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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arte Antiga
N.º de Inventário:
1137 Pint
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Título:
Santo Antão e o Sátiro
Autor:
Mestre dos Arcos
Datação:
1530 d.C. - 1550 d.C.
Matéria:
Óleo
Suporte:
Madeira de carvalho
Técnica:
Pintura a óleo
Dimensões (cm):
altura: 135; largura: 68;
Descrição:
A cena representada reporta-se ao episódio em que Santo Antão, caminhando pela floresta à procura do retiro de São Paulo Eremita, encontra o Sátiro. Segundo o texto da "Lenda Dourada" (Legenda Aurea) de Giacomo de Varazze, escrita cerca de 1264, Santo Antão, sabendo da existência de um eremita no deserto da Tebaida, parte à sua procura, sendo ao longo do caminho abordado por seres híbridos, nomeadamente: «(...) um hipocentauro: esse ser, metade homem, metade cavalo, disse-lhe para virar à direita. Mais tarde, encontrou um animal que trazia frutos de palmeira, e cuja parte superior do corpo se assemelhava a uma cabra. António perguntou-lhe quem ele era e o animal respondeu que era um sátiro, o Deus dos bosques, de acordo com a crença errónea dos gentis. Por fim, encontrou um lobo que o conduziu à cela de São Paulo». Santo Antão, situado no lado esquerdo do quadro, caminha em direcção ao sátiro que lhe estende os frutos mencionados no texto. O encontro tem lugar numa paisagem rochosa coberta por vegetação rasteira e uma palmeira. A paleta é de cores sóbrias, dominando os tons terra, tanto nas vestes de Santo Antão, como no fundo paisagístico.
Incorporação:
Outro - Transferência: Convento de São Bento da Saúde (Lisboa)
Origem / Historial:
"Santo Antão e o Sátiro" forma, juntamente com a "Pregação de São João Baptista", "Santo Antão e São Paulo Eremita", "São Jerónimo" e "Visão de Santo Antão", um conjunto designado por "série dos arcos" devido à arcaria que se rasga sobre um fundo azul e que corre a parte inferior de todas as tábuas. O "Retábulo do Mestre dos Arcos", nome pelo qual também é conhecido, não foi ainda objecto de um estudo aprofundado, com a excepção da contribuição de Luís Reis-Santos que atribuíu a autoria dos quadros a Gregório Lopes, o que, contudo, não deixa de levantar alguns problemas, uma vez que estas pinturas não se enquadram plenamente no estilo do pintor. Este quadro, tal como os restantes quatro painéis que compunham o conjunto da "série dos arcos", provêm do convento de São Bento da Saúde, embora tudo indique que não seriam originários desta instituição beneditina, uma vez que apenas foi construída em 1598, ou seja, numa data posterior à feitura dos quadros.
 
     
     
   
     
     
     
 
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