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A magia dos brinquedos...
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

A colecção de brinquedos existente no Museu Nacional do Traje, não estando directamente ligada à temática do traje e seus acessórios, foi uma colecção que foi sendo reunida ao longo de várias décadas desde 1977. No entanto, e apesar da aceitação das doações desta tipologia de objectos estar presentemente encerrada, a colecção de brinquedos do nosso acervo conta com mais de 5000 peças que retratam não só a evolução dos materiais utilizados, mas sobretudo ilustram a evolução do brinquedo e a história da própria infância. Mostram-nos ainda aqueles que marcaram uma determinada época ou geração e que, inquestionavelmente, muito contribuíram para o desenvolvimento educacional, físico e psicológico das crianças.

Se pensarmos no que o brinquedo representou na história da infância, facilmente percebemos que desde sempre este esteve presente na vida das crianças. Na realidade, o brinquedo é simultaneamente universal e intemporal. Há em todos os continentes vários relatos ao longo da História, sustentados por achados arqueológicos, de que as crianças se divertiam e ocupavam o seu tempo não só com o que encontravam na Natureza (sementes, pedras, paus ou conchas), mas também com brinquedos mais elaborados, que à medida do avançar dos séculos, foram sendo executados em madeira, terracota ou têxteis e que seriam as formas “primitivas” de bolas, bonecas, berlindes ou jogos de construção.

Mesmo existindo mudanças nos materiais, nalgumas formas ou até mesmo nalgumas designações, o brinquedo acabou sempre por testemunhar o lugar dado à criança na sociedade, numa determinada época ou cultura o que permite analisar os modos de vida, as relações entre pais e filhos e até as regras sociais. O brinquedo podia assumir o papel de categorizar as crianças na vertente feminino/masculino e tal categorização poderia facilitar a sua projecção no Mundo quando estes fossem adultos. Actualmente, existem variadas teorias e estudos nestas áreas da diferenciação sexual que levam a que se possa associar, ou não, determinado brinquedo ao género. No entanto, no imaginário infantil dos séculos anteriores, os meninos eram indissociáveis dos carrinhos, das ferramentas e dos soldadinhos de chumbo e as meninas das bonecas e das suas roupas, bem como dos brinquedos do universo culinário e doméstico.

Sabemos que no século XIX e início do século XX , as crianças não possuíam muito brinquedos. Às crianças com mais recursos económicos eram oferecidos brinquedos (geralmente um) em datas festivas como o aniversário ou o Natal. Contudo, grande parte das famílias não possuía recursos para adquirirem estes bens não essenciais que, à época, não eram valorizados para o desenvolvimento da criança como o são na actualidade, mas sim considerados meros objectos de entretenimento. Desta forma, muitas vezes, eram os próprios pais e as crianças que construíam os brinquedos de forma artesanal e numa perspectiva de escala doméstica com materiais de desperdício ou elementos da Natureza e onde a imaginação era o limite.

Na colecção de brinquedos do Museu é possível encontrar exemplares datados dos finais do século XIX até aos anos 2000. De entre os milhares de brinquedos, podemos encontrar exemplos dos mais diversos materiais desde metal (folha de Flandres), porcelana, pasta de papel, plástico ou até mesmo vidro. Se a Revolução Industrial já tinha sido impulsionadora no surgimento de novos materiais para o fabrico de brinquedos, a invenção do plástico veio sem dúvida alargar o leque de possibilidades. Os brinquedos de plástico, largamente representados na colecção, são ilustrativos da grande popularidade destes na década de 1950 com a produção do plástico numa escala industrial. A par do plástico, encontramos também muitos exemplares de madeira que, pela sua versatilidade, custo e durabilidade era uma material de eleição no fabrico de muitos brinquedos.

Em termos de tipologia de brinquedos, a colecção é muito diversificada. Podemos encontrar brinquedos de usufruto individual (bonecas, carrinhos ou instrumentos musicais) e brinquedos de uso colectivo (jogos de sociedade, lotos ou cartas), muitos de fabrico nacional, mas também muitos de produção francesa ou inglesa. Estes, no caso das classes mais abastadas eram muitas vezes importados ou oferecidos por familiares que viajavam sendo adquiridos sobretudo como entretenimento e numa perspectiva de preparação para o futuro mundo adulto.

Se nos focarmos nas principais tipologias de brinquedos, encontramos as bonecas que estão largamente representadas. O Museu possuiu uma grande colecção de bonecas de traje regional português e estrangeiro que, constitui uma categoria especial uma vez que se enquandra no que se designa como “brinquedo decorativo”. No tocante às bonecas como brinquedo propriamente dito, as peças são fabricadas em celulóide, porcelana ou pasta de papel, com membros articulados e vestidas com trajes. Por vezes possuem carrinhos de bebé e variados acessórios, como por exemplo acessórios de “toilette”.

Na tipologia de brinquedos que reproduzem a vida doméstica e culinária, é significativo o número de serviços de jantar e de chá em porcelana, de serviços e utensílios de cozinha em folha de Flandres, bem como de pequenos electrodomésticos de plástico e metal. Ainda no universo da casa, a mobília das diversas divisões está representada em móveis de quarto, sala ou cozinha sendo executados em madeira, metal ou plástico. Objectos de decoração e “bibelots” de vidro, plástico ou metal completam este núcleo. Extistem ainda algumas casas de bonecas, totalmente mobiladas e decoradas, muito ao gosto da primeira metade do século XX.

Largamente representados, os jogos ocuparam sempre um lugar privilegiado em todas as gerações. Fossem jogos de contrução, jogos de tabuleiro ou jogos de sociedade - estes útimos muito em voga no final do século XIX e início do século XX - eram o tipo de brinquedo muito ambicionado pelas crianças. Encontram-se vários exemplos na colecção, que na sua maioria, têm proveniência estrangeira (sobretudo francesa) como os lotos, os dominós e os puzzles. Animais, carros e soldadinhos de chumbo, construídos em folha de Flandres, plástico ou madeira estão igualmente representados e é possível concluir a preferência intemporal por este tipo de brinquedo.

Brinquedos como a boneca Barbie, o Lego e a Playmobil fazem também parte do acervo e em termos de datação, constituem os exemplares mais recentes. O material resistente e colorido permite um variado número de conjugações dando à criança inúmeras opções de construção. Estes brinquedos são ainda actualmente muito desejados e acompanharam ao longo das décadas o gosto e a evolução dos temas mais em voga. Estão por vezes associados aos designados “brinquedos promocionais”, associados a filmes ou livros, com a reprodução das personagens principais e dos ambientes imaginários.

A colecção de brinquedos do Museu, conta assim também uma história, a da infância, e faz-nos perceber o imaginário infantil e como as crianças apreenderam o Mundo ao logo dos últimos séculos. Objectos em miniatura do mundo dos adultos, os brinquedos ofereceram desde sempre às crianças - sendo transversal a todas as gerações - não só divertimento e prazer infinito da brincadeira, mas também estimularam a criatividade, a imaginação, as aptidões físicas e intelectuais e, sobretudo, uma inesgotável fonte de “faz de conta”.

Elsa Mangas Ferraz

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