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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Etnologia
N.º de Inventário:
AD.619
Supercategoria:
Etnologia
Categoria:
Ritual
Denominação:
Máscara
Local de Execução:
Ilha de Uno, arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Grupo Cultural:
Bijagós
Matéria:
Madeira, chifres, fibras vegetais, vidro, pele, metal, tinta.
Dimensões (cm):
altura: 42,5; largura: 54,5;
Descrição:
Máscara tipo elmo, de madeira, que representa realisticamente uma cabeça de um touro selvagem. Possui dois chifres naturais e, abaixo destes, duas orelhas projectadas para os lados. A da esquerda tem um formato rectangular e a da direita tem uma extremidade pontiaguda. Os olhos são de vidro, circundados por umas tiras de couro. Junto a estes, sulcos circulares simulam rugas. O focinho é curto e a boca entreaberta com os dentes e a língua à vista. O cachaço é constituído por uma peça de madeira independente, arqueada, de superfície canelada, ligada à cabeça por aselhas de tiras vegetais. A junção do cachaço à cabeça é contornada por uma corda grossa de fibras vegetais. Pintada de preto, com excepção de um triângulo na testa, focinho, contorno dos olhos e face exterior das orelhas que estão pintados de branco. Uma corda atravessa as duas narinas para prender atrás sobre o cachaço. De um orifício que se encontra de ambos os lados do focinho pende uma corda.
Incorporação:
Compra
Proveniência:
Ancópê, ilha Fde Uno, arquipélago Bijagó, Guiné-Bissau
Origem / Historial:
Máscara usada pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
 
     
     
   
     
     
     
 
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