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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AK.853
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Adorno de cabeça
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Arquipélago de Bijagós, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Matéria:
Madeira, fibras vegetais, chifres, policromia.
Dimensões (cm):
altura: 55;
Descrição:
Adorno de cabeça constituído por arco de madeira encimado por uma pequena escultura de cabeça de vaca, com chifres naturais e orelhas de couro pintadas de preto, branco e vermelho. Das extremidades do arco pendem espessas franjas de fibras de tiras vegetais, de cor branca e preta; e ainda duas varas encurvadas, projectadas obliquamente para o alto e para fora com borla e fita de papel pendentes.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Cuiane, Ilha Formosa, Arquipélago de Bijagós, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Utilizado em momentos rituais de dança, pelos rapazes da classe pré-iniciática "kadene". As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência ("kadene"). O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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