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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Palácio Nacional da Pena
N.º de Inventário:
PNP618
Supercategoria:
Arte
Categoria:
Vidros
Título:
Frasco
Autor:
Autor não identificado
Local de Execução:
Brandemburgo ou Saxónia, Alemanha
Centro de Fabrico:
Brandemburgo ou Saxónia, Alemanha
Datação:
XVIII d.C. - Século XVIII (1ª metade)
Matéria:
Vidro
Técnica:
Vidro soprado em molde, tampa metálica
Dimensões (cm):
altura: 13,3; largura: 8; profundidade: 8;
Descrição:
DESCRIÇÃO FÍSICA: Frasco de vidro calcedonio polifacetado de base dodecaédrica e com tampa em latão. A decoração é conseguida pela própria pasta vítrea, apresentando um efeito marmoreado em tons de castanho, amarelo e, em alguns pontos, de azul. * * * ENQUADRAMENTO HISTÓRICO-ARTÍSTICO: A produção de frascos de licor modelados foi uma realidade em muitos dos territórios germânicos entre os séculos XVI e XVIII. Os locais de maior produção localizavam-se a Sul, nomeadamente na Baviera, Floresta Negra, Tirol ou Suíça, tendo mesmo levado alguns autores a apelidar estas peças de “frascos alpinos”. No entanto, esta expressão está longe de ser consensual devido ao seu carácter redutor. Na verdade, estes exemplares foram produzidos desde Veneza até à Silésia (Schaich, pp. 302-305). * * * Embora se conheçam alguns exemplares produzidos em Veneza, trata-se de uma tipologia sobretudo germânica. Os formatos destes frascos modelados são relativamente simples. Os exemplares hoje conhecidos podem apresentar bases com as mais variadas formas geométricas (desde os simples quadrado, retângulo ou hexágono, a formas mais complexas como cruz grega ou círculo polilobado) (Schaich, pp. 302-305). A explicação para este facto reside nas características da pasta vítrea. Ao longo da época moderna, os vidreiros germânicos procuraram rivalizar com os produtores venezianos, cujos produtos faziam sucesso por toda a Europa. Contudo, a dificuldade em adquirir carbonato de sódio, fundente alcalino essencial na produção do vidro veneziano, obrigava os vidreiros germânicos a utilizar carbonato de potássio. Ao contrário do carbonato de sódio, este fundente gerava uma pasta vítrea que solidificava muito rapidamente, impossibilitando a criação de formas elaboradas como aquelas com que Veneza fascinara a Europa. No entanto, conhecem-se alguns exemplares com silhuetas mais extravagantes, como, por exemplo, de barril [vide PNP277] ou de cão (Schaich, p. 321, cat.500). Estas peças revelam um maior conhecimento das técnicas venezianas, uma realidade cada vez maior ao longo do século XVII, quando o vidro à la façon de Venise era já produzido um pouco por toda a Europa. * * * A tradição de formas relativamente simples prolongou-se pelo século XVII, mas o crescente conhecimento das técnicas venezianas levou ao desenvolvimento de sincretismos, nomeadamente ao nível da decoração. Com efeito, a pintura a esmalte, inicialmente executada no Adriático, conheceu particular desenvolvimento a Norte dos Alpes e, com o decorrer do século XVII, outras soluções decorativas inventadas pelos vidreiros de Veneza, como o vidro lattimo, o craquelé ou o calcedonio, foram também adaptados para esta tipologia de frascos.* * * O vidro calcedonio, aperfeiçoado em Veneza nos finais do século XV, reflete o grande interesse demonstrado pelos meios eruditos renascentistas por pedras preciosas e semipreciosas. Do mesmo modo que os vidreiros tardo-medievais pretendiam alcançar um vidro absolutamente transparente que pudesse rivalizar com o cristal de rocha, também o vidro calcedonio era uma tentativa para igualar o mineral calcedónia. * * * OBJETOS SIMILARES: Embora existam alguns exemplares de peças em vidro calcedónio célebres, como é o caso do jarro 1911,0712.1 do Museu Britânico, são muito raras as peças que foram produzidas no século XVIII. O extraordinário frasco C.207-1936 do Museu Victoria & Albert, embora de produção certamente veneziana, é dos poucos exemplares com que é possível estabelecer um paralelo. Seria preciso esperar pelo século XIX para assistir ao ressurgimento do interesse por estas peças.
Incorporação:
Transferência - Coleções Reais, Palácio da Pena, 1910

Tipo

Descrição

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