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segunda-feira, 20 de novembro de 2017    APRESENTAÇÃO    PESQUISA ORIENTADA    PESQUISA AVANÇADA    EXPOSIÇÕES ONLINE    NORMAS DE INVENTÁRIO 

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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Palácio Nacional da Ajuda
N.º de Inventário:
5159
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Ourivesaria
Denominação:
Gomil
Autor:
Desconhecido
Centro de Fabrico:
Portugal
Datação:
1520 d.C. - 1530 d.C.
Matéria:
Prata
Técnica:
Prata fundida, cinzelada, gravada, recortada e dourada
Dimensões (cm):
altura: 45; largura: c.32; diâmetro: 18,5 (base);
Descrição:
Gomil em forma de ânfora alongada com tampa articulada. Decoração renascentista de temas mitológicos e grotescos, organizada em sucessivas faixas, sendo estas intercaladas por lauréis. Grande parte das cenas representadas baseiam-se em gravuras de Marcantoni Raimondi (c. 1480-1534) (vd. Andrade, 1997). Base circular de centro alteado com faixa de motivos vegetalistas gravada. A orla é rematada por laurel e a aresta superior percorrida por faixa rendilhada recortada e vazada. Na parte superior da base representa-se uma batalha marítima entre tritões e seres humanos desnudados que mutuamente se entrelaçam e agarram. Trata-se de um rapto das nereides que são agarradas pelos tritões. Vários homens armados de espadas e arcos com flecha combatem os tritões, sendo um deles mordido por dois animais fantásticos. A temática da água é possivelmente uma alusão ao líquido que esta peça se destinava a conter. O pé alto e de secção cilíndrica apresenta três candelabros/fontes (?) intercalados por folhagens e enrolamentos que rematam em cabeças de golfinho sobre campo puncionado. A esta decoração sobrepoem-se uma faixa de folhas de acanto, formando um anel junto à ligação com o bojo. O bojo piriforme e o colo estrangulado apresentam quatro faixas decorativas cujos motivos são os seguintes: Na primeira faixa, de campo finamente puncionado, representam-se três pares de figuras fantásticas afrontadas, uma figura feminina do lado esquerdo e uma masculina do lado direito. Ambas têm cabeça humana, asas no dorso, patas de animal e caudas vegetais que se prolongam em enrolamentos vegetalistas. Com as patas dianteiras seguram uma reserva onde figuram bustos, sendo dois femininos e um masculino. A segunda faixa, também de campo puncionado, apresenta seis temas da mitologia clássica separados por colunas e que são os seguintes da esquerda para a direita (partindo da curvatura inferior da asa): De um lado do bojo 1) Um homem na forja a fabricar uma asa, acompanhado por Vénus, dois cupidos e outras figuras segurando lanças. 2) Um grupo de soldados romanos e o seu chefe sentado sobre um carro. Aqueles trazem à sua presença uma mulher que poderá simbolizar a cidade de Roma (?). 3) Um homem sentado, trabalhando na forja com martelos, acompanhado pela musa Euterpe (?) tocando um instrumento de cordas e ainda duas mulheres de tronco desnudado. Do outro lado do bojo 4) Este episódio e o seguinte (5), muito embora dividos por uma coluna reproduzem uma única gravura de Marcantonio Raimondi, conhecida por "Homem das duas Trombetas". De acordo com a gravura, representam-se nesta cena seis figuras: um homem e uma mulher nus, segurando uma vara com um balão na extremidade (aqui representados na cena 4), um homem soprando duas trombetas em simultâneo, outro transportando às costas uma pesada pedra e um jovem conversando com um ancião (aqui representados na cena 5). 6) Um chefe romano sentado sobre o seu carro e acompanhado por soldados recebe de uma criança uma salva com moedas (?) sob o olhar atento de uma mulher de braços cruzados. Na treceira faixa representam-se temáticas alusivas ao mundo marinho e simultaneamente ao líquido que a própria peça continha: de um lado é representado Neptuno com o tridente na mão, várias crianças e um homem de arco e aljava. Do outro, são representados sátiros que vêm importunar as ninfas. Uma delas é transportada sobre a cauda de uma figura fantástica. A quarta e última faixa que preenche o colo da peça apresenta o campo puncionado e decoração de grotescos: dois grandes mascarões alados com peito de mulher, hastes e patas dianteiras que se desenvolvem em folhagens. Estes mascarões são encimados por candelabros e estes por sua vez, flanqueados por meninos de corpos desnudados segurando cordas que sustentam reservas com bustos de crianças. O bordo é rematado por um molduramento de folhagens e bagas. A tampa em forma de calote apresenta decoração de candelabros flanqueados por meninos desnudados, mascarões devorados por figuras fantásticas de prolongamentos vegetalistas e querubins. Em redor é rematada por uma faixa rendilhada recortada e vazada semelhante à da base. A parte superior da tampa é rematada por uma plataforma circular lisa com moldura de folhas e pequenas bagas, onde outrora estaria provavelmente aplicado um elemento heráldico. Por cima da dobra da tampa posicionam-se um dragão de asas abertas, do lado interior, e um mascarão ladeado por duas meias figuras e assente num pedestal com dois bustos, do lado exterior. O bico, justaposto ao bojo, apresenta forma de tronco de árvore e é profusamente ornamentado de figuras humanas e fantásticas cujos corpos trepam pelo tronco. Na curvatura inferior destaca-se uma figura híbrida com cabeça feminina, tronco de mulher desmesuradamente largo, patas trífidas de dragão e um mascarão sobre o ventre. Segura com ambas as mãos as patas de um centauro que voltado para o tronco se agarra a ele de mãos e braços erguidos. Mais acima, um homem de corpo desnudado trepa pela curvatura do bico, amparando com ambas as mãos uma peça em forma de escudo que outrora suportaria o elemento heráldico com as armas do proprietário. Na parte superior do bico encontra-se sentada uma criança que auxilia a personagem anterior a suportar o escudo, amparando-lhe os braços. Por entre estas figuras, o bico é ainda ornamentado com folhagens, uma cabeça de animal fantástico e dois mascarões. A asa, em forma de "S" representa um tronco de alcachofra por onde homens desnudados e meias figuras trepam encavalitados uns nos outros, adaptando a torção dos seus corpos à curvatura da própria asa. A extremidade superior é rematada pela notável figura de um dragão em vulto com o corpo coberto de escamas e folhagem e um mascarão sobre o ventre. Ostenta duas poderosas garras trífidas que assentam sobre o colo da peça e duas asas abertas que tocam o bordo do gomil. O terminal inferior da asa apresenta quatro cabeças humanas dispostas simetricamente e uma pequena calote de folhagem rematada por botão.
Incorporação:
Transferência - Casa Real
Origem / Historial:
Esta excepcional peça de ourivesaria de aparato pertenceu ao Tesouro de D. João III (1502-1557), encontrando-se descrita com algum pormenor no Inventário da casa deste monarca, redigido em Évora, em 1534. O referido inventário permite identificar o seu anterior proprietário: D. Diogo, Barão de Alvito, membro do Conselho do falecido rei D. Manuel já que, por ocasião do referido inventário, o gomil ostentava as suas armas. Entre variadíssimas outras peças de extraordinária riqueza, o gomil é descrito da seguinte forma: "It. outro agomill de prata todo dourado, que diz que foy do Barã, llavrado de bastiaes, com estes synaes: no pee do bico huua molher com hua cara de home amtre as pernas e pellos hombros escamchadas as pernas de huu sagitaryo, e na ponta do bico dous meninos hu debaxo do outro, e hu escudo com as armas do dito Baram, e por pinhã hua jarra com quatro bichas, e no pee huua coroneta; pesa dezasete marcos, duas onças, tres oitavas, com huua caxa de bainheiro e seu saco de llemço. - 1 peça" (ANTT, Maço 155 da Livraria da Extinta Casa da Coroa, pub. "Inventario da casa de D. João III em 1534. Livro da Receita de todo o movel joyas e peças da Casa del Rey D. João 3º que entregou Bras de Araujo a Manoel Velho, thesoureiro do dito Senhor. Anno de 1534", in Arquivo Histórico Portuguez, vol. VIII, Lisboa, 1910, pp. 265-266). O gomil ter-se-á mantido no Tesouro da Coroa nos séculos seguintes até chegar às mãos d o rei D. Fernando II (1837-1885) que ordenou, se inscrevesse na peça, a sua marca de posse. No último quartel do século XIX, estava entre as obras de arte que decoravam o seu Gabinete de Trabalho no Palácio das Necessidades. Encontrava-se colocado sobre uma mísula como o testemunham duas fotografias datadas de 1886 (vd. bibliografia - Manuel H. Côrte-Real, O Palácio das Necessidades, p. 51; D. Fernando. Rei-Artista, Artista-Rei, pp. 203 e 206). Imediatamente acima do gomil, encontrava-se a salva com a qual o mesmo forma conjunto (salva MF, inv. 5167) suspensa na parede. Mais tarde, em 1903, ambas as peças se encontravam também a decorar o quarto do rei D. Carlos no qual ficou instalado o rei Eduardo VII da Grã-Bretanha por ocasião da sua visita a Portugal (vd. Manuel H. Côrte-Real, O Palácio das Necessidades, p. 135; o Occidente, Revista Ilustrada de Portugal e do Estrangeiro, Lisboa, 10.4.1903, p. 75). Em 1910 decoravam os aposentos do rei D. Manuel II, ocasião em que o referido Gomil foi arrolado sob a verba "1080" (APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional das Necessidades", vol. 1, 1910-1912). Em 1931 foi transferido para o Palácio Nacional da Ajuda. Integra o vasto conjunto de prata de aparato proveniente dos bens da Casa Real portuguesa.
 
     
     
   
     
     
     
 
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