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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arqueologia
N.º de Inventário:
2014.2.1
Supercategoria:
Arqueologia
Categoria:
Cerâmica
Denominação:
Ânfora Keay 78
Local de Execução:
Olarias romanas do Baixo Sado
Centro de Fabrico:
Vale do Sado
Datação:
III d.C. - V d.C. - Época Romana
Matéria:
Cerâmica
Técnica:
Torno
Dimensões (cm):
largura: 34cm; comprimento: 87cm;
Descrição:
Ânfora do tipo Keay 78 / Sado 1 / Cardoso 91, de perfil completo, apresentando uma abertura intencional que se inicia na zona do colo até à zona média do corpo. Desta forma, a utilização desta ânfora insere-se num contexto funerário, na qual foi inumado um cadáver infantil ou nado morto, como aliás está documentado em outras sepulturas no local (ALMEIDA, 2008). As fotografias da escavação revelam que os fragmentos retirados durante o corte foram colocados sobre esta de forma a tapar perfeitamente. Esta ânfora exclusivamente produzida na província da Lusitânia e de grandes dimensões, é caracterizada pelo seu corpo cilíndrico, largo, e que estreita abruptamente em direcção ao colo, sendo que este é muito curto e estrangulado. O bordo é normalmente oblíquo de perfil amendoado ou almofadado, formando uma moldura curta no exterior, de onde partem sempre as pequenas asas, de perfil achatado, formando genericamente 1/4 de círculo e assentando de imediato no ombro da peça. Outra das características distintivas deste tipo é o seu típico fundo curto e cilíndrico com um ou mais sulcos longitudinais que lhe conferem uma forma peculiar com a extremidade em botão. A pasta é muito alaranjada, com vestígios da passagem de fumo na câmara de cozedura, e de textura média-grossa, com muitos elementos não plásticos algo angulosos. Pela observação macroscópica desta pasta, podemos propôr uma produção Sado-jusante.
Incorporação:
Outro - Mandato legal. Escavações do Director do MNA, Manuel Heleno.
Proveniência:
Necrópole da Caldeira, Tróia
Origem / Historial:
Esta ânfora foi recolhida na sequência de escavações arqueológicas dirigidas por Manuel Heleno na necrópole da Caldeira, Tróia, constituindo o sarcófago da inumação infantil da sepultura 89. Esta sepultura foi escavada em Agosto de 1955 segundo a descrição da página 3 do caderno de campo nº4 de Manuel Heleno: "(...)nº89 – Ânfora com a tampa / cortada, perfeita.(...)". Tróia As ruinas de Tróia são conhecidas desde o século XVI, época em que Gaspar Barreiros e André de Resende as indicam, erradamente, como sendo as da cidade romana de Cetóbriga (actual Setúbal). Ignora-se o nome antigo deste lugar. André de Resende escritor quinhetista, humanista e, como lhe chamou Leite de Vasconcelos "o pai da arqueologia portuguesa" ali realizou pesquisas. A designação "Tróia" encontra-se registada em documentos datados do século XVI. Ao longo dos séculos XVII e XVIII são levadas estátuas, colunas, inscrições e outros vestígios desta estação. No séc. XVIII, organizada pela Infanta D. Maria, futura D. Maria I, realiza-se importante escavação. No século XIX, com o intuito de escavar Tróia, surge em Setúbal a primeira sociedade arqueológica do país, a "Sociedade Arqueológica Lusitana". Desenvolve trabalhos entre 1850 e 1856. Cresce, e atrai, gradualmente, novos membros. Entre as figuras convidadas pela "Sociedade" a visitarem Tróia, encontram-se o Duque de Palmela e o próprio D. Fernando II, mais tarde seu protector. Nos finais do século XIX, inícios do século XX, são publicados os primeiros estudos sobre as ruínas de Tróia. Destacam-se os trabalhos de José Leite de Vasconcelos e Inácio Marques da Costa. As primeiras escavações arqueológicas metódicas iníciam-se 1947 e 1948 dirigidas por Manuel Heleno, professor na Faculdade de Letras de Lisboa e 2º director do Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos até 1967 (hoje, Museu Nacional de Arqueologia). Colaboram nestas escavações Fernando Bandeira Ferreira nas décadas de 40 e 50, e, Manuel Farinha dos Santos e D. Fernando de Almeida na década de 60. Este último, sucede a Manuel Heleno na direcão do Museu, e das escavações de Tróia até 1976. Centra os seus trabalhos no núcleo religioso, pondo a descoberto o complexo do templo paleocristão, as oficinas de salga que o circundam, assim como, a necrópole das sepulturas de mesa e parte da oficina de salga a sudeste desta. Estas escavações, não obstante algumas paragens, continuam até 1973. António Cavaleiro Paixão, colaborador de D. Fernando de Almeida foi o técnico responsável de 1976 a 2004. Este período, caracteriza-se por trabalhos de escavação menores e levantamento topográfico de toda a estação, destacando-se ainda, a realização de alguns trabalhos de conservação e restauro. Na década de 90 do século XX publicam-se dois importantes estudos interpretativos das ruínas de Tróia. O primeiro, da autoria de Robert Étienne, Yasmine Makaroun e Françoise Mayet, intitulado Un grand complexe industriel à Tróia (Portugal) (1994). Foca a importância do sítio enquanto produtor de salgas de peixe. O segundo, inserido na obra de Justino Maciel, Antiguidade tardia e paleocristianismo em Portugal, debruça-se sobre o núcleo religioso da basílica paleocristã. Em 2005, ao abrigo do protocolo celebrado com o IPPAR e o IPA (IGESPAR), com o intuito da salvaguarda, recuperação, restauro e a valorização das Ruínas, é criada uma equipa de Arqueologia responsável por este sítio arqueológico. Após a descoberta de alguns fornos, compreendeu-se também, que recipientes cerâmicos e louças de cozinha eram fabricados em oficinas localizadas na margem direita do rio. O abundante espólio recolhido ao longo das sucessivas campanhas de escavação permite situar no séc. I d.C. o início da ocupação, que se estende até aos sécs. V/VI d. C.
 
     
     
   
     
     
     
 
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