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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu de Lamego
N.º de Inventário:
16
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Visitação
Autor:
Fernandes, Vasco (Viseu 1475-1480 - Tomar 1542)
Local de Execução:
Lamego
Centro de Fabrico:
Lamego
Oficina / Fabricante:
Viseu
Datação:
1506 d.C. - 1511 d.C. - Renascimento
Matéria:
Óleo
Suporte:
Madeira de castanho
Dimensões (cm):
altura: 177; largura: 93;
Descrição:
Representação do encontro bíblico de Nossa Senhora e Santa Isabel, sua prima. As figuras bem estruturadas e envoltas em largos panejamentos dominam o primeiro plano desta cena que se prolonga por uma magnífica paisagem de fundo. Para além da paisagem dominada por arquiteturas de rigorosas geometrias à maneira nórdica e transcrita numa técnica miniaturista notável que permite também um aprofundamento progressivo do espaço, assinala-se um volume, à esquerda, que figura como uma paisagem suspensa formada por frondosa vegetação. Um viandante (S. José?) puxa um burrito. Duas figuras femininas, estrategicamente colocadas por trás da Virgem, são uma alusão provável às suas virtudes: Formosura da Castidade, na figura ricamente vestida que segura um cesto com frutos, e a Humildade, na outra. Dois anjos, agitando-se no céu, encimam a composição. O colorido suave e transparente desta fase inicial, profundamente diverso das cores mais densas e sombrias das últimas obras, acompanha a sensibilidade peculiar de Vasco Fernandes à contenção e elegância das figuras e ao sentido decorativo e sensível do cenário. Não são identificáveis erros de desenho e de perspetiva. Pelo contrário, as figuras equilibram-se com sentido realista e idealizado, num espaço construído sem qualquer hesitação. O olhar atento ao pormenor minucioso bem depurado, à figuração mais subtil, é um valor essencial no universo de Vasco, que se revela nesta obra um excelente paisagista. O viandante e os dois anjos são os únicos elementos figurativos da paisagem que conferem à cena um valor poético ou expressão religiosa. A figura feminina que representara a alusão à castidade da Virgem é semelhante à figura do painel "Apresentação no Templo" do retábulo de Viseu. (Descrição baseada em vários textos de Dalila Rodrigues, indicados na bibliografia.)
Incorporação:
Transferência - Capela-mor da Sé (até ao século XVII); Sala do Capítulo, (até 1912).
Origem / Historial:
* Forma de Protecção: classificação; Nível de Classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006, 18/07/2006* Segundo documento encontrado por Vergílio Correia nos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, este painel fazia parte de um políptico para a capela-mor da Sé de Lamego, encomendado pelo Bispo de Lamego, D. João de Madureira (1503-1511) ao pintor viseense Vasco Fernandes. O primeiro contrato foi firmado em Lamego a 4 de maio de 1506, ficando o retábulo concluído em 1511. Apesar de restarem apenas cinco painéis de um conjunto inicial de vinte, o segundo contrato (o primeiro mencionava um número menor de painéis), lavrado a 4 de setembro de 1506, estipulava que Vasco Fernandes devia executar um retábulo constituído por um conjunto de vinte painéis pintados, que seria composto por esta ordem: dois painéis maiores ao centro, figurando o de cima Deus Pai com o globo na mão e rodeado de anjos, e o de baixo, a Virgem, sentada, com o Menino ao colo; em três fieiras com três quadros de cada lado, cenas da criação do mundo, da criação de Adão, infância de Jesus, desde a Anunciação ate à Apresentação no Templo. Também da sua reponsabilidade seriam a estrutura arquitetónica em talha bem como os diversos pormenores de acabamento. Forma, dimensões, programa iconográfico, marcenaria, materiais e preço e condições de pagamento foram rigorosamente indicados pelo exigente bispo. O retábulo manteve-se no local para que foi destinado até que obras realizadas no séc. XVIII o fizeram apear e desmembrar. Diz Vergílio Correia que "durante dois séculos o políptico permaneceu armado na capela maior da Sé, até que as obras realizadas no segundo quartel do século XVIII atiraram a maior parte das tábuas desligadas para destinos incertos. Algumas seriam oferecidas a igrejas pobres, outras queimadas por imorais. O século de setecentos não compreendia já as ingenuidades dos primitivos, e a série da Criação de Adão, vista de perto com os seus nus flagrantes deveria indignar ou estoirar de riso o cabido em claustro pleno" (Correia, 1942). "Na verdade, já em 1639 as Constituições Sinodais do Bispado de Lamego, na esteira de toda a legislação congénere posterior ao Concílio de Trento, haviam exigido a "decência" das obras de arte do interior dos templos, ordenando aos visitadores que mandassem destruir ou reformar os espécimes em que tal se não verificasse" (Gonçalves, 1990) Em 1910, encontravam-se os painéis na Sala do Capítulo, mas dos vinte painéis iniciais, apenas cinco viriam a salvar-se. Em 1912, passam para o edificio do antigo Paço Episcopal, sendo incorporados na colecção do Museu de Arte e Arqueologia criado em 1917, atual Museu de Lamego. Segue-se a cronologia apresentada no relatório de tratamento efectuado nos cinco painéis pela empresa Arterestauro, em 2002: "1511- Fica terminado o retábulo"; 1615 - data a que foi sujeito a uma intervenção "que por antigo necessita de reparo"; 1656 - foi pintada a Capela-Mor; Séc. XVIII - o interior da Sé foi reformado; 1881 - quatro dos cinco painéis encontram-se expostos na sala do Capítulo da mesma Sé; 1919 a 1923 - Luciano Freire tratou os cinco painéis (...)" 2002 - A empresa "Arterestauro" procede ao tratamento do conjunto dos painéis, a propósito da exposição em Salamanca: "Grão Vasco. Pintura Portuguesa del Renacimiento".
 
     
     
   
     
     
     
 
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