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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arqueologia
N.º de Inventário:
17088
Supercategoria:
Arqueologia
Categoria:
Cerâmica
Denominação:
Bocal de poço
Autor:
Desconhecido
Grupo Cultural:
De influência islâmica.
Datação:
XIII d.C. - XIV d.C. - Idade Média - Contexto Islâmico
Matéria:
Cerâmica
Técnica:
Roda e molde. Decoração estampilhada e incisa.
Dimensões (cm):
espessura: 1,8 - 2,3;
Descrição:
Este bocal de poço, incompleto e fragmentado (no total dezanove fragmentos) provém de Loulé onde foi descoberto nos entulhos de um poço no recinto das antigas muralhas, defronte da chamada porta de N. Srª do Carmo, entretanto demolida, aquando dos trabalhos do desaterro para a construção do novo mercado da vila. Foi oferecido ao Museu em 1906 por António dos Santos Brito, residente em Loulé, conjuntamente com outros artefactos de cerâmica surgidos na mesma altura. Os fragmentos existentes permitem reconstituir parcialmente um bocal do poço de forma octogonal com uma aba saliente e engobado em ambas as faces. A sua decoração recorre à técnica de estampilhagem e incisão. Ostenta três motivos decorativos que alternadamente preenchem troços do octógono, separados por nervuras salientes colocadas na vertical. Entre motivos estampilhados destacam-se a flor de lis estilizada, inscrita numa cartela, e ainda uma espécie de aranhão também dentro de uma cartela. O motivo inciso é constituído por uma estrela estilizada. Na aba, num dos cantos do octógono conserva-se visível e, noutro já um tanto gasta, uma estampilha que parece desempenhar a função de carimbo. Tem forma rectangular, quase quadrada tendo no interior uma figuração de uma ave com asas, possivelmente uma águia. O facto de o bocal de poço se apresentar engobado em ambas as faces permite situar a sua produção já no período da ocupação cristã da vila. Os bocais de poço islâmicos eram habitualmente cobertos de vidrado embora para o mesmo período se conheça bocais de poço com acabamento de engobe provenientes da África do Norte. Recordemos que em Loulé se formou uma das mais importantes mourarias cuja população contribuiu para a preservação dos muitos saberes e técnicas islâmicas. Assim os motivos decorativos produzidos por estampilhagem constituem ainda a continuação das técnicas decorativas islâmicas enquanto a sua simbologia situa-se já noutro contexto cultural. Este é o caso da flor de lis que é por excelência um símbolo cristão ou podendo eventualmente ser interpretado como elemento heráldico. Um paralelo próximo desta representação da flor de lis patente na decoração do bocal de poço constitui a decoração que ostentam duas estélas funerárias de forma discoíde, surgidas na igreja de S. Clemente em Loulé, hoje no acervo do recentemente inaugurado (1995) Museu Municipal de Arqueologia de Loulé. Em território português conhece-se alguns exemplares dos bocais de poço mudéjares, todos caracterizados pelo acabamento de engobe, nomeadamente o conservado in loco, num espaço musealizado duma casa da mouraria em Moura e datado do séc. XIV como ainda um outro no Museu Municipal de Arqueologia de Silves e um outro em Lisboa, nas proximidades da Sé. Por sua vez, no Museu Municipal de Jerez de la Frontera (Espanha) conserva-se um curioso exemplar do bocal de poço do séc. XIV ornamentado com elementos heráldicos. Numa das faixas decoradas surge a representação repetida de uma ave, interpretada como uma águia e que se assemelha à estampilha utilizada no bocal de poço de Loulé. Este bocal de poço constitui uma expressão da arte mudéjar que continuando as formas, às vezes modificadas, e as técnicas islâmicas incorpora nela elementos do contexto cultural cristão. Estudo da peça: Eva - Maria von Kemnitz
Incorporação:
Doação - Oferecido por António Santos Brito, residente em Loulé
Proveniência:
Loulé
Origem / Historial:
Este bocal de poço, incompleto e fragmentado (no total dezanove fragmentos) provém de Loulé onde foi descoberto nos entulhos de um poço no recinto das antigas muralhas, defronte da chamada porta de N. Srª do Carmo, entretanto demolida, aquando dos trabalhos do desaterro para a construção do novo mercado da vila. Foi oferecido ao Museu em 1906 por António dos Santos Brito, residente em Loulé, conjuntamente com outros artefactos de cerâmica surgidos na mesma altura. Os fragmentos existentes permitem reconstituir parcialmente um bocal do poço de forma octogonal com uma aba saliente e engobado em ambas as faces. A sua decoração recorre à técnica de estampilhagem e incisão. Ostenta três motivos decorativos que alternadamente preenchem troços do octógono, separados por nervuras salientes colocadas na vertical. Entre motivos estampilhados destacam-se a flor de lis estilizada, inscrita numa cartela, e ainda uma espécie de aranhão também dentro de uma cartela. O motivo inciso é constituído por uma estrela estilizada. Na aba, num dos cantos do octógono conserva-se visível e, noutro já um tanto gasta, uma estampilha que parece desempenhar a função de carimbo. Tem forma rectangular, quase quadrada tendo no interior uma figuração de uma ave com asas, possivelmente uma águia. O facto de o bocal de poço se apresentar engobado em ambas as faces permite situar a sua produção já no período da ocupação cristã da vila. Os bocais de poço islâmicos eram habitualmente cobertos de vidrado embora para o mesmo período se conheça bocais de poço com acabamento de engobe provenientes da África do Norte. Recordemos que em Loulé se formou uma das mais importantes mourarias cuja população contribuiu para a preservação dos muitos saberes e técnicas islâmicas. Assim os motivos decorativos produzidos por estampilhagem constituem ainda a continuação das técnicas decorativas islâmicas enquanto a sua simbologia situa-se já noutro contexto cultural. Este é o caso da flor de lis que é por excelência um símbolo cristão ou podendo eventualmente ser interpretado como elemento heráldico. Um paralelo próximo desta representação da flor de lis patente na decoração do bocal de poço constitui a decoração que ostentam duas estélas funerárias de forma discoíde, surgidas na igreja de S. Clemente em Loulé, hoje no acervo do recentemente inaugurado (1995) Museu Municipal de Arqueologia de Loulé. Em território português conhece-se alguns exemplares dos bocais de poço mudéjares, todos caracterizados pelo acabamento de engobe, nomeadamente o conservado in loco, num espaço musealizado duma casa da mouraria em Moura e datado do séc. XIV como ainda um outro no Museu Municipal de Arqueologia de Silves e um outro em Lisboa, nas proximidades da Sé. Por sua vez, no Museu Municipal de Jerez de la Frontera (Espanha) conserva-se um curioso exemplar do bocal de poço do séc. XIV ornamentado com elementos heráldicos. Numa das faixas decoradas surge a representação repetida de uma ave, interpretada como uma águia e que se assemelha à estampilha utilizada no bocal de poço de Loulé. Este bocal de poço constitui uma expressão da arte mudéjar que continuando as formas, às vezes modificadas, e as técnicas islâmicas incorpora nela elementos do contexto cultural cristão. Estudo da peça: Eva - Maria von Kemnitz

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José Paulo Ruas

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