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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional Soares dos Reis
N.º de Inventário:
115 Pin MNSR
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Mulher da água - Capri
Datação:
1883 d.C.
Suporte:
Tela colada sobre madeira
Técnica:
Óleo
Dimensões (cm):
altura: 70,5; largura: 140,5;
Descrição:
Composição com paisagem arquitectónica e figura. A composição é dominada por duas grandes faixas, uma formando os planos mais aproximados onde se distribuem tufos de vegetação e à direita uma figura feminina transportando uma bilha, a outra quase totalmente preenchida com um pano de muro amarelo ocre por trás do qual se vislumbram uma série de volumes arquitectónicos, diferentes planos de cor em ritmada articulação geométrica. A estrutura do espaço é determinada pelas múltiplas diagonais que atravessam a composição. A figura de rapariga, cujo corpo reclina para trás formando uma curva suave, interrompe essas linhas e contraria a verticalidade imposta pelos volumes do trecho arquitectónico ao fundo. A figura funciona como elemento de ligação através da sucessão dos diferentes planos. A obra é considerada inacabada, alguns dos volumes estão apenas apontados, grande parte da superfície tem a aparência de esboço, com pinceladas escassas e parte da camada preparatória à vista, (razão pela qual a figura parece "flutuar" sobre o fundo). O trecho de casario ao fundo foi mais trabalhado, com excepção da ramada, apenas esboçada. Esta pintura é invulgar no contexto das restantes obras de Pousão, quer pelo formato, quer pela dimensão.
Incorporação:
Outro - Fundo Antigo do Museu. Proveniente da Escola de Belas Artes do Porto (Antiga Academia de Belas Artes do Porto)
Origem / Historial:
Três obras de Pousão foram, em 1883, deixadas pelo artista no Albergue Paradiso onde se alojara em Anacapri. As obras, que foram deixadas à guarda de Nicola Ferace, proprietário do estabelecimento, foram posteriormente recuperadas por diligências do pai e do consul português em Nápoles e entregues à Academia. São elas:"Um pequeno prazer", hoje designada "Rapariga deitada no tronco de uma árvore"Inv. 86/68 Pin MNSR; "Uma descida de Anacapri", hoje designada "Paisagem - Anacapri" (Inv. 432 Pin MNSR); "De volta", hoje designada "Mulher da Água- Capri" Esse percurso está documentado no Arquivo da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto: 25 Abril 1884 – Carta do Pai de Henrique Pousão à Academia Portuense de Belas Artes em que refere a existência de quadros em Anacapri “No Albergo Paradiso em Anacapri estão pendurados segundo ele me disse e quase acabados ou pelo menos muito adiantados os três quadros que deverão formar o envio do 3º ano” (AFBAUP, sem conta). 2 de Maio de 1884 - Uma carta* do juiz de Direito Francisco Augusto Nunes Pousão, pai do falecido artista Pousão [...] lembrando que no albergo Paradiso em Anacapri estão dependurados os esboços de três quadros que o referido artista destinava para a remessa das obras do seu terceiro ano; esboços que talvez se pudessem obter por intervenção do nosso embaixador em Roma ou em Nápoles, por isso que pertencem à Academia. (AFBAUP 106, Conferências Ordinárias, fls. ??) 1 de Julho de 1884 - "No primeiro dia do mês de Julho de mil oitocentos oitenta e quatro se abriu sessão de Conferência ordinária presidida pelo Inspector o Ex.mo Senhor Conde de Samodães, […]. Passou-se a ler a correspondência que constou do seguinte: Um ofício da legação de sua Majestade Fidelíssima em Itália de 4 de Junho dizendo que ia transmitir as instruções necessárias ao Consul de Portugal em Nápoles para tomar posse dos três esboços feitos pelo falecido pensionário do estado Henrique Cesar de Araújo Pousão remetê-los à Academia devidamente acondicionados; outro da mesma legação de 14 do mesmo mês remetendo inclusa copia da carta que o proprietário do Albergo Paradiso em Anacapri dirigiu ao Cônsul de Portugal em Nápoles; dessa carta vê-se que o dito proprietário não sabia do falecimento do mencionado pensionário, pois que diz que o Sr. Pousão lhe havia prometido voltar na próxima estação e lhe havia recomendado muito que não deixasse entrar ninguém no quarto onde havia deixado dependurados os três quadros e principalmente a artistas pintores [...]". (AFBAUP 106, fls. ??) 30 Agosto 1884 – "em conferencia ordinária é lido um oficio do Encarregado da Legação de Portugal em Itália “participando que o Cônsul em Nápoles pudera obter os quadros do falecido Pousão pagando pelo aluguer do quarto (…) e que havia dado instruções aquele zeloso funcionário para remeter directamente a esta Academia os referidos quadros “. (AFBAUP 106, fls. 10 v – 11v). 4 de Março de 1885 - Edital. Pela APBA se faz publicar que em conformidade do respectivo programa estão expostas por oito dias sucessivos todas as provas executadas pelos candidatos ao lugar de pensionário desta A. que fora do país vão estudar escultura. [...] Acham-se também expostos os três esbocetos que o malogrado artista Henrique César de Araújo Pousão deixara em Capri com o fim de se recuperasse a saúde, voltar a ir completá-los e envia-los a esta Academia como provas de aproveitamento no seu terceiro ano de pensionário. (AFBAUP, 212 – Correspondência) Pertence ao Fundo Antigo do Museu: o antigo Museu Portuense, criado em 1833, passa a ser tutelado por uma Comissão de professores da Academia de Belas Artes do Porto, a partir de 1839, e as duas instituições passaram a partilhar o mesmo espaço e tutela. Em 1932 é feita a partilha do acervo existente pelas duas instituições, o Museu Soares dos Reis (antigo Museu Portuense) e Escola de Belas Artes (antiga Academia): dessa divisão foi registada uma “Relação dos objectos existentes no Museu Soares dos Reis pertencentes ao Estado”, datada de 1 de Novembro de 1932 e firmada por João Marques da Silva e por Vasco Valente, respectivamente, director da Escola de Belas Artes e do Museu Soares dos Reis.
 
     
     
   
     
     
     
 
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