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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arqueologia
N.º de Inventário:
994.21.1
Supercategoria:
Arqueologia
Categoria:
Escultura
Denominação:
Friso de tampa de sarcófago
Grupo Cultural:
Lusitano / romano
Datação:
III d.C. - Época Romana
Matéria:
Mármore
Técnica:
Médio relevo
Dimensões (cm):
altura: 32,5; espessura: 8,0; comprimento: 219,3;
Descrição:
Friso de tampa de um sarcófago apresentando uma cartela central ladeada de ambos os lados por quatro grupos de personagens e por duas máscaras teatrais colocadas nas extremidades da composição a modo de acrotérias, com representação das bocas e dos olhos dos seus portadores. Uma cortina estendida, de tipo teatral, enche o fundo do painel. A cartela moldurada devia levar a inscrição funerária com o nome do defunto, talvez pintada e não esculpida ou gravada, pois não se notam quaisquer vestígios de letras gravadas. Os quatro grupos de personagens representam quatro das sete musas clássicas, de pé junto de quatro filósofos sentados em escabelos. No painel à esquerda do observador estão as musas da Comédia e da Tragédia - Talia e Melpomene - com as máscaras que as identificam e coroadas com plumas. A primeira mostra o corpo moldado por um tecido aderente, que nos é sugerido pelas pequenas perfurações de trépano que cobrem o corpo da figura, sendo recoberta com o "himation", um manto preso no ombro esquerdo e apanhado na cintura pelo braço do mesmo lado. Esta segura uma vara e o direito levanta uma máscara teatral. O cabelo surge, tal como as outras musas, amarrado em "cuculus" ou carrapito onde se prende um feixe de plumas. O filósofo barbudo e com farta cabeleira, envolve-se num manto e segura com as mãos um rolo. Melpomene veste talar cintada ("chiton") própria da figura trágica, segura a máscara teatral com a mão esquerda erguida junto à cabeça do filósofo para que está voltada. Este, sentado, envolve-se num manto que lhe deixa o tronco nu, pousa a mão direita sobre o ombro de Melpomene e a esquerda aponta a caixa dos seus rolos. Tem igualmente barba e farta cabeleira. No painel da direita surgem duas cenas, em muito similares e simétricas com as descritas anteriormente, com Polihimnia e Clio, musas da Música e da História. A primeira veste túnica talar cintada ("chiton"), recoberta com "himation", manto preso no ombro esquerdo e apanhado na cintura pela mão esquerda. Tem o cotovelo direito apoiado na lira e a mão esquerda sobre um longo plectro, instrumentos simbólicos da figura. Descansa sobre o pé esquerdo, a perna direita está traçada sobre a esquerda. Encontra-se voltada para o filósofo, que à excepção dos outros não tem barba e é calvo, podendo iconograficamente tratar-se de uma representação de Sócrates. Sentado, está coberto com o manto que prende ao ombro esquerdo e cai sobre as pernas. Tem na mão esquerda um rolo e a direita levantada à altura do peito com o dedo indicador e o médio abertos tal como acontece nas figuras de "mestres" representados em muitos sarcófagos romanos. Clio envolve-se completamente no "himation" ou manto, a mão direita toca na cara e a esquerda aparece segurando o rolo, e o braço esquerdo apoiado pelo cotovelo numa coluna, elemento que aparece frequentemente na composição desta figura e que justifica a representação desta em perfil. Quanto ao filósofo aparece sentado, coberto com um manto preso pelo ombro esquerdo e que lhe cai sobre as pernas, tem o resto do corpo desnudado. Dirige a palavra à musa com o braço direito levantado, junto dele a caixa dos rolos. Contrastando com a figura jovem das musas, os filósofos são adultos, barbados e, à excepção do que se encontra junto de Polihimnia, de cabeleira forte. A apresentam-se seminus, característica identificadora daqueles que participam da sabedoria divina de Apolo. Musas e filósofos estão muitas vezes associados nos sarcófagos, o que significa que o defunto se preocupou em vida com instruir-se na sabedoria, fundamento da salvação socrática, e que merece por isso entrar na felicidade do além-túmulo. Deste modo, a sabedoria do defunto a quem se destinava o sarcófago, afirma-se através da figuração das musas companheiras de Apolo, patronos das actividades culturais e inspiradoras de filósofos. O culto das musas é por isso penhor da felicidade além-túmulo e fundamento da salvação socrática e órfica. Também o uso das máscaras teatrais relacionadas com cultos báquicos ou dionisíacos se refere à felicidade do além que tais cultos prefiguram e prometem(Segundo ficha do Catálogo de Escultura Romana do MNA, da autoria de José Luis de Matos).
Incorporação:
Doação - Foi doado ao Museu pelo Ministério da Marinha, graças à intervenção do Rev. Cónego Boavida, no último quarto do séc. XIX.
Proveniência:
Convento de Chelas.
Origem / Historial:
*Forma de Protecção: classificação; Nível de Classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei nº 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto; nº 19/2006; 18/07/2006* Não se conhece a origem exacta deste sarcófago, apenas se sabe que se encontrava no Convento de Chelas. Foi doado ao Museu pelo Ministério da Marinha, graças à intervenção do Rev. Cónego Boavida, no último quartel do séc. XIX.
 
     
     
   
     
     
     
 
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