. Nº de ordem 594/1941.
Origem / Historial:
D. Maria I, filha primogénita de D. José e de D. Mariana Vitória, nasceu em Lisboa, a 17 de Dezembro de 1734. Como futura rainha recebeu uma esmerada educação, a que não foi alheia uma grande religiosidade que a irá marcar enquanto governante; revelará também uma grande inclinação para a música e pintura. A 6 de Julho de 1760, casa com o tio D. Pedro, por quem nutria uma grande afeição e, em Fevereiro de 1777, sobe ao trono após a morte de seu pai D. José, apesar das tentativas de Pombal que tentará ainda afastá-la da sucessão ao trono que passaria directamente para o Príncipe D. José, que melhor serviria os seus ideais políticos. Durante o seu reinado, D. Maria viveu sempre rodeada pelos confessores (o Arcebispo de Tessalónica e o Bispo do Algarve), tendo fundado instituições de interesse público, como as Academias Reais do Comércio e da Marinha em 1778, a Real Academia das Ciências em 1779, as Aulas Régias de Desenho de Lisboa e Porto. Devem-se-lhe também a fundação da Lotaria, aquando da reforma da Misericórdia, a inauguração da Iluminação Pública de Lisboa em 1780, a Casa Pia de Lisboa em 1782, e a Real Biblioteca Pública de Lisboa em 1785. Morre no Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1816, em estado de completa demência. Os números de inventário, PNQ 959, PNQ 961 e PNQ 962, correspondem aos retratos das filhas de D. José I e de D. Mariana Victória de Bourbon. Desconhece-se o actual paradeiro do retrato da infanta mais nova, D. Francisca Benedita. A grande afinidade iconográfica entre uma série de que esta pintura faz parte e uma outra, sua contemporânea, representando as mesmas infantas do Palácio de Aranjuez, levam-nos a datar este quadro de cerca de 1753. Com efeito, a série espanhola, assinada por Vieira de Matos, dito «O Lusitano», apresenta essa data, tratando-se possivelmente de uma oferta feita pela Rainha D. Mariana Victória a sua mãe Isabel Farnesio. Francisco Vieira de Matos, mais conhecido por Vieira Lusitano, foi um grande pintor do século XVIII, considerado o mais ilustre da centúria, discípulo em Roma de Benedeto Lutti e de Francesco Trevisani. Seguiu para a Cidade Eterna em 1712, na companhia do nosso embaixador, Marquês de Fontes, que o protegia e lá se conservou até 1719, entregue ao estudo e ao convívio dos mestres. Já antes de deixar a pátria desenhara algumas composições religiosas, como: «Oração no Horto», «S. Pedro chorando a culpa», «Madalena penitente», «S. Tiago a cavalo perseguindo os Agarenos». Após o seu regresso, entrou para a Irmandade de S. Lucas e fez, por encomenda de D. João V, o painel «Santíssimo Sacramento» para servir na procissão do Corpo de Deus e outros para a Patriarcal, que não acabou. Datam desta ocasião os dois lindos painéis «Visão de Santo António» e «Santo António pregando aos peixes (Igreja de S. Roque, Lisboa), os melhores do templo, de estilo menos acabado, mas muito mais livre, espontâneo e atraente do que os da sua época de oiro. O primeiro deles foi muito louvado por Pedro Alexandrino, pela distribuição das luzes e pelo nú de Lúcifer. Vieira Lusitano - assim passou a assinar depois da sua estadia em Roma - apaixonara-se muito cedo por uma jovem fidalga, D. Inês, com quem casara em segredo e que fora obrigada pela família, apesar dos seus protestos, a professar em clausura. Para suplicar a sua saída do convento e tornar efctivo o enlace de ambos, Vieira Lusitano partiu de novo para Roma em 1721 ou 1722 e lá se conservou até 1728, distinguindo-se por seu talento entre os pintores romanos de então e sendo eleito académico de mérito da Academia de S. Lucas. Executou para esta época vários quadros que ficaram na cidade papal e bem assim algumas obras de monta, como nove composições para ilustrarem o livro de Liborio Caglieri, «Compendio delle Vite de Santi Orefici ed Argentieri», gravadas por Carlo Gregori (na obra, impressa em Roma em 1727, se diz que algumas ilustrações são «del bravo artista portoghese Francisco Vieira») ou como parte das estampas dum «Canon Missae Pontificalis» impresso em Roma em 1743, que figura entre os livros litúrgicos da famosa capela de S. João Baptista, da Igreja de S. Roque, em Lisboa. De volta à terra natal, em 1728, conseguiu enfim tirar sua mulher do convento onde se encontrava sequestrada havia anos e donde só logrou sair disfarçada de homem, mas a sua felicidade durou pouco, pois no ano seguinte, foi alvejado a tiro e gravemente ferido por um irmão de D. Inês, que teve de se exilar. Brilhou então na água-forte e excutou grandes painéis, como «Os eremitas» para o cruzeiro da Igreja dos Paulistas (1730 ou 1731, onde esteve recolhido para se precaver contra novos perigos, e pinturas para o Mosteiro de Mafra. Desgostoso com a pouca atenção que, em seu entender, lhe davam ou com as honrarias dispensadas aos seus rivais, Quillard e Inácio de Oliveira Bernardes, empreendeu, em 1733, nova viagem a Roma, detendo-se em Sevilha, onde se encontrava a corte de Filipe V e onde alcançou grandes êxitos. Ali recebeu convite de D. João V para substituir como pintor régio o jovem e brilhante Quillard, havia pouco falecido; receberia 600$00 réis mensais, com as obras pagas. Abriu-se-lhe então uma carreira de triunfos, executando importantes pinturas para a Patriarcal («Os Apóstolos», «Ecce Homo», «Senhor preso à coluna», «Cristo a caminho do Cálvário», «Crucificado»), o tecto da Igreja dos Mártires com a famosa composição «Tomada de Lisboa aos Mouros», paga pela avultada quantia de 1.000$000 réis e depois destruída pelo Terramoto, e painéis religiosos para o Convento de Mafra, onde residiu até 1774. Muitas das suas principais obras perderam-se no cataclismo de 1755, como o já citado tecto dos Mártires, retratos da Família Real, o retrato do 1º Patriarca de Lisboa, a composição mitológica «Perseu» para o Palácio do Conde das Galveias. Ouras obras suas ficaram no estrangeiro, como: «Santo António» (1762) para o Conde de Lippe, que o levou para a Alemanha; a «Adoração dos Magos», adquirida por alto preço e levada para a Grã-Bretanha pelo inglês William Hudson e da qual o Cardeal Saraiva possuía o desenho preparatório ou esboceto, e muitas mais que ficaram em Roma. Em 1755, a morte da mulher amada, embora encarnecida, foi para ele um rude golpe, que, para sempre, lhe quebrou o gosto pela vida. Em 1780, ainda aceitou o lugar de director da Academia do Nu, criada por Cirilo. No mesmo ano, deu à estampa o seu poema autobiográfico «Insigne pintor e leal amante», frouxo como obra literária, mas valioso cono repositório de informações sobre a sua vida e a sua carreira e sobre os artistas do seu tempo. Constituiu ele última homenagem à saudosa companheira de mais de meio século e também a sua despedida do Mundo, que dixaria dentro de três anos. Vieira Lusitano foi um pintor de admirável sentido plástico e de técnica poderosa, cujas obras estão embebidas de italianismo. Em Itália fez a aprendizagem artística e formou a personalidade e, embora profundamente português pelo sentimento lírico transbordante, ficou sempre tributário, quanto à composição, forma e cor, da arte transalpina, que o havia deslumbrado. Em suas imagens barrocas, por vezes plenas de agitação e movimento e também de dignidade e força, e admiráveis de claro-escuro, não há talvez profunda originalidade, mas palpita uma tal pujança de imaginação figurativa e um tão largo e empolgante decorativismo, que nos sentimos conquistados. Outras obras em: Museu Nacional de Arte Antiga («Santo Agostinho calcando os pés a Heresia», obra famosa «A Virgem com o menino e Santos» e álbum de desenhos a sanguínea); Igreja dos Paulistas, capela-mor («Multiplicação dos pães» e «Sermão da montanha»); Igreja de S. Francisco de Paula («Nossa Senhora da Conceição», «S. Francisco de Paula», «Sagrada Família» e «Santo António», este datado de 1763); Igreja do Menino Deus (o grande painel «S. Francisco despojado dos hábitos seculares»); Palácio Palmela, Lisboa («Cristo na Cruz» e «Santo António pregando aos peixes»); Igreja da Graça (quadros); Casa de Pavolide («Santo António», «S. Pedro», «S. Paulo», «Sagrada Família» e «Santa Bárbara», feitos de 1736 a 1740, segundo diz Cirilo); Mosteiro de Mafra («Sagrada Família», primeiramente rejeitada); antiga Col. Conde de Assumar («Sacra Família»); Col. Herdeiros Brás Toscano de Melo («Santo António»); Palácio Fronteira, Benfica (sanguíneas); Quinta do Bonjardim, Belas (sanguíneas), Igreja de Santo Antão, Évora («Santo Agostinho»); Museu Regional de Évora (numerosos desenhos); Col. D. Maria Helena Brito de Almeida (miniatura sobre cobre «Nossa Senhora da Conceição», assinada); Casa-Museu Dr. António Anastácio; etc.
 
     
     
   
     
     
     
 
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