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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AK.838
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Máscara
Autor:
Desconhecido
Local de Execução:
Arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Datação:
XIX d.C. - XX d.C.
Matéria:
Madeira, chifres, fibras vegetais, vidro, metal, pigmentos.
Dimensões (cm):
altura: 38; largura: 56,5;
Descrição:
Máscara tipo elmo, de madeira, que representa realisticamente uma cabeça de um touro selvagem. Possui dois chifres naturais e, abaixo destes, duas pequenas orelhas projectadas para os lados. Os olhos são de vidro escuro e estão rodeados de pregos. Junto a estes estão esculpidos sulcos circulares que simulam rugas. O focinho é curto e está perfurado transversalmente no topo . A boca está aberta com os dentes e a língua à vista. O cachaço é constituído por uma peça de madeira independente, arqueada, com a superfície canelada, ligado à cabeça por aselhas de tiras vegetais. Superfície pintada de vermelho e com vestígios de branco sujo, com excepção do focinho e do contorno dos olhos que estão escurecidos a negro. Pendem cordas de alguns orifícios da parte inferior da cabeça.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Ossokona, ilha de Uno, arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Usada pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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