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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AD.620
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Máscara
Local de Execução:
Ilha de Uno, arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Matéria:
Madeira, chifre, couro, fibras vegetais, vidro, policromia
Dimensões (cm):
altura: 45,5; largura: 52,5;
Descrição:
Máscara tipo elmo, de madeira, que representa realisticamente uma cabeça de um touro selvagem. Possui chifres naturais e orelhas pequenas projectadas para os lados. Os olhos são de vidro, circundados por uma rodela de couro com pêlo. Junto a estes, vários sulcos na madeira simulam rugas. O focinho é curto e perfurado transversalmente. A boca está entreaberta, com a língua e os dentes à vista. O cachaço é constituído por uma peça de madeira independente, arqueada e canelada, ligada à cabeça por aselhas de fibras vegetais, tendo a junção preenchida com corda e uma pasta. Pintada de preto, com excepção de uma mancha triangular branca na testa, face inferior das orelhas, narinas, interior da boca e contorno dos olhos que estão pintados de vermelho. Algumas caneluras do cachaço foram pintadas de branco. Ambos os chifres apresentam vários anéis de corda na base. O focinho é atravessado por uma corda que passando por baixo das orelhas, prende atrás no cachaço.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Ancópê, ilha de Uno, arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Complemento da máscara usada pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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