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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional Soares dos Reis
N.º de Inventário:
114/ 39 Pin MNSR
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Senhora vestida de preto
Datação:
1882 d.C.
Suporte:
Madeira
Técnica:
Óleo
Dimensões (cm):
altura: 28,3; largura: 18,4;
Descrição:
Figura de mulher representada em corpo inteiro, sentada num cadeirão, parcialmente visível do lado direito, com o corpo ligeiramente inclinado para a frente, voltado para a esquerda e a cabeça para a direita. Esta figura, representada num espaço composto, com simulação de cortina de cenário e cadeirão - num eco de retrato convencional - traja um amplo vestido preto, em evidente contraponto com o fundo de cores vibrantes, e um chapéu da mesma cor onde sobressai o vermelho da plumagem. O vestido preto impõe-se como elemento dominante da composição e é trabalhado em pinceladas que estruturam a forma e dão movimento ao corpo. A luz que vem da direita e ilumina toda a composição acentua os planos do vestido com subtis pinceladas cinzentas. O corpo, ligeiramente inclinado para a frente e voltado para o lado esquerdo, adquire o equilibrio na torção da cabeça e na direcção do olhar para o lado oposto, o lado de onde emana a luz que ilumina o rosto e projecta a sombra para lá da figura. No rosto observa-se a impressão digital do artista, um aspecto particular de processo de trabalho que se observa em algumas das suas obras de pequeno formato. Como em outras obras do pintor, esta traduz bem o entendimento da pintura que caracteriza a sua obra: as formas expressas em grandes massas de cor justapostas, numa dinâmica de claro-escuro e luz-sombra.
Incorporação:
Outro - Fundo Antigo do Museu proveniente da Escola de Belas Artes do Porto (antiga Academia Portuense de Belas Artes).
Origem / Historial:
Pertence ao Fundo Antigo do Museu: o antigo Museu Portuense, criado em 1833, passa a ser tutelado por uma Comissão de professores da Academia de Belas Artes do Porto, a partir de 1839, e as duas instituições passaram a partilhar o mesmo espaço e tutela. Em 1932 é feita a partilha do acervo existente pelas duas instituições, o Museu Soares dos Reis (antigo Museu Portuense) e Escola de Belas Artes (antiga Academia): dessa divisão foi registada uma “Relação dos objectos existentes no Museu Soares dos Reis pertencentes ao Estado”, datada de 1 de Novembro de 1932 e firmada por João Marques da Silva e por Vasco Valente, respectivamente, director da Escola de Belas Artes e do Museu Soares dos Reis. Após a morte de Henrique Pousão, em 25 Março de 1884, o seu pai, o juiz Francisco Augusto Nunes Pousão, a exercer funções em Odemira, reuniu toda a obra do artista que se encontrava dispersa entre familiares e amigos, mandou emoldurar todos os quadros que pode reunir, mais tarde foi transferido para Faro e levou consigo toda a obra que reunira. F. Fernandes Lopes escreve a esse propósito que Nunes Pousão “tinha tudo no seu escritório, cujas paredes estavam assim forradas com quadros do filho. Encontrava-se ali tudo o que fora a sua produção artística em Pintura, excepto naturalmente o que anteriormente enviara para a Academia do Porto ou teria sido vendido a raros particulares, que lhe haveriam feito encomendas, ou ainda de amigos ou pessoas de família a quem fizera ofertas…” V. em Bib. LOPES, Francisco Fernandes [1959], p. 98, 99. Após a morte do Juiz Nunes Pousão, em 2 de Agosto de 1888, em cumprimento da sua vontade, as obras foram entregues, pela viúva, à Academia Portuense de Belas Artes em cujo arquivo se guarda a relação sucinta de obras e objectos então entregues “Relação dos quadros, desenhos e mais objectos que faziam parte do espólio de Henrique Pousão.” AFBAUP. Uma lista mais detalhada seria posteriormente redigida na própria Academia AFBAUP Documento avulso, sem cota, e Correspondência para o Governo, 1837-1911 [130, 21 Set. 1889, fla. 50 v]. *Forma de Protecção: classificação; Nível de classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjunto de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto n.º 19/2006; 18/07/2006*
 
     
     
   
     
     
     
 
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