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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AD.497
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Tridente
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Ilha Canhabaque (Ilha Roxa), Arquipélago de Bijagós, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Matéria:
Madeira, policromia.
Dimensões (cm):
comprimento: 178;
Descrição:
Lança em madeira, composta de duas secções: extremidade com 6 pontas e cabo cilíndrico. As seis pontas partem de uma base comum, formada pela figura de um boi esculpido, com as patas assentes numa sapata com um espigão que faz a ligação ao cabo. Este é aguçado na extremidade inferior. As duas pontas centrais têm as faces escurecidas a fogo, com motivos geométricos entalhados (triângulos, losangos, na cor natural e outros pintados de vermelho). O boi é escurecido a fogo, com duas estrelas entalhadas na cor natural, e, no lado oposto, dois triângulos entalhados ligados por um dos vértices e outro isolado. A base das 6 pontas, é escurecida igualmente a fogo em ambas as faces, com um círculo entalhado e avivado a cor vermelha, ladeado de frisos com motivos triangulares entalhados.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Inorei, ilha Canhabaque (ilha Roxa), Arquipélago de Bijagós, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Este tipo de objeto, tridente ou lança de fanado, é produzido pelos jovens rapazes durante os seus períodos de reclusão próprios do seu processo de iniciação (fanado). Estes esculpem estas lanças com três, quatro ou cinco dentes, direitos ou ligeiramente curvos, e afiados nas pontas e complementam a sua escultura com a representação de figuras de peixe, bovinos ou figuras humanas. Adquire diferentes designações consoante as ilhas: em Canhabaque ou Bubaque, designam-se «nadai»; em Soga, «nedei»; em Orangozinho chama-se «neden»; em Canogo, «sagaia»; na ilha de Uno «cantodi» e na de Ponta «caniaco». Após a sua iniciação, os homens ou jovens rapazes, são simbolicamente mortos na sua vida anterior, adquirem um novo nome e não conhecem mais a mulher e/ou filhos que tiveram nesse período da sua vida. É desta forma que não podem recusar oferecer a lança que esculpiram a uma mulher «defunto» que a utilizará no dia em que esta participar nas danças rituais de possessão. É desta forma que este tipo de objeto torna-se um complemento do traje que as mulheres utilizam nos rituais de dança de possessão em que assumem a identidade masculina dos rapazes que morreram durante a sua iniciação, por isso se designam de mulheres «defunto». Alguns autores refutam a ideia de que as danças de possessão das «defunto» sejam o equivalente feminino dos rituais de iniciação. (DUQUETTE, 1983, p. 117)
 
     
     
   
     
     
     
 
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