MatrizNet

 
Logo MatrizNet Contactos  separador  Ajuda  separador  Links  separador  Mapa do Site
 
domingo, 18 de abril de 2021    APRESENTAÇÃO    PESQUISA ORIENTADA    PESQUISA AVANÇADA    EXPOSIÇÕES ONLINE    NORMAS DE INVENTÁRIO 

Animação Imagens

Get Adobe Flash player

   
     
   
Sensualidade e Sedução na década de 1930
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

SENSUALIDADE E SEDUÇÃO na década de 1930

A década de 1930 foi marcada pela Queda da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, que deu início a um período de depressão económica que terminou com o início da II Grande Guerra Mundial, em 1939. Na Europa vivia-se num clima de agitação social e económica que levou à eclosão de regimes totalitários, Salazar em Portugal, Franco em Espanha, Mussolini em Itália, Estaline na Rússia e Hitler na Alemanha.

O cinema de Hollywood saltava fronteiras e transformava-se numa referência relativamente aos hábitos e modas. As actrizes de cinema, como Greta Garbo e Marlene Dietrich, com o seu glamour inspiravam as mulheres e tornavam-se modelos a seguir. Os ídolos masculinos que se destacavam eram Gary Cooper e Clark Gable.

Em Portugal, a produção cinematográfica e a restante comunicação social estavam condicionadas pelo poder político, veiculando a ideologia do regime. O filme “A Canção de Lisboa” (1933) de Cottinelli Telmo fez a transição do mudo para o sonoro com grande êxito.

TRAJE FEMININO

Nesta década a silhueta feminina regressou às formas curvilíneas, com as saias mais compridas e as cinturas a retomarem a sua posição natural. Durante o dia, os vestidos e os conjuntos femininos eram definidos pelos ombros largos e cintos que marcavam a cintura. Os vestidos de noite, elegantes e sumptuosos, apresentavam costas desnudadas.

Os tecidos mais apreciados eram os crepes e os cetins que se moldavam ao corpo. As peças de malha ou “jersey”, que entraram na moda na década anterior continuavam a fazer furor. A sua leveza e maleabilidade permitiam uma liberdade de movimentos muito adequada à prática desportiva, como o ténis, o golfe ou a natação. Sendo também muito apreciadas para uso quotidiano, na forma de camisolas ajustadas ao corpo, casacos, saias ou vestidos.

A paleta de tons era colorida e os padrões diversificados, dos motivos geométricos aos motivos florais e vegetalistas, de pequenas ou grandes dimensões.

Madeleine Vionnet (1876-1975) marcou a silhueta feminina nesta década ao criar o corte em viés, que consistia em cortar e aplicar os tecidos na diagonal. Esta técnica dava às peças uma elasticidade e fluidez muito apreciadas, ajustando-se aos contornos femininos de forma sensual. As experiências que realizou no âmbito do corte e da estrutura permitiam que os seus vestidos modelassem e suportassem os corpos, dando ao mesmo tempo a impressão de liberdade e movimento.

Elsa Schiaparelli (1890-1973) conhecida pelas suas criações ligadas ao movimento surrealista, usava a moda com expressão artística. Concebeu acessórios de formas inesperadas como a “bolsa telefone” e usou temáticas decorativas extravagantes e inovadoras, como o circo e a astrologia. Uma das peças mais icónicas é o seu vestido pintado com uma lagosta e ramos de salsa. Foi também uma das primeiras estilistas a abrir uma loja “Pour le Sport” que vendia roupa desportiva e de lazer de malha.

Os casacos de pele eram o sonho de qualquer mulher, sendo que os de pelo curto eram mais acessíveis do que os de pelo longo. Também existiam códigos para a sua utilização, durante o dia aconselhava-se a marta, o castor e o carneiro, e durante a noite, a zibelina, o arminho e a chinchila.

Os cabelos eram usados um pouco mais compridos do que na década anterior, armados por pequenas e suaves ondulações. Os chapéus de pequeno formato e muito criativos eram um acessório indispensável em qualquer toilette. Outro formato que se mantinha em voga eram capelines, de abas largas. No calçado eram muito apreciados os sapatos bicolores para o quotidiano.

Um estilo de vida moderno implicava praticar exercício físico ao ar livre e fazer caminhadas. O costume de ir à praia continuava a ganhar adeptos e ficar bronzeado tornou-se sinónimo de poder económico e social. Para estas ocasiões o traje necessitava ser prático e ligeiro, tendo-se tornado aceitável o uso de calças e calções curtos. Os fatos de banho de malha elástica foram uma grande novidade porque não deformavam e usavam-se em tons vivos, como o vermelho, o amarelo e o verde.

TRAJE MASCULINO

Na década de 1930, os conjuntos masculinos eram compostos por casacos amplos com ombros largos e calças de cintura alta com duplas pregas soltas, na frente, o que permitia uma maior liberdade de movimentos. Neste estilo mais descontraído, os tecidos ganharam um pouco mais de cor e padrões. O tecido “príncipe de Gales” caracterizado por um quadriculado formado por estreitas linhas cruzadas em tons de preto e branco era um dos padrões mais apreciados. Contudo, os casacos e as calças de cor preta predominavam.

O fraque e a casaca continuaram a marcar as ocasiões solenes e o smoking era o mais adequado para as festas nocturnas. Contudo, observam-se algumas mudanças ao nível dos detalhes, tais como a amplitude dos casacos, as variações dos colarinhos e o comprimento das calças.

As gravatas mais usuais continuavam a ser de tons sóbrios e escuros, mas alguns homens ousavam usar gravatas com padrões e cores, em contextos informais, artísticos e de lazer.

Outro elemento que marcou o guarda-roupa masculino foi o sobretudo assertoado, amplamente divulgado pelo cinema e que rapidamente conquistou o apreço masculino.

De cabelo curto com brilhantina, cara escanhoada com ou sem bigode, os homens faziam-se acompanhar por chapéus consoante as circunstâncias, o chapéu de copa mole para o quotidiano, a cartola para as ocasiões formais, o boné e o chapéu de palhinha para o lazer ou trabalho.

Dina Caetano Dimas

imagem
 
     
     
   
     
     
     
 
Secretário Geral da Cultura Direção-Geral do Património Cultural Termos e Condições  separador  Ficha Técnica