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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu da Música
N.º de Inventário:
MNM 0043
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Instrumentos musicais
Denominação:
Violoncelo
Autor:
Dinis, Félix Antonio
Local de Execução:
Lisboa - Portugal
Centro de Fabrico:
Portugal (Lisboa)
Datação:
1797 d.C.
Matéria:
Ébano, buxo, acer, cordas de aço
Técnica:
Entalhe e envernizamento
Dimensões (cm):
altura: a. =12,8; a.2 =12,8; largura: l1. =43,5; l2. =33,7; l3. =24; comprimento: 123,5; corpo=75,5; braço =58,4;;
Descrição:
Cordofone com cavalete e braço, friccionado com arco. Tampo harmónico em pinho da flandres de duas metades e fundo em ácer de duas metades. Aberturas sonoras em f, 3 filetes encrostados (1 preto, 1 madeira clara, 1 preto); 4 cordas presas na cavilha do estandarte. Estandarte preso ao botão com corda de aço grossa. Cravelhal simples rematado em voluta, quatro cravelhas em bom estado em buxo; braço e estandarte em ébano. Filetes duplos. O tampo possui algumas fissuras, entretanto já reparadas.
Incorporação:
Legado - Proveniente da Colecção Keil
Origem / Historial:
Os violoncelos de factura portuguesa do acervo do Museu Nacional da Música JOAQUIM JOSÉ GALRÃO Até à data ainda não foi realizado um estudo sistemático sobre a construção de instrumentos de corda friccionada em Portugal nos séculos XVIII e XIX, sendo muito reduzida a informação que temos disponível sobre o assunto. À inexistência dum trabalho nesta área não será alheio o facto do número de instrumentos que chega até nós ser muito pequeno, constando de apenas dez exemplares: dois violinos, uma viola e dois violoncelos na Colecção do Museu Nacional da música, um violoncelo pertencente ao espólio da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, um violino do Conservatório de Música do Porto e outros três em colecções particulares, um deles localizado em Madrid. Apesar de imaginarmos que muitos instrumentos possam estar perdidos e eventualmente terem saído do país, com grande probabilidade das etiquetas terem sido alteradas (prática muito comum no decorrer dos séculos XIX e XX), o mais provável seria que fosse mais habitual a importação de instrumentos. Neste contexto, a colecção de violoncelos que o Museu da Música reúne no seu acervo, a maior de construtores portugueses no período, adquire uma importância acrescida. Dentro da colecção destacam-se os instrumentos de dois construtores, um activo em Lisboa no séc. XVIII, Joaquim José Galrão, e outro activo no Porto no séc. XIX, António Joaquim Sanhudo. Apesar do trabalho de Sanhudo ter sido muito popular, os instrumentos de Galrão mostram um trabalho de manufactura muito mais refinado e de profissional, Joaquim José Galrão é o construtor mais importante do séc. XVIII em Portugal, sendo surpreendente o nível superior da sua técnica no contexto dos construtores seus contemporâneos. Infelizmente são muito poucos os dados biográficos que conseguimos reunir até à data. Francisco de Sousa Viterbo refere no seu “Subsídios para a História da Música em Portugal” (Coimbra, 1932) um outro construtor, Domingos Rodrigues Galrão. O facto deste tipo de ofício ser tradicionalmente continuado no seio familiar e do apelido Galrão ser pouco habitual, faz-nos crer que poderá haver alguma relação entre os dois, mas este seria um assunto que necessitaria de um estudo mais aprofundado de futuro. Sousa Viterbo apoia-se na documentação existente na Torre do Tombo relativa à Casa das Rainhas. Existem duas cartas que dão Domingos Rodrigues Galrão como violeiro ao serviço da Rainha Consorte de D. João V, D. Mariana de Áustria. Uma é relativa à sua contratação a 19 de dezembro de 1726 e a outra, datada de 5 de Julho de 1731, dá conta do construtor que o substituiu após a sua morte. A primeira referência ao nome de Joaquim José Galrão é feita por Ernesto Vieira no seu “Dicionário dos Músicos Portugueses” (Lisboa, 1900). Vieira dá-o como sendo um construtor muito hábil, activo em Lisboa no final do séc. XVIII, início do séc. XIX mas, apesar dos seus instrumentos serem muito procurados e com considerável valor comercial, refere que não conseguiu reunir informação biográfica e que a única informação que pode dar é a contida nas etiquetas dos instrumentos e a que é do conhecimento tradicional, que ainda estaria vivo em 1825. Sabemos agora que este dado é muito provavelmente errado, porque ainda que a data da morte de Galrão não seja certa, ele já estaria morto antes do fim do séc. XVIII. No entanto, fontes posteriores a Vieira, apoiando-se na informação por ele fornecida, vão perpetrar o erro relativo à data da morte do construtor. É o caso de René Vannes no seu “Dictionnaire Universel des Luthiers” (Bruxelas, 1951). Vannes considera mesmo dois Galrões, distinguindo entre Galrão e Galram. Faz uma divisão dos dados biográficos de Vieira entre os dois, acrescentando que os instrumentos tinham um verniz amarelo e uma sonoridade ampla. Também é o caso de Wiliam Henley no seu “Universal Dictionary of Violin and Bow Makers” (Kent,1959/60), sendo que este faz um uso ainda mais confuso da informação dada por Vieira. Não só distingue entre dois construtores (Galrão e Galram) como atribui a um deles o primeiro nome de Ernesto, confundindo o biógrafo com o construtor. Chega mesmo a transcrever o texto duma suposta etiqueta: Ernesto galram Fecit Lisiponae 1825 Henley menciona também as boas violas de 16 polegadas, a madeira dos tampos de fibra ondulada e o uso de verniz amarelo por baixo duma camada fina de verniz vermelho. Mais recentemente, através da tese de Doutoramento de Iskrena Yordanova, ficamos a saber que Joaquim José foi o avaliador dos instrumentos deixados em testamento por Pedro António Avondano, um violino e uma viola. O Museu Nacional da Música possui na sua colecção dois violoncelos de Galrão: MM 40 - 1769 MM46 - 1781 Conhece-se mais um violoncelo que pertence à colecção da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, datado de 1788. Os dois violoncelos do Museu sofreram as mesmas alterações que a vasta maioria dos instrumentos deste período, adaptando-os ao estado final e actual do instrumento. O ângulo do braço foi aumentado através da inserção de um bloco de madeira na junção do braço com o topo do corpo frontal do instrumento. Esta alteração visava atingir uma maior tensão nas cordas do violoncelo e um subsequente aumento do volume sonoro. Outra alteração é a redução do diâmetro do braço do violoncelo, que permite uma maior agilidade na mão esquerda. Estas alterações visavam facilitar a abordagem à crescente exigência técnica que o repertório instrumental sofreu durante o séc. XIX. No violoncelo de 1781, podemos ver inclusivamente a etiqueta do restauro, feito em 1920 por J. M. Silva. O intervalo de 12 anos entre a construção dos dois instrumentos fazem-nos supor que evolução do trabalho de Galrão seguiu a tendência geral que se sentia no resto da Europa, a redução das dimensões do instrumento, o que facilitava, uma vez mais, a velocidade de execução essencial face ao crescente virtuosismo instrumental que se desenvolve exponencialmente durante o século XIX. Não é possível distinguir um estilo específico que nos leve a associar estes instrumentos a uma das escolas de construção europeias, mas há um detalhe comum a estes instrumentos que é pouco habitual: o ângulo formado na reentrância da voluta, na cabeça, é muito pequeno, ao contrário do que acontecia habitualmente. Este pormenor, que aparentemente poderá parecer de pouca relevância, leva-nos a outro violoncelo da colecção do Museu que apresenta a mesma característica, um violoncelo construído em Lisboa em 1750 por Johannes Petrus Hausz, com a seguinte etiqueta. Joannes Petrus Hausz Fecit Original Lisbon Anno 175? Sobre este construtor não há nenhuma notícia, tanto sobre a sua estada em Lisboa como relativamente a possível actividade desenvolvida noutros países europeus. O seu violoncelo, que está nos reservados do Museu e que é agora exposto pela primeira vez, apesar de presentemente não se apresentar nas melhores condições e precisar de uma intervenção de restauro profunda, mostra um domínio apurado de técnicas de construção, distinguindo-o dos restantes instrumentos construídos em Portugal no período, mesmo dos de Galrão. O facto dos instrumentos do Galrão terem, tal como este, o detalhe do ângulo da voluta fechado, e dada a raridade desta característica, faz-nos acreditar que os dois terão estado em contacto, podendo Galrão ter sido discípulo de Hausz, o que explicaria os seus avançados conhecimentos técnicos dentro do contexto dos seus pares em Portugal. O outro violoncelo de construção nacional em exposição, de Felix António Diniz, foi incluído na seleção da mostra porque a sua etiqueta nos fornece dados biográficos importantes de Joaquim José Galrão. Podemos ler na etiqueta Felis Antonio Dinis fes em Caza da Viuva de Galram Anno 1797 Ficamos a saber, através desta etiqueta, que Galrão já tinha morrido em 1797 e que muito provavelmente Diniz terá sido seu discípulo. Inclusivamente encontramos muitas semelhanças entre este violoncelo e o Galrão da colecção do Conservatório Nacional, que podem evidenciar um tipo de prática habitual, a da construção conjunta dentro da mesma oficina, isto é, o mesmo instrumento ser alvo do trabalho de mais do que uma pessoa. Diana Vinagre Violoncelista e investigadora
 
     
     
   
     
     
     
 
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