MatrizNet

 
Logo MatrizNet Contactos  separador  Ajuda  separador  Links  separador  Mapa do Site
 
quarta-feira, 26 de junho de 2019    APRESENTAÇÃO    PESQUISA ORIENTADA    PESQUISA AVANÇADA    EXPOSIÇÕES ONLINE    NORMAS DE INVENTÁRIO 

Animação Imagens

Get Adobe Flash player

 


 
     
     
 
FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Palácio Nacional de Queluz
N.º de Inventário:
PNQ 961
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Retrato da Infanta D. Maria Ana Francisca Josefa
Autor:
Vieira de Matos, Francisco (1699, Lisboa-1783, Lisboa)
Local de Execução:
Portugal.
Datação:
1753 d.C.
Matéria:
Óleo
Suporte:
Tela
Técnica:
Óleo sobre tela
Dimensões (cm):
altura: 148; largura: 104;
Descrição:
Retrato da Infanta D. Maria Ana Josefa de Bragança (1736-1813), a meio crpo, de pé, de frente. Apresenta um vestido de verde e azul na zona do peito, com decote partindo dos ombros com folho de renda. A zona do peito é rica e totalmente decorada com esmeraldas (redondas, ovais e em forma de pingo) e fiadas de pérolas. A cintura é vincada e as mangas terminam nos cotovelos com folhos de renda com flores. No ombro direito, fíbula de esmeraldas descrevendo flor. Sobre o vestido, manto vermelho bordado a dourado com motivos florais. No cabelo, gancho decorado com pedras preciosas descrevendo flor, e laço de seda azul. À frente da infanta, no lado esquerdo, piano dourado entalhado com livro de pautas musicais. Ao fundo, no mesmo lado, reposteiro dourado, e no lado contrário, colunas de mármore. Moldura dourada lisa.
Incorporação:
Compra - Adquirido pelo Estado, por proposta da Superintendência Artística dos Palácios Nacionais, no leilão de 1940 do Palácio do 1º Marquês de Pombal, em Oeiras. Nº de ordem 593/1941.
Origem / Historial:
Segunda filha de D. José I e de D. Mariana Victória, a Infanta D. Maria Ana Josefa de Bragança nasceu em Lisboa a 7 de Outubro de 1736 e morreu no Rio de Janeiro a 16 de Maio de 1813, para onde partira com o resto da Família Real face às Invasões Francesas. À semelhança das suas irmãs, entre as quais se contava a futura D. Maria I, foi considerada uma «princesa artista», tendo por mestres de pintura e desenho Domingos Rosa, seu filho José da Rosa e Domingos António Sequeira. Dedicou-se também à música. À semelhança das suas irmãs, entre as quais se contava a futura D. Maria I, foi considerada uma «princesa artista», tendo por mestres de pintura e desenho Domingos Rosa, seu filho José da Rosa e Domingos António Sequeira. Dedicou-se também à música. A grande afinidade iconográfica entre uma série de que esta pintura faz parte e uma outra, sua contemporânea, representando as mesmas infantas do Palácio de Aranjuez, levam-nos a datar este quadro de cerca de 1753. Com efeito, a série espanhola, assinada por Vieira de Matos, dito «O Lusitano», apresenta essa data, tratando-se possivelmente de uma oferta feita pela Rainha D. Mariana Victória a sua mãe Isabel Farnesio Existe nos Aposentos D. Maria Francisca Benedita (PNQ 968/2) do Palácio Nacional de Queluz, um outro retrato da infanta. Francisco Vieira de Matos, mais conhecido por Vieira Lusiatano, foi um grande pintor do século XVIII, considerado o mais ilustre da centúria, discípulo em Roma de Benedeto Lutti e de Francesco Trevisani. Seguiu para a Cidade Eterna em 1712, na companhia do nosso embaixador, Marquês de Fontes, que o protegia e lá se conservou até 1719, entregue ao estudo e ao convívio dos mestres. Já antes de deixar a pátria desenhara algumas composições religiosas, como: «Oração no Horto», «S. Pedro chorando a culpa», «Madalena penitente», «S. Tiago a cavalo perseguindo os Agarenos». Após o seu regresso, entrou para a Irmandade de S. Lucas e fez, por encomenda de D. João V, o painel «Santíssimo Sacramento» para servir na procissão do Corpo de Deus e outros para a Patriarcal, que não acabou. Datam desta ocasião os dois lindos painéis «Visão de Santo António» e «Santo António pregando aos peixes (Igreja de S. Roque, Lisboa), os melhores do templo, de estilo menos acabado, mas muito mais livre, espontâneo e atraente do que os da sua época de oiro. O primeiro deles foi muito louvado por Pedro Alexandrino, pela distribuição das luzes e pelo nú de Lúcifer. Vieira Lusitano - assim passou a assinar depois da sua estadia em Roma - apaixonara-se muito cedo por uma jovem fidalga, D. Inês, com quem casara em segredo e que fora obrigada pela família, apesar dos seus protestos, a professar em clausura. Para suplicar a sua saída do convento e tornar efctivo o enlace de ambos, Vieira Lusitano partiu de novo para Roma em 1721 ou 1722 e lá se conservou até 1728, distinguindo-se por seu talento entre os pintores romanos de então e sendo eleito académico de mérito da Academia de S. Lucas. Executou para esta época vários quadros que ficaram na cidade papal e bem assim algumas obras de monta, como nove composições para ilustrarem o livro de Liborio Caglieri, «Compendio delle Vite de Santi Orefici ed Argentieri», gravadas por Carlo Gregori (na obra, impressa em Roma em 1727, se diz que algumas ilustrações são «del bravo artista portoghese Francisco Vieira») ou como parte das estampas dum «Canon Missae Pontificalis» impresso em Roma em 1743, que figura entre os livros litúrgicos da famosa capela de S. João Baptista, da Igreja de S. Roque, em Lisboa. De volta à terra natal, em 1728, conseguiu enfim tirar sua mulher do convento onde se encontrava sequestrada havia anos e donde só logrou sair disfarçada de homem, mas a sua felicidade durou pouco, pois no ano seguinte, foi alvejado a tiro e gravemente ferido por um irmão de D. Inês, que teve de se exilar . Brilhou então na água-forte e excutou grandes painéis, como «Os eremitas» para o cruzeiro da Igreja dos Paulistas (1730 ou 1731, onde esteve recolhido para se precaver contra novos perigos, e executou pinturas para o Mosteiro de Mafra. Desgostoso com a pouca atenção que, em seu entender, lhe davam ou com as honrarias dispensadas aos seus rivais, Quillard e Inácio de Oliveira Bernardes, empreendeu, em 1733, nova viagem a Roma, detendo-se em Sevilha, onde se encontrava a corte de Filipe V e onde alcançou grandes êxitos. Ali recebeu convite de D. João V para substituir como pintor régio o jovem e brilhante Quillard, havia pouco falecido; receberia 600$00 réis mensais, com as obras pagas. Abriu-se-lhe então uma carreira de triunfos, executando importantes pinturas para a Patriarcal («Os Apóstolos», «Ecce Homo», «Senhor preso à coluna», «Cristo a caminho do Cálvário», «Crucificado»), o tecto da Igreja dos Mártires com a famosa composição «Tomada de Lisboa aos Mouros», paga pela avultada quantia de 1.000$000 réis e depois destruída pelo Terramoto, e painéis religiosos para o Convento de Mafra, onde residiu até 1774. Muitas das suas principais obras perderam-se no cataclismo de 1755, como o já citado tecto dos Mártires, retratos da Família Real, o retrato do 1º Patriarca de Lisboa, a composição mitológica «Perseu» para o Palácio do Conde das Galveias. Ouras obras suas ficaram no estrangeiro, como: «Santo António» (1762) para o Conde de Lippe, que o levou para a Alemanha; a «Adoração dos Magos», adquirida por alto preço e levada para a Grã-Bretanha pelo inglês William Hudson e da qual o Cardeal Saraiva possuía o desenho preparatório ou esboceto, e muitas mais que ficaram em Roma. Em 1755, a morte da mulher amada, embora encarnecida, foi para ele um rude golpe, que, para sempre, lhe quebrou o gosto pela vida. Em 1780, ainda aceitou o lugar de director da Academia do Nu, criada por Cirilo. No mesmo ano, deu à estampa o seu poema autobiográfico «Insigne pintor e leal amante», frouxo como obra literária, mas valioso cono repositório de informações sobre a sua vida e a sua carreira e sobre os artistas do seu tempo. Constituiu ele última homenagem à saudosa companheira de mais de meio século e também a sua despedida do Mundo, que dixaria dentro de três anos. Vieira Lusitano foi um pintor de admirável sentido plástico e de técnica poderosa, cujas obras estão embebidas de italianismo. Em Itália fez a aprendizagem artística e formou a personalidade , embora fosse profundamente português pelo sentimento lírico transbordante, ficou sempre tributário, quanto à composição, forma e cor, da arte transalpina, que o havia deslumbrado. Em suas imagens barrocas, por vezes plenas de agitação e movimento e também de dignidade e força, e admiráveis de claro-escuro, não há talvez profunda originalidade, mas palpita uma tal pujança de imaginação figurativa e um tão largo e empolgante decorativismo, que nos sentimos conquistados. Outras obras em: Museu Nacional de Arte Antiga («Santo Agostinho calcando os pés a Heresia», obra famosa «A Virgem com o menino e Santos» e álbum de desenhos a sanguínea); Igreja dos Paulistas, capela-mor («Multiplicação dos pães» e «Sermão da montanha»); Igreja de S. Francisco de Paula («Nossa Senhora da Conceição», «S. Francisco de Paula», «Sagrada Família» e «Santo António», este datado de 1763); Igreja do Menino Deus (o grande painel «S. Francisco despojado dos hábitos seculares»); Palácio Palmela, Lisboa («Cristo na Cruz» e «Santo António pregando aos peixes»); Igreja da Graça (quadros); Casa de Pavolide («Santo António», «S. Pedro», «S. Paulo», «Sagrada Família» e «Santa Bárbara», feitos de 1736 a 1740, segundo diz Cirilo); Mosteiro de Mafra («Sagrada Família», primeiramente rejeitada); antiga Col. Conde de Assumar («Sacra Família»); Col. Herdeiros Brás Toscano de Melo («Santo António»); Palácio Fronteira, Benfica (sanguíneas); Quinta do Bonjardim, Belas (sanguíneas), Igreja de Santo Antão, Évora («Santo Agostinho»); Museu Regional de Évora (numerosos desenhos); Col. D. Maria Helena Brito de Almeida (miniatura sobre cobre «Nossa Senhora da Conceição», assinada); Casa-Museu Dr. António Anastácio; entre outros.
 
     
     
   
     
     
     
 
Secretário Geral da Cultura Direção-Geral do Património Cultural Termos e Condições  separador  Ficha Técnica