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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AV.479
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Actividades lúdicas
Denominação:
Marioneta
Título:
Duryodana
Local de Execução:
Indonésia, Bali
Datação:
XX d.C.
Matéria:
Pele de animal; madeira; osso (?); chifre de animal; policromia
Dimensões (cm):
altura: 62; largura: 21;
Descrição:
Figura humana masculina em silhueta, feita de pele de animal, suportada ao centro por haste de chifre bovino, prolongada por uma haste de madeira. Os braços e antebraços são articulados e fixos por pregos de madeira ou osso situados nos ombros e cotovelos. Nas mãos estão presas duas hastes de madeira que permitem manipular os membros superiores. Apresenta corpo na cor castanho ou vermelho escuro. Face com olhos dedelingan (olhos circulares) e boca untu asat (dentes lisos). Possui toucado do tipo pepudakan que representa o cabelo, de cor preta, contido no topo da cabeça e decorado com coroa azul e ornamentos amarelos que formam uma extremidade pontiaguda posterior, profusamente recortada. Decorada com motivo vermelho que representa face de animal com olhos, nariz e bico ou boca, aberta. Peito descoberto e decorado com faixas amarelas. Braços, pulsos e tornozelos decorados com pulseiras amarelas. Apresenta traje de casta satryia (nobreza) do tipo bulat biasa mecingcingan, que representa veste azul com margens vermelhas, enrolada nas pernas, com cauda arredondada e duas pontas onduladas atrás. O traje apresenta decoração de motivos circulares amarelos com pontos vermelhos ao centro. À cintura apresenta pequeno motivo amarelo semelhante à face de um animal com olhos, bico ou boca. Mãos em posição semelhante a saro-mudra (indicador dobrado e unido ao polegar). Na haste apresenta etiqueta verde com o número 55.
Incorporação:
Compra - Anterior proprietário: desconhecido
Proveniência:
Indonésia, ilha de Bali, Krobokan
Origem / Historial:
Representa o príncipe mais velho dos irmãos Korawa, filho de Dastarastra e rei de Hastina, no repertório Mahabharata. É considerado o líder dos irmãos Korawa, primos e inimigos dos Pandawa, na luta pelo trono de Hastina. Na batalha de Bharatayuddha é derrotado pelo Pandawa Bima ao atingi-lo na anca, contrariando os pedidos de Kresna. Tal como outras personagens principais, é caracterizado com alguma ambiguidade, sendo por vezes retratado como calculista e desonesto mas também como um príncipe movido pela fidelidade ao seu reino e aos seus irmãos. Essa fidelidade é representada na ambição de herdar o trono. Objecto pertencente à colecção de 162 marionetas de teatro Wayang Kulit recolhida por Victor Bandeira na ilha de Bali, na Indonésia, em 1970. Pertence ao conjunto de 74 marionetas e 2 percurtores musicais recolhidos na aldeia de Krobokan, na fronteira entre os distritos de Badung e Tabanan. O conjunto restante de 86 marionetas foram recolhidas na aldeia de Munggu, no distrito de Badung. O teatro de marionetas de pele Wayang Kulit é composto por perfomances de caractér lúdico e ritual, sendo geralmente dividido em dois tipos não excluvisos: Wayang Lemah (performances diurnas de carácter ritual) e Wayang Peteng (performances nocturnas de carácter lúdico). O Wayang Kuilt balinês é composto pelo marionetista (dalang), os seus assistentes e uma orquestra de quatro músicos que produzem o acompanhamento musical e ritmos das personagens e histórias. Nesta colecção as narrativas mais representadas são as epopeias hindus Mahabharata e Ramayana, e a narrativa de origem popular balinesa, Calonarang. É provável que o conjunto recolhido em Munggu teatralizasse também o Wayang Kulit Sapu Leger, uma vez que existem as marionetas necessárias para esta performance (AV.557 Betara Sang Hyang Widi ou Tunggal; AV. 565 Tualèn; AV. 532 Kayonan ou Gunung; AV. 579 Bhatara Siwa). Esta performance é realizada para exorcizar as crianças nascidas na semana wayang (wuku wayang) e protegê-las do demónio Bharata Kala. Realiza-se durante a noite, na casa da família da criança. Os pés das marionetas referidas são introduzidas em água, que se torna pura e cantam-se versos. A mesma água é em seguida lançada sobre a criança. Nas várias performances a maioria das personagens interage em Kawi (antiga língua javanesa) e apenas as personagens chamadas de servos-palhaços (Dèlem ou Melem, Merdah, Sangut e Tualèn) falam o dialecto local da aldeia onde a performance está a ser realizada. Repetem para o público as partes mais importantes do que as personagens falaram entre si, introduzindo comentários cómicos que divertem a assistência. Em traços gerais a narrativa Mahabharata relata os vários episódios relacionados com a rivalidade entre os irmãos Pandawa e os seus primos Korawa, que lutam pelo direito ao trono do reino de Hastinapura. Um dos episódios mais teatralizados é a grande batalha, Bharatayuddha, na qual muitas das personagens interagem, dando origem a diferentes tipos de acções narrativas, como cenas de batalha com traições, combates e mortes ou o discurso inicial da batalha, feito pela personagem Kresna, sobre o objectivo final de uma guerra e os deveres dos verdadeiros guerreiros. A narrativa Ramayana relata episódios da vida do deus Rama, sendo um dos mais populares o rapto de sua mulher Sita pelo demónio e rei Ravana. Para recuperá-la, Rama alia-se ao exército de macacos do Rei Sugriva, contando também com a ajuda do macaco Anoman, personagem dotada de poderes sobrenaturais. A narrativa Calonarang tem origem na Indonésia e é indicada como semi-histórica ou lendária. Em Bali a versão mais conhecida foi traduzida do antigo Kawi e conta a história de Rangda, uma bruxa que amaldiçoa o reino de Daha com várias epidemias e secas, vingando-se do facto da sua filha Ratna ser recusada por vários homens nobres da corte do rei Airlangga. Rangda e as suas pupilas dançam no cemitério com a protecção e o poder da deusa Durga. O rei pede ajuda ao sábio Mpu Bharada que casa o seu jovem assistente Brapula com a filha de Rangda. Após a lua-de-mel, Brapula decobre que a forma de derrotar Rangda é ler de trás para a frente um pequeno livro de magia. Ao fazê-lo Mpu Bharada ressuscita todas as vítimas de Rangda e mata a bruxa. O Wayang Calonarang (Wayang Kulit da narrativa de Rangda) é realizado especialmente como teste às capacidades do dalang, nomeadamente, os seus conhecimentos teóricos na arte de Wayang Kulit, os seus podereres de improviso e a sua coragem para apaziguar o poder maléfico de Durga.
 
     
     
   
     
     
     
 
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