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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Dr. Joaquim Manso
N.º de Inventário:
68 Pint.
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Título:
Recanto da Nazaré
Datação:
1925 d.C.
Suporte:
Contraplacado (ou tela?)
Técnica:
Óleo
Dimensões (cm):
altura: 30; largura: 40;
Descrição:
A pintura ilustra um recanto urbano da Nazaré, através do pincel da filha do célebre aguarelista Alfredo Roque Gameiro. Além da encosta do Promontório, observa-se o "paredão" (muro) e um conjunto arquitectónico típico, junto da Igreja de Santo António, destacando-se um edifício em tons de verde e outro em tons de rosa escuro. Algumas figuras humanas completam a composição, movimentando-se pela rua ou representando costumes tradicionais como o sentar-se nos "arrebates" (soleiras) da porta. Na metade esquerda da pintura, na praia, distribuem-se paus verticais (paus de barraca? ou para secar roupa?). A pintura encontra-se emoldurada (moldura de madeira, em tons esverdeados, com duplo "passepartout" - um verde e um creme) e com vidro.
Incorporação:
Doação - Oferta da artista, no processo de criação do Museu (cf. Recibo 155)
Origem / Historial:
A particularidade destas pinturas de início do século XX reside no seu aspecto documental, escolhendo vivências ou contextos paisagísticos da Nazaré, entretanto alterados. Mas, ao seu valor temático, alia-se o facto da Nazaré ter constituído motivo de atração para uma vasta comunidade artística, que aqui pôde desenvolver os seus gostos e experimentar técnicas, umas de registo mais naturalista e ingénuo, outras mais críticas ou modernistas. A Família Roque Gameiro veio amiúde à Nazaré e vários membros da família pintaram os seus "recantos", a faina piscatória e cenas da praia. Maria Emília Roque Gameiro, conhecida por Mamia, nasceu na Amadora, numa família ligada à arte. Filha do aguarelista Alfredo Roque Gameiro (Minde, 1864 - Lisboa, 1935), Mamia seguiu as pisadas do pai, tal como os restantes irmãos, embora cada um tenha definido um percurso individual. Estudou com a pintora Mily Possoz (1888-1967) e trabalhou a aguarela, guache e óleo. A Nazaré foi um dos seus temas, comprovando a importância desta vila piscatória como cenário de inspiração para os artistas portugueses e estrangeiros. Em 1919, expôs na Sociedade Nacional de Belas-Artes e, em 1923, realizou a sua primeira exposição individual. Distinguiu-se também como ilustradora de livros infantis e de publicações periódicas. É de realçar o seu trabalho como miniaturista, nomeadamente nas representações de histologia, no IPO, entre 1935 e 1940. Casou com o pintor Jaime Martins Barata (1899-1970), em 1926, também autor de várias aguarelas versando a Nazaré.
 
     
     
   
     
     
     
 
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