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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional Soares dos Reis
N.º de Inventário:
109 Pin MNSR
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Título:
Casa rústica em Campanhã
Datação:
1880 d.C.
Suporte:
Tela
Técnica:
Óleo
Dimensões (cm):
altura: 20,2; largura: 12,8;
Descrição:
Composição com casario rústico que domina todo o espaço de representação, em contraponto com uma estreita nesga de céu azul na parte superior do quadro. Na metade esquerda está representado um alpendre escurecido pela sombra, que se articula com uma escada e contrasta com toda a metade do lado direito da composição, constituida por alçados toscos que a intensa luz do sol faz ressaltar, tratados com pinceladas largas e espessas que se vão sobrepondo em camadas de tonalidades diversas. Outros aspectos da composição são trabalhados com pinceladas mais planas, com uma preocupação de detalhe mais descritivo, como é o caso da cancela que está posicionada no centro da composição, da grade da varanda ou até da sachola posicionada à esquerda. De notar ainda, a forma livre e multidireccional das pinceladas no tratamento do primeiro plano, o chão de um possível quinteiro. Em todo a composição predominam os ocres e os castanhos animados pela acentuação cromática do vermelho da cancela e da grade da varanda. Nesta, como em outras composições futuras, nomeadamente as arquitecturas realizadas em Itália, o pintor faz acentuar os contrastres de luz e sombra, com planos de parede inundados de luz intensa em contraste com os negros das aberturas para o interior da habitação.
Incorporação:
Outro - Fundo Antigo do Museu proveniente da Escola de Belas Artes do Porto (antiga Academia Portuense de Belas Artes).
Origem / Historial:
Pertence ao Fundo Antigo do Museu: o antigo Museu Portuense, criado em 1833, passa a ser tutelado por uma Comissão de professores da Academia de Belas Artes do Porto, a partir de 1839, e as duas instituições passaram a partilhar o mesmo espaço e tutela. Em 1932 é feita a partilha do acervo existente pelas duas instituições, o Museu Soares dos Reis (antigo Museu Portuense) e Escola de Belas Artes (antiga Academia): dessa divisão foi registada uma “Relação dos objectos existentes no Museu Soares dos Reis pertencentes ao Estado”, datada de 1 de Novembro de 1932 e firmada por João Marques da Silva e por Vasco Valente, respectivamente, director da Escola de Belas Artes e do Museu Soares dos Reis. Após a morte de Henrique Pousão, em 25 Março de 1884, o seu pai, o juiz Francisco Augusto Nunes Pousão, a exercer funções em Odemira, reuniu toda a obra do artista que se encontrava dispersa entre familiares e amigos, mandou emoldurar todos os quadros que pode reunir, mais tarde foi transferido para Faro e levou consigo toda a obra que reunira. F. Fernandes Lopes escreve a esse propósito que Nunes Pousão “tinha tudo no seu escritório, cujas paredes estavam assim forradas com quadros do filho. Encontrava-se ali tudo o que fora a sua produção artística em Pintura, excepto naturalmente o que anteriormente enviara para a Academia do Porto ou teria sido vendido a raros particulares, que lhe haveriam feito encomendas, ou ainda de amigos ou pessoas de família a quem fizera ofertas…” V. em Bib. LOPES, Francisco Fernandes [1959], p. 98, 99. Após a morte do Juiz Nunes Pousão, em 2 de Agosto de 1888, em cumprimento da sua vontade, as obras foram entregues, pela viúva, à Academia Portuense de Belas Artes em cujo arquivo se guarda a relação sucinta de obras e objectos então entregues “Relação dos quadros, desenhos e mais objectos que faziam parte do espólio de Henrique Pousão.” AFBAUP. Uma lista mais detalhada seria posteriormente redigida na própria Academia AFBAUP Documento avulso, sem cota, e Correspondência para o Governo, 1837-1911 [130, 21 Set. 1889, fla. 50 v].
 
     
     
   
     
     
     
 
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