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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AK.839
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Máscara
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.
Matéria:
Madeira, chifres, fibras vegetais, pele, tecido, vidro, metal, tinta.
Dimensões (cm):
altura: 36; largura: 52,5;
Descrição:
Máscara tipo elmo, de madeira, que representa realisticamente uma cabeça de um touro selvagem. Possui dois chifres naturais e duas orelhas pequenas projectadas para os lados. Os olhos são de vidro, circundados por uma rodela de couro. O focinho é entalhado e curto. O cachaço é constituído por uma peça de madeira independente, composto de dois elementos largos, arqueados, com a superfície canelada, ligados entre si e à cabeça por aselhas de tiras vegetais. Superfície pintada de preto, com excepção da superfície frontal da cabeça que se encontra na cor natural da madeira, e do cachaço que está pintado de vermelho. O topo da cabeça entre os chifres é coberto com pele com pêlo. Uma tira de tecido está atada com vários nós entre os chifres. A base dos cornos é envolvida por uma cinta de pele com pêlo. Do cachaço pendem franjas de corda e de tiras de folha de palmeira às quais está preso um pássaro de madeira. De cada lado do focinho pendem tufos de fibras vegetais. Apresenta uma racha transversal no focinho e marcas da acção biológica de insectos.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Ilha Formosa, arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Usada pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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