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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AK.871
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Adorno de costas
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Ilha Formosa, arquipélago dos Bijagós, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Matéria:
Madeira, fibras vegetais, algodão, lâmpadas eléctricas, policromia.
Dimensões (cm):
largura: 37;
Descrição:
Adorno de costas "Em madeira, constituído por duas peças semelhantes, com a forma de dois discos unidos por um braço em losango, e ligados uma à outra por uma pequena régua. A meio da posterior está fixado um pássaro, de bico comprido e rabo largo virado para cima, com uma borla de algodão na cabeça. A meio de cada disco da peça anterior está aplicada uma lâmpada eléctrica, como elemento decorativo. Pintada de cor azul-escuro, branco e vermelho, em linhas espiraladas e triangulos."
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Ancadaque, ilha Formosa, arquipélago dos Bijagós, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Adorno de costas masculino, utilizado pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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