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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu da Terra de Miranda
N.º de Inventário:
SMD_00109
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Escultura
Denominação:
Retábulo da Capela Mor da Concatedral de Miranda do Douro
Local de Execução:
Valladolid (Espanha)
Datação:
1610 d.C. - 1614 d.C.
Suporte:
Madeira
Técnica:
Madeira entalhada, dourada, policromada e estofada.
Dimensões (cm):
altura: 1395; largura: 710; profundidade: 150 apx.;
Descrição:
Encostado à parede testeira dispõe-se o retábulo da capela-mor, em talha dourada e policroma, de planta reta e três eixos, definidos por quatro colunas coríntias, de terço inferior marcado, ornado por cartelas envolvidas por motivos florais, sobre plintos paralelepipédicos almofadados, e com festões entre os capitéis. No eixo central possui painel em alto-relevo com representação da Assunção da Virgem e nos eixos laterais, seccionados em dois painéis, igualmente em alto-relevo, surge a representação da Imaculada Conceição e da Anunciação, no lado do Evangelho, e de Santa Ana com a Virgem Menina e da Visitação, no lado da Epístola. A estrutura remata em tabela retangular, disposta na vertical, definida por duas colunas de fuste espiralado e capitel coríntio, sobre plintos paralelepipédicos, almofadados, e sustentando frontão semicircular com a figura do Deus Pai no tímpano; a tabela possui nicho em arco de volta perfeita, com chave relevada, sobre pilastras com elementos vegetalistas, contendo painel pintado representando a cidade de Jerusalém e glória de querubins, enquadrando a representação escultórica do Calvário, com a figura de Cristo na cruz, entre a da Virgem e a de São João. Sobre a figura do Cristo existe cartela inscrita com "INRI"; sobre a cruz está a pomba do Espírito Santo e, emergindo de um frontão curvo, está Deus Pai, formando verticalmente uma SantíssimaTrindade. Lateralmente, surgem dois painéis, com representação, em alto-relevo, de Cristo Amarrado à Coluna (esquerda) e Ecce Homo (direita), ladeado por pilares almofadados sobre plintos paralelepipédicos, também almofadados. Sobre os painéis uma decoração em pontas de diamante e a representação de duas Virtudes Teologais: a Fé (esquerda) e a Esperança (direita). Os plintos e apainelados sob os painéis possuem figuras em alto-relevo representando (da esquerda para a direita) do lado esquerdo do retábulo: um santo bispo (que atendendo à cor dos trajos poderá ser Santo Agostinho), São Lourenço, Santa úrsula, Santa Luzia, Santa Maria Madalena, São João Batista e Santo António; do lado direito do retábulo: São Francisco de Assis, São Domingos de Gusmão, um outro santo (não visível a partir do presbitério), Santa Bárbara, Santa Catarina de Alexandria, São Vicente e São Sebastião. No sotobanco do retábulo, os plintos e os apainelados possuem altos-relevos representando São Bento de Núrsia, um santo beneditino, um santo dominicano (São Domingos de Gusmão ou São Gonçalo de Amarante), Santo Agostinho, os quatro evangelistas, dois patriarcas do Antigo Testamento, nomeadamente o Rei David e o Profeta Moisés, São Jerónimo, o Papa Gregório Magno e Santo Anselmo, Santo Ambrósio e São Boaventura. Integra ainda o sacrário, em forma de templete, ladeado com as esculturas de vulto representando São Pedro e São Paulo. O sacrário é composto por corpo central, com porta decorada com um Agnus Dei, instrumentos da Paixão de Cristo e glória de querubins em alto-relevo, encimada por motivos vegetalistas, e por dois nichos laterais, recuados, em arco de volta perfeita, interiormente pintados de vermelho com elementos fitomórficos dourados formando esquadria, albergando as imagens de São Pedro e São Paulo, encimados por festões, possuindo nos ângulos colunas de fuste espiralado e de capitéis coríntios, que formam colunata suportando o remate; este tem entablamento de friso vegetalista, encimado por frontão triangular ao centro, coroado por imagem do orago entre bolas sobre plintos, e, lateralmente, por balaustrada com acrotérios coroados por bolas. Banco em talha pintada a marmoreados fingidos a verde e vermelho, formando plintos, quarteirões e apainelados, decorados com açafates e outros elementos fitomórficos dourados. Altar paralelepipédico de cantaria, com frontal contendo cruz entre resplendor, sobre supedâneo; sobre a banqueta, dispõem-se as imagens de vulto dos quatro Evangelistas, a de São Mateus já sem o atributo do anjo. Enquadra o retábulo-mor uma estrutura de talha dourada, formada por duas pilastras, de fuste decorado com elementos vegetalistas enrolados, que sustentam cornija e arquivolta, com o mesmo tipo de decoração, e ritmada com cartelas recortadas, e com lambrequim.
Origem / Historial:
1564 - 1579 - António André Robles, entalhador de Zamora, radica-se em Miranda para executar várias obras na Sé, encomendadas pelo bispo D. António Pinheiro e pelo Cabido: na capela-mor, sacristia, cadeiral do Cabido, bem como o sacrário e uma custódia; 1610, 01 janeiro - Cabido decide gastar do dinheiro da fábrica em três obras necessárias: o retábulo-mor, portas para a porta principal e lajear o pátio; 01 março - põe-se em arrematação a obra do retábulo-mor; 26 abril - decide-se mandar a Valladolid o cónego António Mendes a informar-se dos fiadores que os arrematantes do retábulo, dando-lhes o dinheiro combinado para dar princípio à obra se fossem idóneos; 23 setembro - Cabido decide dar 50 cruzados do dinheiro do retábulo ao entalhador Juan de Muniategui “e, côngrua recebida, lhe serão levaos em conta"; 1611, 8 de junho - o Cabido decide que o cónego fabriqueiro António Mendes vá a Valladolid a "obrigar os oficiais do retábulo conforme a escritura que tem feito nesta cidade tirando primero sentença nesta cidade se for necessário e para isto haverá o salário costumado". A 22 de novembro do mesmo ano, resolve-se dar-lhes 100 cruzados. A 4 de abril de 1612, decide-se dar aos entalhadores 20$000 para gastos além dos 20$000 já dados; a 11 de janeiro de 1613, decide-se dar 30 cruzados "ao irmão Velazquez, mestre do retábulo do dinheiro que tem deputado para a dita obra e com seu assinado lhe será levado em conta, alem dos dez que já tem dados"; 1614 - conclusão do retábulo-mor e portas e pagamento aos entalhadores de Valladolid, Gregório Fernandez e Franciso Velasquez; depois de concluído o retábulo-mor, o "Fabriqueiro pagou a Gregório Fernandez e a Franciso Velasquez, officiais que fizerão o retábulo do altar mor, cento e trina mil e oitocentos reis ou seja cento e vinte e coatro mil e oitocentos do resto da obra do dito retabolo e os seus mil reis de fechaduras e soleira e outra ferragem das portas principais com o que se lhe acabou de pagar tudo o que se lhe devia do preço em que lhe forão arrematado o dito retabolo e portas". O "Fabriqueiro da Catedral pagou mais a hum homem que foi a Valladolid chamar os ditos officiais do retábolo oito dias que tardarão ir e vir a cento e sessanta reis por dia somão mil duzentos e oitenta reis". Pagou-se ainda 16$000 a Teodósio de Frias, pessoa conceituada, para ver e analisar o retábulo, com deslocação desde Carrazedo e aluguer de cavalgadura para um criado do mesmo; 1633 - D. Jorge de Melo manda escrever a Gregório Fernandez pedindo-lhe que contate um pintor da sua confiança; 15 abril - escritura para a pintura do retábulo-mor com Jerónimo de Calábria, de Valladolid, que fica sem efeito; 1635, 20 julho - escritura para douramento e pintura do retábulo-mor por Alonso de Ramessal; A pintura do retábulo-mor seria feita por 640$000, por conta das rendas da Fábrica, no prazo de oito meses, e o pagamento devia ser feito em três prestações, sendo a última paga apenas "depois de o retábulo estar assentado perfeito e acabado e declarado pelos pintores que o visitarem". O retábulo devia ser pintado, dourado, estofado, gravado e encarnado com toda a perfeição. Entre as várias cláusulas do contrato constam as seguintes: "baixar o retábollo e o hade tornar a por bem assentado e seguro a sua conta e risco … e avendo algua quebra asi em talha como na escultura ponde os brassos e dedos das figuras que estão quebrados e tudo o mais que faltar no dito retabollo"; exige-se "que se hade dourar o retabollo deixando a arquitectura que hade ser de ouro limpo"; que "se hoade collorir todas as figuras de bulto com finas cores cada coalcomo lhe tocar asi de tallas como de brocados ao natural bem lixados e picados de grafio"; obriga-se o pintor a fazer as auréolas das figuras a ponta de pincel sobre ouro limpo com finas cores e abultadas"; que "os campos e vazios das pilastras altas se aode fazer uns subientes de ponta de pinzel com cores finas"; "que os frizos das molduras que goarnessem os lenssos se ãode meter de azul e outrosi ali aode fazer huns gravados cobertos de ouro"; que "as encarnassoins de todas as figuras ãode ser primeiro encarnadas a polimento muito liso e depois pintadas com azeite de depliego de modo que fique como agora he pratica ao vivo que he o melhor e o que melhor emita ao natural"; "que todas as cabessas e barbas das figuras dos pedestais e custodia por estarem muito perto da vista se aode peletear de orlas, digo, de ouro moído e as figuras que fazem de mossos e as figuras que fazem de velos de prata moída e os cabelos da imagem de Senssão e os cabelos dos anjos serão também pelleteados de ouro moído"; exige-se que o pintor no "tabolero onde está o Cristo hade fazer hum Jerusalém bem feito"; no"tabolleiro da Sunção de Nossa Senhora se hade fazer Sua glória alem dos anjos que tem de bulto se haode fazer huns serafins entre nuvens pêra maior adorno e todo este tabolleiro por detrás se hade callefetear com cola e carcoma ou vernis". Ainda em 1635 o bispo D. Jorge de Melo manda entregar ao pintor Alonso de Ramessal 100$000, por conta da fábrica, para a ajuda dos gastos no retábulo, e, a 16 de agosto, o pintor recebe 25.000 maravedis. No ano seguinte, a 20 de janeiro, Alonso de Ramessal recebe mais 25.000 maravedis pela obra e, a 12 de agosto, D. Jorge de Melo, já nomeado bispo de Coimbra, menciona a quantia de 250$000 pagos a Alonso de Ramessal, à conta da obra do retábulo da Sé. A 10 de julho de 1637, o pintor recebe mais 40$000 e, aquando da escritura de quitação da obra, a 17 de agosto, mais 630$000. A 19 de agosto do mesmo ano, o pintor é compensado com 80$000, porque o Cabido reconhece que a máquina do retábulo é muito grande e o pintor gastou muito tempo nele e teve algum prejuízo, além de que "a obra estava mui perfeita e porque fez baixa de duzentos cruzados menos do que o lance de outros pintores". 1636, 20 agosto - D. Jorge de Melo assume dever à fábrica (de junho 1627 a 15 junho 1636) 2.290$706, dando ordem de pagamento; encomenda ao escultor Jerónimo Garcia, de Zamora, das esculturas dos quatro Evangelistas, para a mesa do altar-mor (100$000); a escritura estipula que "a parede que se descobre de trás do retabollo e parte do atico será parte fingido num horizonte alegre com alguns serafins tudo a proporsão do sitio e de cornije para baixo athe as pedras ovais miostra hum filete de cantaria que este será dourado a ouro mate para mais firmeza e nesta forma dandolhe as estadas prontas...". Manuel Caetano Fortuna obriga-se a fazer a obra no prazo de três meses. 1636 - 1672, entre - Cabido aplica as rendas da Mitra na fábrica da Sé; 1637, 17 agosto - escritura de quitação do douramento do retábulo-mor, recebendo Alonso de Ramessal 70$000 a mais, de uns painéis que pintou e acrescentou ao retábulo; 1675 - bispo D. André Furtado de Mendonça diz ao papa Clemente X que no altar-mor, muito rico, está o sacrário, elegante trabalho ornado a ouro, onde se conservam as seguintes relíquias: o Santo Lenho, uma parte do braço de São Brás, relíquias de São Crispim, de Santa Primitiva, de Santa Daria virgem e mártir, do mártir São Espiridónio, de São Rufino, de Santa Emiliana, de São Magno, de São João Baptista e de Santa Basílica; no mesmo altar, dispostos com ordem até ao teto, estão os santos; e no meio e no mais alto, a imagem de Senhora da Assunção; 1716 - bispo D. João de Sousa Carvalho oferece ao altar-mor as sacras de prata (1.140$000); 1747 - 1754, entre - obra da capela-mor e respetivo retábulo; aqui trabalham Sebastião Manuel da Costa, e outro oficial de nome José; são pedreiros Manuel Gonçalves, oficiais Hyeronimo, Francisco, Domingos, António, servente Valentim e carpinteiros Sebastião, Costa e Anastácio; colocação de varões no retábulo-mor; 1753 - pagamento de 5$800 a Sebastião da Silva de 29 geiras, $320 ao alvaneiro António Bernardo, 2$880 a Manuel Gonçalves, de São Pedro da Silva, por 48 alqueires de cal; 1749 - 09 Outubro - bispo decide mandar construir "a fundamentis" uma nova capela-mor, devido à existente ser de reduzidas dimensões; o ecónomo da Mitra, Manuel Soares de Oliveira, manda vir de Salamanca um arquiteto para desenhar a planta e dois entalhadores para baixar o retábulo; 22 outubro (dia de aniversário do Rei D. João V) - lançamento da primeira pedra para ampliação da capela-mor; ali trabalha o pedreiro Manuel Gonçalves de Castro, de Vila Praia de Âncora, e o carpinteiro Sebastião da Silva; 1750, 01 julho - chegada de D. Frei João da Cruz que, após ver a planta e o local, manda avançar a obra; na ampliação da capela-mor gastam-se 2.190$417; 1751 - 1753 - pagamento ao pedreiro José Gonçalves de Crasto, de Castelo de Âncora, para desfazer as bases do retábulo-mor; 1752 - torna-se a dourar o retábulo-mor, "por estar já tosco e mal colorido" (2000 cruzados); 1752 - 1753 - recolocação do retábulo-mor; 1753, 28 abril - ajuste do soco do retábulo-mor (16$000); 1754, 04 fevereiro - escritura com o entalhador e pintor Manuel Caetano Fortuna, de Miranda, para dourar o arco do retábulo-mor e acrescentar uma moldura de talha à volta (2000 cruzados); 14 agosto - benção da capela-mor; 1759, 24 fevereiro - paga-se a António de Sousa Correia por 6 castiçais de prata para o retábulo-mor (1.170$000); 1955 - reconstrução de um vitral e reparação de outro da capela-mor por João Baptista Antunes; 1958 - reconstrução e colocação de um vitral na capela-mor, por João Baptista Antunes; 1988 - limpeza do retábulo-mor.
 
     
     
   
     
     
     
 
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