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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AK.833
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Máscara
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.
Matéria:
Madeira, chifres, vidro, fibra sintética, fibras vegetais, metal, tinta.
Dimensões (cm):
largura: 44,5;
Descrição:
Máscara de madeira que representa realisticamente uma cabeça de touro selvagem. Possui dois chifres naturais. Abaixo destes estão as orelhas projectadas para os lados. Os olhos são de vidro e estão embutidos. Acima destes, alguns sulcos simulam rugas. O focinho é curto com um sulco profundo na zona das narinas e da boca. A parte inferior é escavada. Superfície pintada de preto, branco e vermelho. Na base de ambos os chifres está uma cinta franjada de ráfia. Uma fina corda de fibra sintética atravessa as narinas e contorna a parte posterior da cabeça. Na parte posterior está um autocolante amarelo com o número "25" manuscrito.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Luddjanque, ilha Formosa, arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Usada pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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