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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional Soares dos Reis
N.º de Inventário:
123 Pin MNSR
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Rapariga romana
Datação:
1882 d.C. - 1883 d.C.
Suporte:
Tela
Técnica:
Óleo
Dimensões (cm):
altura: 28,7; largura: 23;
Descrição:
Figura de menina vestindo um traje típico dos arredores de Roma, caracterizado por uma espécie de toucado branco dobrado no cimo da cabeça, lenço estampado sobre os ombros, blusa branca com as mangas cingidas no antebraço e corpete justo. A figura, embora em posição frontal, não olha o observador, o que lhe confere uma expressão ausente, como que perdida em pensamentos. No rosto a pincelada lisa e contida distribui uns parcos pontos de luz sobre o nariz e a face, que os olhos negros e grandes não reflectem. A mesma pincelada contida mantém-se na marcação do cabelo negro caindo em desalinho sobre a testa, mas torna-se espessa e larga, organizada numa particular geometria, muito comum no tratamento dos brancos na obra de Pousão. Sob o ângulo luminoso deste toucado uma sombra subtil onde parece jogar-se quase em exclusivo a profundidade de toda a composição, evidenciada pelo pormenor da mancha vermelha alinhada pelo eixo do rosto. A pincelada torna-se definitivamente empastada mas larga e solta na modelação das pregas e no estampado do lenço cruzado sobre o peito bem como na manga esquerda. A figura foi representada sobre um fundo onde se articulam castanhos, cinzas e ocres, numa camada tão fina e diluída que é possível em vários pontos entrever-se o suporte. A tela foi cortada na margem esquerda, deixando a assinatura e data incompletas.
Incorporação:
Outro - Fundo Antigo do Museu. Proveniente da Escola de Belas Artes do Porto (antiga Academia de Belas Artes do Porto)
Origem / Historial:
Pertence ao Fundo Antigo do Museu: o antigo Museu Portuense, criado em 1833, passa a ser tutelado por uma Comissão de professores da Academia de Belas Artes do Porto, a partir de 1839, e as duas instituições passaram a partilhar o mesmo espaço e tutela. Em 1932 é feita a partilha do acervo existente pelas duas instituições, o Museu Soares dos Reis (antigo Museu Portuense) e Escola de Belas Artes (antiga Academia): dessa divisão foi registada uma “Relação dos objectos existentes no Museu Soares dos Reis pertencentes ao Estado”, datada de 1 de Novembro de 1932 e firmada por João Marques da Silva e por Vasco Valente, respectivamente, director da Escola de Belas Artes e do Museu Soares dos Reis. Após a morte de Henrique Pousão, em 25 Março de 1884, o seu pai, o juiz Francisco Augusto Nunes Pousão, a exercer funções em Odemira, reuniu toda a obra do artista que se encontrava dispersa entre familiares e amigos, mandou emoldurar todos os quadros que pode reunir, mais tarde foi transferido para Faro e levou consigo toda a obra que reunira. F. Fernandes Lopes escreve a esse propósito que Nunes Pousão “tinha tudo no seu escritório, cujas paredes estavam assim forradas com quadros do filho. Encontrava-se ali tudo o que fora a sua produção artística em Pintura, excepto naturalmente o que anteriormente enviara para a Academia do Porto ou teria sido vendido a raros particulares, que lhe haveriam feito encomendas, ou ainda de amigos ou pessoas de família a quem fizera ofertas…” V. em Bib. LOPES, Francisco Fernandes [1959], p. 98, 99. Após a morte do Juiz Nunes Pousão, em 2 de Agosto de 1888, em cumprimento da sua vontade, as obras foram entregues, pela viúva, à Academia Portuense de Belas Artes em cujo arquivo se guarda a relação sucinta de obras e objectos então entregues “Relação dos quadros, desenhos e mais objectos que faziam parte do espólio de Henrique Pousão.” AFBAUP. Uma lista mais detalhada seria posteriormente redigida na própria Academia AFBAUP Documento avulso, sem cota, e Correspondência para o Governo, 1837-1911 [130, 21 Set. 1889, fla. 50 v].
 
     
     
   
     
     
     
 
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