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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AV.116
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Actividades lúdicas
Denominação:
Marioneta
Título:
Ramaparasu
Local de Execução:
Indonésia, ilha de Java, região de Surakarta (Solo)
Datação:
XX d.C.
Matéria:
Madeira, pele bovina, policromia
Dimensões (cm):
altura: 76 cm sem cabo; 98 cm sem cabo; largura: 46 cm;
Descrição:
Figura humana, masculina, com elementos kasar, de tamanho gagah. Corpo e face em preto. Nariz bungker e olhos telengan. Cabelo solto de cor vermelha, compondo um recorte raiado. Peito descoberto, com selendang sobre o ombro posterior. Vestes curtas, acima dos joelhos, com motivos de flores azuis com quatro pétalas em fundo dourado. Pulsos adornados. Mãos dridji djanma. Na face, peito, braços e pernas notam-se pequenas saliências desenhadas que representam pêlos corporais, contornadas a traço vermelho. Pés calçados com distância de 39 cm. Cabeça em inclinação longok ou gagah. Apresenta inscrição entre os pés, palemahan. Cabo e hastes de madeira
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Indonésia, ilha de Java, região de Surkarta (Solo)
Origem / Historial:
Personagem de um eremita muito poderoso, filho de Begawan Jamadagni, do reino de Maespati. É irmão mais novo do rei Heriya e de Resi Wisanggeni (pai de Sumantri, que se torna Patih Suwanda), e de Bambang Sukrasana. A sua história é uma variante que explica como Rama consegue a arma que mais tarde mata Rawana no Ramayana. Devido a uma promessa feita pelo assassinato de seu pai, por parte de um rei, Ramaparasu decide matar todos os ksatrya (nobres) que encontrar. Ao fim de vários anos arrepende-se e decide que está na altura de confrontar Wisnu, pois só ele poderá absolvê-lo dos pecados cometidos e procura-o. Encontra Rama e percebe que este é uma encarnação deste deus e inicia um confronto. Durante a luta, Rama demonstra ser mais forte e Parasu dá-lhe a seta Gowa Wijayai, que irá servir para matar Rawana. Durante a sua vida Ramaparasu vive principalmente na floresta e cruza-se ocasionalmente com outras personagens. Outros nomes: Ramabargawa; Parasurama; Wasi Rama Bargawa; Rama Wadung. No palemahan (superfície entre os pés) a figura apresenta inscrição que não se consegue ler bem, talvez "Bagawan Rama Prarasu, 1730". Ao Anno Javanico deve acrescentar-se cerca de 72 ou 3 anos, ou seja 1802. Segundo Rudy Wiratama Partahardono esta data na inscrição e o facto do palemahan estar pintado de preto parece significar que a produção desta figura é no contexto da corte de Surakarta (reinado de Sri Sunan Paku Buwana IV (1788-1820), pois foi nesta época que as marionetas de corte tinham esta cor de fundo na inscrição entre os pés, sendo geralmente em cor vermelha. As informações no palemahan, inscrição entre os pés da figura, foram traduzidas do javanês antigo por Rudy Wiratama Partohardono em Setembro de 2013. Objecto pertencente ao conjunto de 239 marionetas de teatro Wayang Kulit recolhida por Victor Bandeira na região de Surakarta, na ilha de Java, na Indonésia, em 1970. Pertence à colecção de 421 marionetas de wayang kulit de Java, juntamento com o conjunto de 156 marionetas da região de Cirebon e de 25 da região de Jakarta (mas produziadas no estilo de Cirebon). Além da recolha na ilha de Java, relacionam-se com esta colecção o cojunto de marionetas de wayang kulit da ilha de Bali. O teatro de marionetas de pele Wayang Kulit é composto por perfomances de caractér lúdico e ritual, sendo na ilha de Java apresentado em performances nocturnas com projecção das sombras. O Wayang Kuilt javanês é composto pelo marionetista (dalang), os seus assistentes e uma orquestra composta por cantoras (pesinden ou sinden) e músicos de gamelão javanês, contento gongos, taças de bronze, xilofones, membranofones, cordofones e idiofones. As marionetas recolhidas em Java desta colecção são de Wayang Purwa, ou seja representam personagens do repertório Arjuna Sasrabau, Ramayana e Mahabharata. Em traços gerais o ciclo Arjuna Sasrabau também chamado de "pré Ramayana" relata a vida da anterior encarnação do demómio Rawana, como o rei Dasamuka (Dez caras) e os conflitos com o herói Arjuna Sasrabau. A última guerra entre estes heróis fica adiada até à próxima encarnação que se dará no ciclo Ramayana. A narrativa Ramayana relata episódios da vida do deus Rama, sendo um dos mais populares o rapto de sua mulher Sita pelo demónio e rei Rawana. Para recuperá-la, Rama alia-se ao exército de macacos do Rei Sugriwa, contando também com a ajuda do macaco Anoman, personagem dotada de poderes sobrenaturais. Em resumo a narrativa Mahabharata relata os vários episódios relacionados com a rivalidade entre os irmãos Pandawa e os seus primos Korawa, que lutam pelo direito ao trono do reino de Hastinapura. Um dos conjuntos de episódios mais teatralizados é a grande batalha, Bharatayuddha, na qual muitas das personagens interagem, dando origem a diferentes tipos de acções narrativas, como cenas de batalha com traições, combates e mortes ou o discurso inicial da batalha, feito pela personagem Kresna, sobre o objectivo final de uma guerra e os deveres dos verdadeiros guerreiros.
 
     
     
   
     
     
     
 
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