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Prego de chapéu, o pequeno grande acessório...
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

Prego de chapéu – o pequeno grande acessório...

O prego de chapéu sendo um acessório marcadamente feminino ocupa lugar de destaque na colecção do Museu existindo quase 400 exemplares de diferentes épocas, que abrangem o período cronológico desde o romantismo até aos anos 60 do século XX.

Indissociáveis dos chapéus, constituíram ao longo da história dos acessórios um elemento decorativo, mas eram sobretudo de grande utilidade uma vez que permitiam prender o chapéu aos cabelos e, consequentemente, que este se mantivesse no lugar. Usado habitualmente como peça única, podia ser conjugado com um par idêntico ou em múltiplos exemplares, sendo estes últimos geralmente de pequenas dimensões.

A história dos pregos de chapéu começa cerca de 1800 quando estes começaram a ser executados de forma artesanal em oficinas de hábeis artesãos. Contudo, a crescente procura por este tipo de acessório fez com que, em 1832, a industrialização tomasse conta do processo de produção o que permitiu não só substituir o trabalho artesanal, mas também baixar o preço de um objecto cada vez mais popular e de uso generalizado.

O prego de chapéu, constituído por pé - ou haste - geralmente executado em metal, podia ser também unicamente de osso ou massa, como são disso exemplo algumas das peças da nossa colecção. O seu comprimento - que dependia geralmente do tamanho do próprio chapéu - variava entre 5 e 30cm, estando também intimamente associado ao período cronológico da sua utilização.

Na extremidade superior possuía uma “cabeça” que constituía o elemento decorativo da peça, servindo para ornamentar o chapéu. A “cabeça” do prego de chapéu empregava na sua execução os mais diversos materiais como o vidro, o esmalte, a massa, a porcelana, o metal, o tecido ou até mesmo matérias naturais como a ráfia ou as penas de aves. Podia assumir formas diversas, desde as geométricas passando pelas florais ou vegetalistas.

A moda dos pregos de chapéu atingiu o seu período áureo entre 1880 e 1910. As grandes capelines (chapéus volumosos de abas largas) necessitavam de longos pregos de chapéu para se fixarem, o que levou à necessidade da criação de hastes com mais de 30 cm de comprimento como demonstrado por algumas peças da nossa colecção.

No entanto, estes pregos de chapéu de grandes dimensões, começaram também a ser utilizados não só como arma de ataque, mas também como meio de defesa pessoal das mulheres quando se sentiam ameaçadas. Em 1908, nos EUA foi inclusive decretada uma lei que proibia o uso deste tipo de pregos mais compridos, uma vez que poderia ser utilizado com arma pelas mulheres sufragistas.

Também em Paris, em 1913, e perante este “perigo público” ou o perigo de eventuais “acidentes oftalmológicos” nos transportes parisienses, no teatro ou nas ruas, a Polícia de Paris promulgou uma portaria que regulamentava a uso dos pregos de chapéu na via pública. Assim, tornava-se obrigatória a utilização de um “protege pontas” que deveria ser colocado na extremidade saliente da haste e que geralmente assumia a forma de um pequeno cilíndro ou de uma esfera, fazendo com que a extremidade se tornasse inofensiva.

Inclusivamente, nesse mesmo ano, há relatos no jornal francês "Le Figaro" da existência de revisores à entrada do Metro de Paris que fiscalizavam o cumprimento desta portaria havendo punições e até proibições de entrada nos transportes de quem não possuísse as pontas protegidas. Estes protectores podiam ser adquiridos de forma rápida e barata junto dos vendedores de jornais e nos quiosques da cidade.

Na colecção do museu, os pregos de chapéu mais antigos datam do período Romântico. Em 1840, estes apresentavam um comprimento médio, alguns com “cabeça” esférica sugerindo grandes pérolas, com trabalhos em metal vazado e recortado e sempre com pingentes que provocavam movimento no chapéu aquando da locomoção da mulher.

Contudo, grande parte das peças da colecção situam-se no período entre 1880 e início do século XX, coincidindo portanto, com o período em que este acessório mais foi utilizado para a ornamentação dos chapéus, como foi referido acima. Podemos assim encontrar peças com grandes dimensões, chegando alguns pés a possuir mais de 30 cm de comprimento.

Neste período, podemos observar que a “cabeça“ assumia diversas formas desde uma pequena esfera de vidro polido ou vidro facetado, passando por uma peça de metal vazado com inscrustação de pedras, assim com esferas de cerâmica pintada com pequenos motivos florais de gosto delicado e elegante. Alguns exemplares, tipicamente Arte Nova, apresentam motivos florais de metal pintado com pétalas ondulantes tão característicos do espírito naturalista.

Exemplos vários dos anos 20, de estilo Art Déco, podem ser também observados na nossa colecção, assim como os típicos pregos dos anos 30/40 de tamanho reduzido e cuja “cabeça” de forma esférica é confeccionada em tecido ou feltro, de cores sóbrias. Com o avançar das décadas, a moda dos pregos de chapéu foi caíndo em desuso e prolongou-se para lá da II Guerra Mundial, até aos anos 50/60 do século XX.

Os pregos de chapéu destas décadas são característicos pelo seu tamanho médio apresentando por vezes grandes “cabeças” de forma ovalada ou esférica, sugerindo grandes pérolas e materiais nacarados. A diversidade de materiais é tão variada que pode ir do plástico ao osso, da baquelite ao metal passando pelo vidro. Por vezes as inscrustação de strasses, as missangas e as lantejoulas são os materiais empregues para formar decorações profusas e irisadas. Pontualmente, surgem materiais menos habituais como a ráfia, a palhinha, as penas de aves ou até o pêlo de animal, que marcam uma vertente mais orgânica.

Exemplos menos habituais, mas presentes na colecção, são os pregos de chapéu de dupla cabeça que permitiam não só ter a vertente decorativa duplicada, mas também oferecer protecção à extremidade pontiaguda. Geralmente de dimensões reduzidas, têm “cabeças” de forma geométrica, de massa ou vidro facetado, sendo usados essencialmente como elemento decorativo do chapéu e não para prender este ao cabelo. Também apenas decorativos são os dois exemplos de alfinetes de chapéu observáveis na colecção. Em tudo semelhantes a uma alfinete-de-ama, tinham apenas a função de decorar o chapéu.

Em épocas em que as mulheres usavam chapéu nas suas "toilettes" diárias, o prego de chapéu esteve sempre - ou quase sempre - presente essencialmente na função de utilidade, mas também decorativa. Esta última função variava no grau de refinamento e também de acordo com a classe social, podendo encontrar-se exemplares finamente ornamentados e de elevado custo, como exemplares mais simples e funcionais, de custo acessível. Todos eles podem ser observados na nossa colecção e demonstram a diversidade do gosto feminino e a elegância ou a simplicidade de um pequeno grande acessório...

Elsa Mangas Ferraz

Este texto não foi escrito ao abrigo do acordo ortográfico.

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