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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Grão Vasco
N.º de Inventário:
2145
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Pintura
Denominação:
Adoração dos Reis Magos/Políptico da Capela-Mor da Sé de Viseu
Autores:
Vasco Fernandes (c.1475-1542)
Henriques, Francisco (act.1508-1518)
Local de Execução:
Viseu
Datação:
1501 d.C. - 1506 d.C.
Suporte:
Madeira de Carvalho
Técnica:
Pintura a óleo
Dimensões (cm):
altura: 131; largura: 81; espessura: 2,5;
Descrição:
Painel do antigo retábulo da capela-mor da Sé de Viseu (1501-1506). À representação tradicional do tema da Adoração dos Reis Magos, acresce neste painel a presença de um índio brasileiro na figura do rei mago negro, Baltazar. Trata-se, com efeito, da primeira representação do índio na arte ocidental, decorrido que era um ou dois anos do "achamento" do Brasil. Situado no centro da composição, Baltazar ostenta um traje onde se misturam influências europeias tradicionais - a camisa e os calções - com a novidade exótica de um toucado de penas, bem como inúmeros colares de contas coloridas, grossas manilhas de ouro nos pulsos e tornozelos, brincos de coral branco, remate de penas idênticas às do toucado, no decote e na franja do corpete, e uma flecha tupinambá com o seu longo cabo. Segura igualmente uma taça feita de nós de coco montada em prata, o que reforça ainda o seu carácter exótico. A sua inserção num contexto religioso tão importante como é o da Adoração dos Reis Magos pressupõe, fundamentalmente, a ideia da cristianização do continente recém-descoberto, de acordo com as sugestões da carta de Pêro Vaz de Caminha, onde se relata o primitivismo social dos seus habitantes e a sua disponibilidade ética para a mensagem cristã. Saliente-se, ainda, o facto de o Menino segurar na mão esquerda uma moeda de ouro, numa sugestão ao secular desejo de riqueza associada aos Descobrimentos Portugueses. Integrado na segunda fiada do retábulo, este painel denuncia um investimento no realismo minucioso dos pormenores bem ao modo flamengo. Veja-se a textura do brocado ricamente adornado do Rei Mago de joelhos, em primeiro plano, o brilho dos metais, o rigor descritivo da cabana, onde figuram, para além dos animais tradicionais, um vaso de barro e uma vela acesa, ou o tratamento da paisagem arquitectónica do fundo.
Incorporação:
Transferência - Transferência da Sala do Capítulo da Sé de Viseu, ao abrigo do Decreto 2: 284-C de 16 de Março de 1916, que cria o Museu de Grão Vasco.
Origem / Historial:
Forma de Protecção: classificação; Nível de Classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006; 18/07/2006
 
     
     
   
     
     
     
 
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